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"Estudantes, dediquem-se mais ao COBOL" — palavras de um gerente da IBM

Pedro Britto diz que os mainframes são realidade em grandes empresas.

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7 anos atrás

De Orlando, Flórida* — Trabalhar numa grande empresa aparece nos objetivos de muitos leitores do Tecnoblog que se dedicam à computação. Pedro Britto, gerente de vendas da IBM Brasil, conversou comigo sobre o assunto e logo de cara dá um conselho para essa turma: aprendam a programar em COBOL. Britto faz o apelo porque, do ponto de vista da companhia, a linguagem de programação continua como um dos conhecimentos mais buscados nos profissionais ingressando no mercado.

“Parte significativa do desenvolvimento de TI em grandes empresas ainda é feita para mainframe e em COBOL. O estudante multitarefa não está disposto a trocar a sua realidade por uma tela verde.” De acordo com Britto, antes existia propriamente uma barreira de linguagem — é difícil aprender COBOL; essa reclamação é constante. “Existe um preconceito no mercado”, diz.

COBOL: vai encarar?

O executivo ressalta que ao longo dos anos companhias como a IBM produziram soluções para facilitar essa aproximação com a linguagem. Por exemplo, o ambiente Eclipse facilita o desenvolvimento tanto para o temido COBOL como para Java.

Numa visita recente a Ribeirão Preto (SP) fiquei sabendo que por lá a busca por profissionais que sabem Java é inferior ao que se verifica em São Paulo. Segundo Britto, isso se deve à atuação de algumas empresas que criam verdadeiros polos regionais de tecnologia para atenderem sua demanda. Ainda de acordo com o executivo, os estudantes também devem estar atentos a essas tendências no momento em que decidem por uma ou outra especialização.

Britto afirma que o TI vai mudar o mundo e dá evidências claras disso. Exemplifica com os carros inteligentes: esse tipo de veículo nos modelos topo de linha tem até 100 milhões de linhas de código e mais de cem processadores. No entanto, a maior parte do software embarcado nesses veículos vem de fora. “Quando o governo fala em investimento no setor automotivo, eu visualizo o software sendo feito por brasileiros especificamente para nossas necessidades.”

O mesmo vale para as cidades inteligentes. Não por acaso, a IBM recentemente trabalhou em conjunto com a prefeitura do Rio de Janeiro na construção do Centro de Operações Rio, um espaço ao qual o prefeito recorre para situações de crises. De lá pode monitorar informações sobre tempo, trânsito, fornecimento dos serviços básicos e ainda se comunicar com centros de pesquisa. “Não existe nenhuma outra empresa no mercado capaz de articular e de resolver a complexidade envolvida no projeto do Centro de Operações Rio.”

A IBM conta com um programa para universitários chamado de Academic Iniciative. Por meio dele o gigante de software e infraestrutura leva as tecnologias para as escolas. De conhecimento das soluções da empresa, esses estudantes têm mais chances de serem contratados tanto pela IBM — e entrar no time de 25 mil desenvolvedores espalhados pelo mundo — como por empresas clientes da IBM que adotam as soluções da companhia.

Britto confia na capacidade do Brasil de empregar mais profissionais na área. Ele comenta um estatística da qual tomou conhecimento recentemente: “Se formássemos 100 mil profissionais bem capacitados, todos estariam empregados hoje em dia”. Se for em COBOL, pelo que diz, ainda ganhariam muito bem.

A propósito, não é de hoje que a IBM bate na teclado do aprendizado de COBOL. Esta notícia publicada pelo Ztop atesta que, em 2009, a companhia agitava um curso específico sobre a linguagem.

*O editor viajou para a conferência IBM Innovate nos EUA a convite da IBM Brasil.

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