Lost Ark, MMORPG da Amazon, brilha com gameplay de ação fluida e divertida [Review]

Grátis para jogar no Steam, Lost Ark tem tudo para ser o novo MMORPG de sucesso no ocidente, se a Amazon Games maneirar nas microtransações

Murilo Tunholi
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Lost Ark é a nova aposta da Amazon Games para o mercado de MMORPGs (Imagem: Divulgação/Amazon)

O próximo grande MMORPG pode estar entre nós. Com gameplay de ação que lembra Diablo e Path of Exile, Lost Ark é a nova aposta da Amazon Games — responsável também por New World. Dessa vez, porém, a empresa age apenas como a publicadora ocidental do game, o qual já é um verdadeiro sucesso na Coreia do Sul. O Tecnoblog teve a oportunidade de testar Lost Ark, e as primeiras impressões você confere nas linhas a seguir.

Afinal, o que é Lost Ark?

Antes de começar nossa análise, vale explicar o que é Lost Ark.

Desenvolvido pela Smilegate RPG em parceria com a Tripod Studios, Lost Ark é um MMORPG de ação — ou AMMORPG para os íntimos — grátis para jogar. Seu maior diferencial é a gameplay, que foge do padrão de “apontar e clicar” dos games mais populares do gênero atualmente, como Final Fantasy 14 e World of Warcraft.

Lost Ark é bastante focado em conteúdos JxA (jogador contra ambiente), como completar quests e conquistas, fabricar itens e desafiar masmorras e raides em grupo. A partir do nível 26, são liberados também modos para quem curte combates JxJ (jogador contra jogador), incluindo partidas casuais, personalizadas e competitivas com rankings.

Lost Ark foi lançado em 2018, na Coreia do Sul (Imagem: Murilo Tunholi/Tecnoblog)

Assim como em outros games do gênero, o jogador cria seu personagem, escolhe uma classe e evolui até o nível máximo durante a campanha, por meio de missões. Ao alcançar o nível 50, é liberado o acesso ao “endgame”, cujos conteúdos oferecem equipamentos cada vez mais fortes e valiosos aos aventureiros.

Até aqui, Lost Ark pode parecer só mais um MMORPG, apenas com jogabilidade diferente. Porém, o jogo tem um tempero diferente que agradou ao gosto dos sul-coreanos. Não é à toa que Lost Ark segue como um dos games mais populares na Coreia do Sul desde seu lançamento, em 2018, ficando atrás apenas de titãs como League of Legends e PUBG: Battlegrounds.

Ao perceberem que o jogo fazia muito sucesso no oriente, os fãs de MMORPGs — eu incluso — começaram a pedir que servidores ocidentais fossem abertos. Quase quatro anos após o lançamento original, Lost Ark enfim vai chegar às Américas e à Europa de forma oficial, a partir de 8 de fevereiro para quem adquirir o acesso antecipado no Steam, ou 11 de fevereiro para o público geral.

Gameplay de ação é dinâmica e muito divertida

Para causar danos nos inimigos em Lost Ark é preciso mirar com o mouse (Imagem: Murilo Tunholi/Tecnoblog)

Durante os testes, Lost Ark chamou minha atenção logo de cara pela gameplay de ação muito polida. Sou jogador de MMORPGs há mais de 18 anos e sentia falta de um jogo de boa qualidade que não ficasse preso à jogabilidade de apontar e clicar baseada em tab-targeting — ação de trocar de alvo apertando a tecla Tab do teclado.

Há diversas opções de AMMORPG no mercado, como Black Desert, Tera, Blade & Soul ou Phantasy Star Online 2. No entanto, todos esses exemplos apresentaram problemas logo de início que me desanimaram de continuar evoluindo meu personagem até chegar ao endgame, que é quando um MMORPG começa a ficar divertido de fato.

Em Lost Ark, a jogabilidade é fluida, com habilidades rápidas, precisas e com tempos de recarga relativamente baixos desde o começo. No teste, criei um Artista Marcial especializado em combos de socos e chutes potentes. Os golpes encaixavam muito bem uns nos outros, e eu ainda conseguia eliminar vários inimigos de uma vez só com poderes em área.

Classes restritas por gênero não deveriam existir

Algumas classes de Lost Ark têm restrição por gênero (Imagem: Murilo Tunholi/Tecnoblog)

A versão ocidental de Lost Ark chega com cinco classes diferentes — Guerreiro, Artista Marcial, Artilheiro, Maga ou Assassina. Vale mencionar aqui um ponto extremamente negativo para mim: algumas classes ou especializações são bloqueadas por gênero. Não dá para criar magos ou assassinos masculinos, nem guerreiras femininas, pelo menos por enquanto.

Estamos em 2022 e não faz mais sentido ter classes com restrição de gênero nos dias atuais. A ideia de um MMORPG é criar o seu próprio personagem e ser quem você quiser ser. Sei que esse tipo de “mecânica” é comum em jogos coreanos, mas isso pode desagradar os jogadores ocidentais, assim como me incomodou.

Ignorando a polêmica das classes, Lost Ark entrega uma experiência divertida e satisfatória nas lutas desde os primeiros níveis. Quanto mais habilidades você desbloqueia, mais dinâmico fica o combate.

É importante citar que os poderes podem ser não só aprimorados para causar mais dano, como também modificados com runas para aplicar efeitos negativos adicionais. Isso adiciona um elemento extra de customização que deixa cada personagem único.

Personagens “alts” são muito valorizados

Lost Ark incentiva a criação de personagens alternativos (Imagem: Murilo Tunholi/Tecnoblog)

Por falar em personagens únicos, Lost Ark incentiva os jogadores a criarem vários avatares na mesma conta, os famosos “alts”. O game, contudo, faz isso de forma primorosa, evitando repetições desnecessárias de quests e outros conteúdos por meio de um medidor chamado Roster (Elenco, em tradução literal).

Assim como o nível do personagem, o nível do Roster também aumenta de acordo com a campanha. Não é preciso fazer nada de especial, além das quests, para evoluir esse medidor. Ao criar um avatar, o patamar do Roster é compartilhado, permitindo que os bônus de atributos desbloqueados sejam aplicados a todos os personagens ao mesmo tempo.

Outra vantagem é que todas as conquistas completadas valem para a conta inteira — ou seja, não é necessário ficar explorando tudo de novo ao passar pelas regiões iniciais. Os jogadores também podem criar e decorar suas próprias fortalezas em ilhas, que servem como bases para os personagens e para receber visitas de amigos.

Motor gráfico precisa ser atualizado

Lost Ark ainda usa o motor gráfico Unreal Engine 5, de 2005 (Imagem: Murilo Tunholi/Tecnoblog)

Apesar de ter gameplay divertida, classes com habilidade estilosas e sistema que ajudam a gerenciar alts, Lost Ark peca em alguns quesitos técnicos. Por mais que tenha estreado em 2018, o MMORPG é desenvolvido na Unreal Engine 3, lançada em 2005, e ainda usa DirectX 9 como padrão. Há uma opção para trocar para o DirectX 11 nas configurações, mas, sempre que eu mudava, o game desfazia a alteração sozinho na beta.

Os gráficos não chegam a ser feios, mas estão muito aquém dos padrões atuais. A indústria de games já está se movimentando para adotar a Unreal Engine 5, e Lost Ark ainda nem sequer atualizou o motor gráfico para a Unreal Engine 4. O jeito é torcer para o game fazer tanto sucesso por aqui quanto no oriente para a Smilegate adiantar os upgrades necessários.

A parte “positiva” disso é que Lost Ark roda até mesmo nos PCs mais modestos. Nos requisitos mínimos, ele pede processadores Intel Core i3 ou AMD Ryzen 3, placas de vídeo GeForce GTX 460 ou Radeon HD 6850 e 8 GB de memória RAM.

Aliás, também seria ótimo ajustar a interface do jogo. Ela é funcional, mas muito poluída com informações desnecessárias. Algumas vezes me senti jogando um game dos anos 2000, em uma pegada meio MU Online, Perfect World ou até mesmo World of Warcraft vanilla, sem meus 15 modificadores de interface.

Servidores na América do Sul estão garantidos

Gameplay de ação de Lost Ark é beneficiado por latência baixa (Imagem: Murilo Tunholi/Tecnoblog)

Outro ponto que vale ser citado é a latência. Lost Ark depende de reflexos rápidos para usar as habilidades no tempo certo, porém só é possível fazer isso se não houver lag. Durante os testes, a Amazon Games liberou somente um servidor na América do Norte cujo ping ficava relativamente alto — com cerca de 180 milissegundos de atraso.

No lançamento oficial em 8 de fevereiro, contudo, a empresa vai abrir mais servidores em outros locais. Aproveitei para perguntar à Amazon Games se haveria alguma base no Brasil, e a empresa respondeu que irá existir um servidor na América Latina com “latência excelente”. No entanto, não foram faladas as localizações exatas dessas máquinas.

Durante os testes de Lost Ark, não consegui me aprofundar na história por causa do tempo limitado. Nos primeiros 30 níveis, pelo menos, o enredo é simples e contado em muitas cenas dubladas em inglês. Ainda não há previsão para uma possível localização em português do Brasil, então é preciso jogar em inglês, francês, alemão ou espanhol.

Lost Ark pode brilhar, se maneirar nas microtransações

Loja de microtransações de Lost Ark (Imagem: Murilo Tunholi/Tecnoblog)

Lost Ark é totalmente grátis para baixar e jogar pelo Steam nos computadores, porém há uma loja de microtransações com itens exclusivos. Com dinheiro real, é possível comprar mascotes, montarias, bônus de experiência e muitas outras vantagens para os personagens.

MMORPGs asiáticos têm uma certa fama ruim por exagerarem nas microtransações, tornando o jogo “pay to win” (pagar para vencer). Porém, a Amazon Games prometeu que a versão ocidental terá algumas limitações para garantir experiências parecidas a todos os jogadores, sejam eles pagantes ou não.

Vamos aguardar e ver se isso vai se tornar realidade. Se sim, é possível que Lost Ark se torne o próximo grande MMORPG do ocidente. Claro, não dá para competir com Final Fantasy 14 ou World of Warcraft, mas a nova aposta da Amazon Games pode prosperar por mais tempo que New World, pelo menos. Em breve saberemos a conclusão dessa história.

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