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Robô doméstico: você ainda vai ter um

A indústria parece finalmente ter encontrado o caminho para o sucesso dessas máquinas. Você está pronto para dar “bom dia” ao seu robô?

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4 anos atrás

Filmes de ficção vislumbram um futuro em que robôs humanoides ocuparão espaço na sociedade, primeiro como serviçais dos humanos, depois como “seres” com algum nível de independência. Isso pode acontecer mesmo, mas em futuro muito distante. Bem antes disso, talvez vejamos uma invasão de robôs sociais e caseiros, máquinas criadas especialmente para nos fazer companhia e realizar pequenas tarefas domésticas.

A proposta vem ganhando força nos últimos meses, em parte, pelas oportunidades trazidas pelas plataformas de crowdfunding. Mas a indústria vem tentando desenvolver a ideia há vários anos.

Os pioneiros

Nas minhas lembranças, uma das primeiras empresas a chamarem atenção para o segmento foi a norte-americana iRobot. Hoje conhecida por produtos como o aspirador de pó inteligente Roomba e o limpador robótico de piscinas Mirra, a companhia ganhou o noticiário tecnológico em 2003 por anunciar os robôs iRobot LE e iRobot Co-Worker.

iRobot LE (esquerda) e Co-Worker

iRobot LE (esquerda) e Co-Worker

O primeiro era especialmente interessante para uso doméstico. Graças ao seu conjunto de rodas flexíveis, o robô era capaz até de subir escadas. A sua principal habilidade era o monitoramento da casa. O dono podia acioná-lo remotamente por meio da internet para ativar a câmera presente no que podemos considerar a cabeça do robô.

Também dava para usá-lo como babá: era possível acoplar um leitor de CD ao iRobot LE e deixá-lo tocando músicas de ninar para o bebê enquanto a mãe monitorava a criança de longe.

Mas a iRobot nem de longe dominou o assunto. Naquela época, o mercado já contava com vários projetos de robôs com propósitos sociais. Essas máquinas começaram a ganhar popularidade graças — adivinhe — aos japoneses.

O fenômeno Asimo

A primeira versão do Asimo

A primeira versão do Asimo

Em outubro de 2000, a Honda apresentou o emblemático Asimo, um robô bípede que, ao menos naquela época, era a máquina com aspecto humanoide mais avançada do mundo. Pudera: o projeto foi inspirado em robôs bípedes que a Honda vinha desenvolvendo desde os anos 1980, começando pelo E0, de 1986.

Honda E0, o robô que só tinha pernas e era capaz de dar um passo a cada 5 segundos

Honda E0, o robô que só tinha pernas e era capaz de dar um passo a cada 5 segundos

Conceitualmente, o Asimo é um projeto à frente do seu tempo. O robô foi idealizado para realizar várias tarefas domésticas: transportar objetos, ligar a TV, apertar o interruptor de luz, abrir ou fechar portas, remover obstáculos (um brinquedo na escada, por exemplo) e por aí vai.

Isso o coloca no contexto de robô serviçal. Mas, acima de tudo, o Asimo foi criado para ser um companheiro, especialmente para crianças e idosos. Daí a sua aparência amigável. Nesse aspecto, a semelhança com um astronauta é uma excelente sacada, ainda que, provavelmente, não intencional. Se o Asimo tivesse feições humanas detalhadas causaria estranheza, talvez medo, tal como aquelas bonecas que chocam pelo grau de realismo.

A versão mais recente do Asimo

A versão mais recente do Asimo

Na parte técnica, ainda há muito trabalho a ser feito, embora o Asimo tenha evoluído consideravelmente nos últimos anos. Na última revisão do projeto, apresentada no ano passado, o robô mostrou-se capaz de reconhecer rostos na multidão, caminhar a 9 km/h e realizar movimentos com as mãos que o permitem, por exemplo, abrir garrafas e girar uma chave na porta.

O Asimo já consegue fazer isto:

Mas para chegar aqui ele teve que pagar alguns micos:

É possível que o Asimo — ou um sucessor, vai saber — ganhe apelo comercial dentro de alguns anos, mas a Honda nunca escondeu que o robô é, fundamentalmente, um projeto de pesquisa para novas tecnologias. Mas há outras iniciativas mais realistas, digamos assim, voltadas principalmente para o entretenimento.

O simpático Qrio

Sony Qrio

Sony Qrio

Um dos pioneiros no segmento de entretenimento foi o Qrio. Revelado pela Sony em 2003, o robô também tinha aspecto humanoide, mas era pequeno: 0,6 m, metade da altura da primeira versão do Asimo (nas últimas versões, o robô da Honda passou a medir 1,3 m).

O Qrio apareceu com um conjunto bem interessante de recursos. Acelerômetros, câmeras, microfones, sintetizador de voz, entre outros. Tudo isso e mais um pouco para permitir que ele caminhasse, falasse, dançasse, pegasse objetos e assim por diante.

Embora o tamanho diminuto (novamente, em comparação com o Asimo) e o visual simpático dessem ao Qrio um ar de brinquedo avançado, o robô foi projetado para se integrar ao ambiente doméstico de modo inteligente, tanto quanto possível.

Graças aos microfones — havia sete no robô — o Qrio podia, por exemplo, reconhecer a voz de alguém chamando em outro cômodo, identificar a direção e ir até a pessoa. Sua capacidade de mapear caminhos e desviar de obstáculos fazia com que ele não demorasse a chegar, mesmo que houvesse escadas ou subidas.

Um sistema de controle de movimentos bastante avançado utilizava os diversos sensores para calcular a ação que cada um dos membros deveria fazer para que o robô caminhasse e, obviamente, mantivesse o equilíbrio. Se mesmo assim o Qrio caísse, essa tecnologia toda ajudava o robô a estimar quais os movimentos certos para que ele conseguisse se levantar.

Assim como o cão-robô Aibo, o Qrio foi descontinuado

Assim como o cão-robô Aibo, o Qrio foi descontinuado

Mas, no conjunto da obra, o que mais importava era a capacidade de interação. Nesse ponto o Qrio não decepcionava: o robozinho reconhecia comandos falados, dava respostas curtas, fazia movimentos para simular emoções, entre várias outras atividades.

Infelizmente, a Sony não foi tão persistente quanto a Honda. Em 2006, depois de criar vários protótipos, a companhia decidiu descontinuar o Qrio. Quase que simultaneamente, a Sony “matou” outros projetos robóticos, como o Aibo, um cachorrinho que foi lançado em 1999 e teve mais de 150 mil unidades vendidas.

Os motivos nunca ficaram claros, mas naquela época a Sony enfrentava uma daquelas fases em que uma empresa precisa enxugar as operações para priorizar aquilo que, comprovadamente, gera receita.

Uma coisa podemos dar como certa: se virasse produto comercial, o Qrio não seria barato. Somando esse fator com a desconfiança que tecnologias disruptivas trazem, percebemos que a Sony pode mesmo ter tomado a decisão correta. Talvez o Qrio tenha sido outro projeto que surgiu à frente do seu tempo.

Opções de baixo custo

NEC Papero

NEC Papero

ZMP Nuvo

ZMP Nuvo

Honda e Sony não foram as únicas companhias japonesas a se aventurarem no ramo de robôs domésticos. A NEC, por exemplo, anunciou em 2001 o Papero, um robozinho que lembra vagamente — bem vagamente — um R2-D2. Para baratear o projeto, a companhia baseou o robô na arquitetura de um PC: acredite, o Papero original contava com um processador Celeron de 300 MHz e rodava Windows 98.

Outro exemplo da mesma época: a desconhecida, mas também japonesa ZMP anunciou o Nuvo, um robô humanoide de projeto simples, com aparência desengonçada, só que igualmente capaz de realizar atividades interativas.

Com exceção para o Papero, que continua ganhando releituras (ou continuava: a última versão foi revelada em 2013), a maioria desses projetos tiveram um destino semelhante ao do Qrio: foram engavetados. Podemos então concluir que esse é um segmento natimorto, fadado ao fracasso? Nada disso. No meio de tantas investidas da indústria, uma aparenta estar dando certo: o Pepper, um robô criado pela Aldebaran Robotics (uma companhia de origem francesa) em parceria com a operadora móvel japonesa (tinha que ser) SoftBank.

Pepper, o robô que sabe quando você está triste ou feliz

Medindo 1,2 m e pesando quase 30 kg, o Pepper é um robô humanoide que vem sendo comercializado desde 2014. Ou quase humanoide: nele, as pernas deram lugar a um conjunto de rodas. Mas braços com mãos estão ali, além do rosto com feições bem amigáveis — ele parece estar sempre feliz. Esse é um detalhe mais importante do que parece.

Tecnicamente, o Pepper não é muito diferente do Asimo ou mesmo do Qrio. O que o torna distinto é a forma como a tecnologia é usada nele: a SoftBank promove o Pepper como um robô capaz de reconhecer emoções e agir de acordo com elas. Tudo indica que o segredo para a aceitação de robôs domésticos está aí.

Pepper

Pepper

Para identificar emoções e interagir de modo correspondente, o Pepper recebeu tecnologia de reconhecimento de voz, além câmeras e sensores que o ajudam a fazer leitura corporal. Os dados obtidos são analisados em tempo real por um sistema baseado em redes neurais artificiais.

A partir daí o Pepper pode conversar, dançar, sugerir exercícios de relaxamento, ficar feliz quando elogiado, dar boas-vindas quando você chega em casa, rir com você de uma piada, entre várias outras ações. A capacidade de interação é ampliada com uma tela posicionada no tórax do robô.

Você pode instruir o Pepper para realizar pequenas tarefas, como pedir para ele te acordar amanhã bem cedo ou informar a previsão do tempo. O robô fica permanentemente conectado à internet via rede móvel, por isso, tem sempre acesso a dados atuais. Há ainda uma loja de aplicativos que, no atual estágio, traz mais de 200 funções ao robô.

No Japão, o Pepper custa o equivalente a US$ 1.600 mais US$ 200 por mês que são cobrados pelo acesso à internet e o seguro contra danos, segundo a SoftBank. Também é possível alugá-lo pelo equivalente a US$ 450 mensais.

Não é barato. Mesmo assim, todos os lotes do Pepper colocados à venda no Japão esgotam rapidamente. Não é por acaso que a SoftBank planeja comercializá-lo em outros países a partir de 2016.

Não precisa ser (muito) caro

Jibo

Jibo

Há opções mais em conta. O difícil é distingui-las de brinquedos sofisticados, mas esforços não faltam. O Jibo é um exemplo bem interessante. O robozinho arrecadou mais de US$ 3,7 milhões em uma campanha no Indiegogo. O seu preço oficial é de US$ 749 (mas ele foi vendido por menos na campanha).

O que atrai tanta gente? Bom, o Jibo não é capaz de andar por aí, mas pode contar histórias para crianças, executar ordens para tirar fotos, realizar videoconferências (ele olha para a pessoa que estiver falando e a filma), ler mensagens assim que você chegar em casa, te lembrar de compromissos, exibir o passo a passo de uma receita enquanto você cozinha, enfim, atuar como um companheiro doméstico, de fato.

Outro robô de baixo custo é o Buddy. Seu preço oficial é de US$ 499, mas, na fase inicial de vendas, foi possível adquirí-lo por menos em outra campanha no Indiegogo. Na plataforma, o projeto arrecadou pouco mais de US$ 600 mil.

O Buddy também tem a proposta de ser um assistente de casa: ele acende as luzes, atende o telefone, dá lembretes, lê emails, atua como despertador e por aí vai. Assim como o Jibo, o Bubby tem uma tela na cabeça para exibir diversos tipos de informação e, claro, uma cara. A diferença é que o rosto que aparece ali imita olhos e boca, logo, é capaz de expressar várias emoções — vê como essa é uma característica importante?

Buddy

Buddy

A oferta de robôs domésticos ainda é escassa. Você pode tentar obter algo como o Jibo ou Buddy nas campanhas de crowdfunding, mas não conseguirá encontrá-los facilmente em lojas — ainda não. O problema não está só nas limitações tecnológicas ou logísticas, mas principalmente na aceitação no mercado: “para que eu vou querer um robô em casa?” Esse é o tipo de pergunta que permeia a cabeça de muita gente.

Qual a necessidade disso?

Há um outro tanto de pessoas pensando diferente. Uma delas é a engenheira do MIT Cynthia Breazeal. Ela começou a se interessar por robótica quando criança assistindo a Star Wars. Em 1997, quando estudava inteligência artificial no MIT, a NASA divulgou a notícia de que um robô havia pousado em Marte. Breazeal achou irônico o fato de uma máquina como essa ter chegado tão longe, mas não estar presente nas nossas casas.

Hoje ela comanda vários projetos de robôs com propósito social. Só para constar, Breazeal é uma das idealizadoras do Jibo. Não termina aí: a sua experiência no assunto a fez ser convidada para conduzir esta interessantíssima apresentação no TED:

Robôs não ganharão em importância da sua geladeira ou da sua máquina de lavar roupas, mas eles podem sim ter relevância para o seu dia a dia por um simples motivo: essas máquinas estimulam a interação, inclusive com outras pessoas.

No TED, Breazeal explica, por exemplo, que seus filhos não gostavam de usar o telefone ou o Skype para se comunicarem com os avós que moram longe. Mas essa postura mudou quando a conversa passou a ser intermediada por um robô. As crianças estão mais preocupadas em brincar e a máquina, colocando em prática a máxima de “unir o útil ao agradável”, conseguiu se encaixar bem no contexto de diversão.

 Cynthia Breazeal ao lado do Kismet, o primeiro robô social criado por ela

Cynthia Breazeal ao lado do Kismet, o primeiro robô social criado por ela

Essa coisa toda funciona com adultos também. Breazeal cita um experimento feito com um robô chamado Autom. A função dele é dar orientações para pessoas que participam de um programa de redução de peso. Mas essas instruções também foram dadas por um software rodando em um PC. No final dos testes, os participantes foram questionados sobre qual meio se saiu melhor. O Autom ganhou.

A parte mais curiosa é que as instruções fornecidas pelo robô foram exatamente as mesmas dadas pelo PC. Acontece que os participantes interagiram mais com o Autom. O envolvimento foi tão grande que muitas pessoas deram nomes para o robô, colocaram roupas nele. Elas até deram tchau para o Autom quando os pesquisadores foram buscá-lo — você dá tchau para o seu computador?

A chave do sucesso: valores emocionais

Pepper - janela

Existe um paradoxo aqui. A indústria sabe que robôs de aspecto e comportamento amigáveis são essenciais para o sucesso desse mercado. Por outro lado, o desenvolvimento de laços emocionais é um dos fatores que mais fortalecem a resistência a essas máquinas.

O Pepper é, provavelmente, o exemplo mais evidente. As vendas do robô vão bem no Japão, mas, embora tenha confirmado mais de uma vez os planos de comercializá-lo em outros países, a SoftBank esbarra em uma séria limitação: para muita gente, especialmente no ocidente, a ideia de um robô tentando te alegrar quando você estiver triste é simplesmente repugnante.

Há várias razões para isso, mas, de modo geral, parece haver um temor de que os robôs venham a substituir os humanos nas relações afetivas. Só que não é bem assim. Não digo que nunca estaremos sujeitos ao cenário consternador retratado no filme Her em que um homem desenvolve um relacionamento amoroso com uma inteligência computacional. Porém, se incorporados à rotina com bom senso, os robôs sociais podem até enriquecer as relações humanas.

Pleo

Pleo

Nós somos programados para termos empatia pelo o que é vivo — ou aparenta ser — e não nos ameaça. Em 2013, pesquisadores da Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha, analisaram a reação de voluntários assistindo a um vídeo de um dinossauro Pleo sendo “torturado”. Todos ficaram bastante incomodados com a cena, mesmo sabendo que o Pleo não passa de um brinquedo robotizado.

É por isso que robôs sociais podem ser uma boa companhia. Eles não são vivos “de verdade” e todo mundo sabe disso, mas mesmo assim a interação que eles proporcionam pode alimentar em nós comportamentos saudáveis, sentimentos positivos, atitudes benéficas.

Não é surpresa, portanto, que a indústria veja com bons olhos o segmento de robôs domésticos. Segundo um levantamento da BI Intelligence, esse nicho crescerá 17% até 2019 e, nesse mesmo ano, terá movimentado US$ 1,5 bilhão. Pode parecer pouco se considerarmos a amplitude do mercado de tecnologia, mas esse é um ritmo de crescimento mais acelerado que o do setor de robótica industrial.

Assim, de início, ninguém espera que toda casa venha a ter um robô. Mas, de fato, há uma clientela em potencial aí: gente mais aberta à tecnologia, indivíduos com restrição de movimentos que precisam de um assistente e pais interessados em oferecer experiências diferentes aos filhos, por exemplo.

Pessoas que moram sozinhas também são um público em potencial. Muita gente nessa condição cria animais só para ter companhia ou simplesmente deixa a TV ligada para quebrar o silêncio do ambiente. Nesse último caso, um robô pode ser uma alternativa mais interessante. Veja que a ideia não é substituir a convivência com uma pessoa de verdade, mas ter uma opção nos momentos em que não houver companhia.

Pode haver exageros? Com certeza. Só como exemplo, a SoftBank chamou atenção recentemente por alterar os termos de uso do Pepper para ressaltar que os usuários são proibidos de fazer sexo com o robô (!!!). Para mim, isso aí soa como uma estranha jogada de marketing, mas vai saber se não houve mesmo uma razão factível para a empresa tomar essa decisão.

NAO, outro robô social da Aldebaran, só que mais acessível

NAO, outro robô social da Aldebaran, só que mais acessível

De qualquer forma, especialistas no assunto, como a própria Cynthia Breazeal, defendem o desenvolvimento dessas máquinas com base em parâmetros éticos para que elas sempre ocupem papéis de coadjuvante no nosso cotidiano. É um processo longo: como toda questão que envolve ética e moral, a definição desses parâmetros depende de numerosos estudos e debates aprofundados.

Podemos chegar a um improvável — mas possível — cenário em que o uso de robôs sociais ultrapassa níveis que consideremos saudáveis. É uma situação preocupante, mas potencialmente reveladora: a partir daí, no refúgio buscado nas máquinas, talvez possamos finalmente nos dar conta que jornadas intermináveis de trabalho, falta de altruísmo, baixa autoestima e tantos outros fatores é que verdadeiramente afastam as pessoas das pessoas.

Os robôs não serão a solução para os nossos males — nem devem. Mas eles assimilam as características humanas como nenhuma outra tecnologia e, por conta disso, podem fazer com que vejamos nossas próprias ações de um ângulo diferente e amplo. Vale a pena dar uma chance a eles.