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“Estudantes, dediquem-se mais ao COBOL” — palavras de um gerente da IBM

Pedro Britto diz que os mainframes são realidade em grandes empresas.

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De Orlando, Flórida* — Trabalhar numa grande empresa aparece nos objetivos de muitos leitores do Tecnoblog que se dedicam à computação. Pedro Britto, gerente de vendas da IBM Brasil, conversou comigo sobre o assunto e logo de cara dá um conselho para essa turma: aprendam a programar em COBOL. Britto faz o apelo porque, do ponto de vista da companhia, a linguagem de programação continua como um dos conhecimentos mais buscados nos profissionais ingressando no mercado.

“Parte significativa do desenvolvimento de TI em grandes empresas ainda é feita para mainframe e em COBOL. O estudante multitarefa não está disposto a trocar a sua realidade por uma tela verde.” De acordo com Britto, antes existia propriamente uma barreira de linguagem — é difícil aprender COBOL; essa reclamação é constante. “Existe um preconceito no mercado”, diz.

COBOL: vai encarar?

O executivo ressalta que ao longo dos anos companhias como a IBM produziram soluções para facilitar essa aproximação com a linguagem. Por exemplo, o ambiente Eclipse facilita o desenvolvimento tanto para o temido COBOL como para Java.

Numa visita recente a Ribeirão Preto (SP) fiquei sabendo que por lá a busca por profissionais que sabem Java é inferior ao que se verifica em São Paulo. Segundo Britto, isso se deve à atuação de algumas empresas que criam verdadeiros polos regionais de tecnologia para atenderem sua demanda. Ainda de acordo com o executivo, os estudantes também devem estar atentos a essas tendências no momento em que decidem por uma ou outra especialização.

Britto afirma que o TI vai mudar o mundo e dá evidências claras disso. Exemplifica com os carros inteligentes: esse tipo de veículo nos modelos topo de linha tem até 100 milhões de linhas de código e mais de cem processadores. No entanto, a maior parte do software embarcado nesses veículos vem de fora. “Quando o governo fala em investimento no setor automotivo, eu visualizo o software sendo feito por brasileiros especificamente para nossas necessidades.”

O mesmo vale para as cidades inteligentes. Não por acaso, a IBM recentemente trabalhou em conjunto com a prefeitura do Rio de Janeiro na construção do Centro de Operações Rio, um espaço ao qual o prefeito recorre para situações de crises. De lá pode monitorar informações sobre tempo, trânsito, fornecimento dos serviços básicos e ainda se comunicar com centros de pesquisa. “Não existe nenhuma outra empresa no mercado capaz de articular e de resolver a complexidade envolvida no projeto do Centro de Operações Rio.”

A IBM conta com um programa para universitários chamado de Academic Iniciative. Por meio dele o gigante de software e infraestrutura leva as tecnologias para as escolas. De conhecimento das soluções da empresa, esses estudantes têm mais chances de serem contratados tanto pela IBM — e entrar no time de 25 mil desenvolvedores espalhados pelo mundo — como por empresas clientes da IBM que adotam as soluções da companhia.

Britto confia na capacidade do Brasil de empregar mais profissionais na área. Ele comenta um estatística da qual tomou conhecimento recentemente: “Se formássemos 100 mil profissionais bem capacitados, todos estariam empregados hoje em dia”. Se for em COBOL, pelo que diz, ainda ganhariam muito bem.

A propósito, não é de hoje que a IBM bate na teclado do aprendizado de COBOL. Esta notícia publicada pelo Ztop atesta que, em 2009, a companhia agitava um curso específico sobre a linguagem.

*O editor viajou para a conferência IBM Innovate nos EUA a convite da IBM Brasil.

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Nailan Ferreira
"Normas da empresa" Como assim cara? Difícil de acreditar em você. Se não é pra usar IDE programe com cartões perfurados porque a linguagem de programação também é uma ferramenta de produtividade!
crash over
90% de código no mundo é cobol.
sidnei glasman
Me parece que a previsão estava errada. Basta fazer uma pesquisa das ofertas de emprego em Cobol. Elas são bem mais escassas do que as disponíveis para outras linguagens em 2016;
Sü??ý K?å?
bUSINESS INTELLIGENCE CONSULTANT SQIAR (http://www.sqiar.com/services/... is a leading Business Intelligence company and provides Business Intelligence Services in United Kingdom and USA.
Washington Gomes
Antes de aprendermos a falar; misturávamos consoantes com vogais, sem saber a diferênça de ditongos e hiatos, muito menos de oxítonas, paroxítonas e pro......; agora falamos até oque não se deve. Então aprender COBOL (uma linguagem diferente "linguagem de máquinas" ), não dever ser tão difícil assim é querer e fazer. BLÁ!
Eduardo Lima
kra me diz qual eh a empresa to procurando vaga em Natural. vlw.
Eduardo Lima
kra me diz qual eh empresa to procurando vaga em Natural. vlw.
COBOLware
Noto as exigências dos empregadores para contratar programadores COBOL precisariam ser revistas, eles exigem experiência com mainframes, inglês fluente e curso superior. Isso elimina muita gente que poderia dar conta do recado. 1) Curso superior não é necessariamente útil no trabalho de programação, a gente aprende muito mais fazendo do que viu na faculdade. 2) Como a linguagem também está disponível para micro computadores as empresas deveriam dar mais chances a quem tem experiência com COBOL para Windows, DOS e Linux, e ajudar o recém contratado a adaptar-se aos mainframes com cursos específico, assim os estudantes poderiam aprender COBOL baixando compiladores da internet e treinando em casa, acesso a mainframes é muito difícil para os iniciantes. 3) Inglês fluente realmente ajuda bastante pois grandes empresas tem atuação global e as equipes trabalham em conjunto muitas reuniões são em inglês, mas acho que o cargo de programador deveria ficar isolado dessas reuniões, um gerente, supervisor, analista de sistemas, sei lá, alguém com cargo de chefia ou parte dos programadores das equipes é que deveria participar das reuniões e inteirar os programadores os resultados das decisões tomadas e dos procedimentos a serem seguidos. Acho que somente com essas mudanças seria possível cobrir o déficit de 100 mil programadores algum dia.
COBOLware
Vale a pena aprender COBOL? Meus caros jovens, acredito que essa dúvida se baseia no que se ouve tanto falar que a linguagem COBOL é ultrapassada, um verdadeiro dinossauro, criado em 1958 e que seu uso está em decadência. Bem, quando eu tinha 19 anos, também acreditava nisso, mas com o tempo percebi que existem fortes razões para se conhecer COBOL, e que ele deve durar por muito e muito tempo ainda. O que na verdade ocorre é que o trabalho de programação é apaixonante e os programadores se apaixonam então pela linguagem que usam e as defendem com unhas e dentes, e quando se fala das vantagens de outras linguagens, contra atacam falando mal de coisas que não conhecem ou não estão envolvidos com o problema para as quais foram criadas linguagens adequadas às soluções específicas. O que você precisa analisar, em minha opinião, é que tipo de programador você quer ser, pois existem linguagens demais e não dá tempo de ir fundo em todas elas, e se você quiser ser um bom programador tem que ralar, ir fundo mesmo, conversando com muitos programadores você vai ouvir diferentes opiniões “A linguagem X melhor”, mas o fato é que difícil alguma coisa ser absolutamente melhor que a outra, o adjetivo “melhor” precisa ser associado a uma determinada situação, “é melhor andar de moto do que de carro porque é mais fácil estacionar, escapa de engarrafamentos e gasta menos combustível”, mas também é verdade que “andar de carro é melhor do que de moto porque eu posso carregar muita bagagem, levando mais quatro pessoas e não pegamos chuva”. A idade de uma linguagem ou de uma tecnologia não é tão importante como pode parecer, para ilustrar me deixa fazer uma analogia com meios de transportes: Vamos pegar uma linguagem relativamente nova como Java e façamos de conta que ela é uma motocicleta, e a linguagem COBOL “jurássica” é um navio, bom navios existem desde os tempos das caravelas e são usados até hoje por que em certas necessidades são insubstituíveis. Os navios de hoje em dia são muito evoluídos em comparação com os da época em que foram inventados e isso não é diferente do que acontece com COBOL, o nome é o mesmo mas os compiladores COBOL disponíveis atualmente são muito mais sofisticados em relação ao que muitos possam ter tido contato, eles falam que COBOL é isso ou não faz aquilo pensando que COBOL ainda é o que viram. Vamos supor que você esteja entre o dilema de ser um motoqueiro ou um comandante de navio, bem é muito mais fácil conseguir trabalho de motoqueiro, estacionar uma moto por exemplo é muito mais fácil do que atracar um navio, é um outro mundo, os valores envolvidos no uso de um navio estão em outros patamares, apenas para pintar um navio pode se gastar um milhão de reais valor que daria para comprar umas duzentas motocicletas. Para ser comandante de um navio você vai ter que estudar muito mais do que para ser um motoboy, quando se fala de COBOL pode estar se falando de um transatlântico ou de um barquinho a remo, trabalhar com linguagens como Java, Delphi, VB, C++. C#, e enfim linguagem da moda dificilmente se chaga a uma posição além de piloto de lancha. Obviamente um comandante de transatlântico ganha muito mais que um motoqueiro, isso ocorre em função da responsabilidade maior que ele assume, voltando para linguagens o que eu gostaria de frisar é quando o uso da linguagem é recomendado. A linguagem COBOL foi criada para lidar com grande volume de informações e com os chamados sistemas de missão critica em mainframes, uma falha no funcionamento de um sistema desses pode causar enormes prejuízos, portanto tanto os softwares quando os hardwares são bem diferentes do que se encontra em microcomputadores, em um mainframe, centenas ou até mesmo milhares de usuários estão ligados a um mesmo computador, eles não podem travar ou reiniciar como acontece frequentemente com micros ou pegarem vírus do contrário a empresa perde muito dinheiro, então ela para melhor pelo trabalho dos melhores programadores para desenvolver programas e principalmente para tratar da manutenção dos programas que já estão em funcionamento. Quando se escreve um programa em C por exemplo, o objetivo é programar o computador, mas quando se escreve um programa em COBOL está se documentando um procedimento administrativo coorporativo, um programa COBOL além de ter que funcionar por muitos anos, é um documento que precisa ser entendido não só pela própria pessoa que o produziu mas por outros programadores e com urgência caso precise ser modificado por questões de legislação ou mudanças nas exigências administrativas da empresa , o uso da nova versão necessita de precisão acurada, o menor engano e a empresa perde valores superiores a anos do que seria o salário de um programador. Então as empresas pagam bem para profissionais qualificados e que possam assumir tais responsabilidades, ao passo que linguagens da moda costumam estar saturadas de profissionais nem sempre realmente tão qualificados, pois produzem muito código descartável e tendem a ter mão-de-obra muito barata. COBOL pode estar em uso tanto em pequenas como em grandes organizações elas tem tantas linhas de código escritas em COBOL que precisam ser mantida que não interessa se alguma outra linguagem venha a ser melhor ou se faz isso ou aquilo que COBOL não faz elas não podem nem pensar em deixar de usar COBOL embora também possam usar muitas outras linguagens associadas a ela, então você encontrar profissionais usando COBOL em microcomputadores não ganhando tão bem assim, Saber COBOL por si só pode não garantir que venhas a ganhar um bom salário, mas associado a um bom curso superior e inglês fluente pode ao menos dar alguma chance, procure o segmento de mainframes que carece de profissionais, as empresas ficam “roubando” programadores umas das outras, se você usar COBOL em microinformática encare isso apenas como treinamento, porque são as grandes empesas que pagam bem e elas usam mainframes onde não se usa essas linguagens de PC.
Cícero
Quem programa em COBOL tem as mesmas dificuldades que qualquer outro programador de inúmeras outras linguagens. Mas, se estiver usando a linguagem certa para cada aplicação, então, com certeza, não sofrerás com o trabalho. Contudo, mesmo utilizando a linguagem correta e aplicando-a adequadamente às necessidades, se não tiver conhecimento do que faz, do negócio em questão e lógica, meu amigo, pode ter certeza! você vai sofrer. Sou desenvolvedor COBOL a muitos anos e também desenvolvo em outras linguagens como C#, HTML5, DELPHI e ASP.NET. Uso COBOL para aplicações críticas, que não podem parar e exigem um nível de confiança altíssimo na segurança dos dados (tenho sistema em Cobol rodando a 11 anos, sem parar, sem perder uma vírgula de informações) e vários outros pequenos sistemas nas outras linguagens citadas. Cada um com sua responsabilidade. Programar em COBOL é como pilotar um jumbo 747, sob meu ponto de vista. Se quero fazer acrobacias, com certeza, não faria isso com um jumbo 747. E pra finalizar... conheça cada uma das linguagens, com vantagens e desvantagens. Abraços!!!
Lucas
Gostaria de saber GANHAR BEM no modo IBM é quanto? pois todos que conheço na IBM de nivel tecnico a analista/administrador/programador etc ganham pouco pela exploraçao ter que trabalhar até altas horas da noite e fim de semanas, sem retorno a isso, ta certo um ou outro ali ganham muito bem, chefes, que apenas fazem a funçao de mandar, agora programador mesmo? gostaria de ver o valor que cai na conta corrente desse cara. Falam de estudante, se o cara tive 10-15 anos de experiencia em COBOL por exemplo ai acredito que ele vá entrar bem na IBM, mais iniciar carreira na IBM sendo programador sem/pouca experiencia ganhando bem? na IBM Brasil? acho dificil.
@xrenan
A situação é realmente esta... As empresas afirmam "faltam profissionais qualificados", mas nenhum profissional com a qualificação que elas requerem aceita trabalhar pela mixórdia que elas pagam... quem é que quer ficar "se qualificando" a vida toda, para ganhar pouco?! Daí as inúmeras startups...
@btolinux
Não seria o caso da IBM incentivar o COBOL pois tem medo de seus mainframes serem substituídos por tecnologias mais novas??? Acho que todas as linguagens são importantes e quantas mais souber mais chances no mercado de trabalho você vai ter. Também acho que código limpo quem faz é programador e não linguagem. Quer ganhar dinheiro com programação? Seja muito bom em desenvolver códigos e não em linguagens, você será requisitado... até mesmo para trabalhar com Visual Basic...
gokernel
Como não tinha nenhuma noção do que seria algum codigo em COBOL, então procurei na net e encontrei este simples "Hello World": groups.engin.umd.umich.edu/CIS/course.des/cis400/cobol/hworld.html Para quem é mazoquista este é uma boa oportunidade ( utilizar COBOL ) , ;)
@fguerios
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