Facebook permitirá ocultar anúncios políticos após liberar desinformação
A Biblioteca de Anúncios, que reúne campanhas do Facebook e do Instagram, também terá mudanças
A Biblioteca de Anúncios, que reúne campanhas do Facebook e do Instagram, também terá mudanças
O Facebook anunciou em setembro que não realizará checagem de fatos, nem será tão rígido com falas de políticos na eleição presidencial de 2020 nos Estados Unidos. Agora, a companhia voltou a tratar do assunto e apresentou medidas para “aumentar o nível de transparência”.
Uma das principais mudanças é recurso para quem deseja ver menos publicidade política nos feeds do Facebook e do Instagram. A opção estará na área de preferências de anúncios, que já pode ser usada para reduzir a exibição de campanhas sobre certos assuntos.
A empresa também atualizará a Biblioteca de Anúncios, que reúne campanhas veiculadas no Facebook e no Instagram. A seção ganhará melhorias na busca e permitirá filtrar anúncios com base em critérios no alcance que tiveram, nas regiões em que foram exibidos e na data de veículação.
Ainda não há muitos detalhes sobre como as novidades funcionarão. Segundo o Facebook, a Biblioteca de Anúncios será atualizada até março, enquanto a opção de receber menos campanhas políticas ficará para o segundo semestre.
As medidas parecem ser uma resposta às críticas de que o Facebook faz pouco ou quase nada para conter a desinformação em anúncios políticos. A rede social ficou em uma posição mais desconfortável depois esse tipo de publicidade ser proibida pelo Twitter e ficar restrita no Google.
Em um comunicado, o diretor de gerenciamento de produto do Facebook, Rob Leathern, afirmou que a empresa decidiu “expandir a transparência e dar mais controle às pessoas quando se trata de anúncios políticos”.
De acordo com o executivo, a companhia considerou acompanhar o Google neste assunto, mas optou por manter as regras após ouvir ONGs, grupos políticos e representantes dos partidos políticos nos Estados Unidos. A empresa defende uma regulamentação sobre publicidade eleitoral na internet.
“Não achamos que decisões sobre anúncios políticos devam ser tomadas por empresas privadas”, disse Leathern. “Acreditamos que quanto mais cedo o Facebook e outras empresas estiverem sujeitas a regras democrativamente responsáveis, melhor”.
O Facebook afirma que elaborou suas próprias regras enquanto não há normas para todas as empresas. “Nos baseamos no princípio de que as pessoas devem poder ouvir aqueles que desejam liderá-las e que o que elas dizem deve ser examinado e debatido em público”, continuou Leathern.
Os anúncios políticos ainda deverão respeitar os padrões de comunidade do Facebook e não poderão ter discurso de ódio, conteúdo nocivo ou campanhas para eleitores não votarem. A desinformação, porém, ainda deverá ser permitida, já que o Facebook não pode – e não quer – checar a veracidade do que é veiculado nas campanhas.
Com informações: Facebook, New York Times.