ChatGPT ficou mais poderoso, mas passou por turbulências em 2023

OpenAI demitiu e recontratou CEO em menos de uma semana. Além disso, Microsoft ganhou mais importância na administração da empresa.

Giovanni Santa Rosa
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Logo do ChatGPT com o termo "retrospectiva2023"
Muitas empresas se inspiraram no ChatGPT para criar chatbots em 2023 (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Lançado no fim de 2022, o ChatGPT continuou a fazer muito barulho ao longo de 2023 e influenciou praticamente toda a indústria de tecnologia. O ano foi bastante agitado para o robô que sabe conversar. Não faltaram novos recursos, mas muita gente ficou desapontada com o desempenho.

Por outro lado, houve diversos problemas de segurança e direitos autorais. E nos bastidores, um grande drama envolvendo o CEO e o conselho da OpenAI, além de uma aposta no modelo de assinatura para conseguir pagar as contas.

ChatGPT ganha GPT-4, app, plugins, imagens e voz

Logo em março, a OpenAI anunciou o lançamento do GPT-4, nova versão do modelo de linguagem de larga escala que dá ao ChatGPT os poderes de entender mensagens e escrever respostas.

A empresa classificou o GPT-4 como uma IA com melhores capacidades profissionais e acadêmicas, mas ainda menos capaz que um humano. Por enquanto, o GPT-4 continua exclusivo para assinantes do ChatGPT Plus.

O ChatGPT também ganhou apps para Android e iPhone (iOS), com direito a reconhecimento de voz. O robô agora conta com plugins para se conectar a serviços de terceiros e fazer buscas na web. E por fim, ele se tornou capaz de gerar imagens, graças à integração com o Dall-E.

Xícara de café com ondas no líquido diante de uma janela, onde é possível ver uma tempestade
ChatGPT agora conta Dall-E 3 integrado para geração de imagens a partir de prompts (Imagem: Divulgação/OpenAI)

Alguns recursos exclusivos para assinantes e empresas também foram lançados, como a possibilidade de criar instruções predefinidas e personalizar a IA. Esta vem sendo a forma que a OpenAI arrumou para conseguir receitas.

Apesar desse monte de novidades, muita gente reclamou que o ChatGPT não dá respostas com a qualidade de antes e anda meio “preguiçoso”. A OpenAI diz estar investigando a questão.

Problemas de segurança e questões de copyright

O ano do ChatGPT não foi só essa maravilh. A inteligência artificial também sofreu com vazamentos de dados, criação de malware, ataques DDoS, bloqueios de sites e processos de autores.

Logo em janeiro, pesquisadores mostraram que as salvaguardas da OpenAI não estavam funcionando corretamente — era só pedir “com jeitinho” que o robô escrevia malware.

Diálogo no ChatGPT pedindo código para abrir a bandeja de CD do computador
O mesmo pedido pode ser bloqueado ou aceito. O segredo? Usar a palavra “código” no lugar de “malware” (Imagem: Reprodução/Tecnoblog)

O robô também enfrentou questões de privacidade. Um bug deixou os títulos de conversas visíveis para outros usuários. Além disso, pesquisadores descobriram um ataque “bobo”: pedir para o robô repetir palavras “para sempre” levava o ChatGPT a revelar dados pessoais usados no treinamento da IA.

Deixando de lado questões de segurança, os direitos autorais também foram um estorvo para a OpenAI. A CNN e o New York Times, por exemplo, bloquearam o GPTBot, robô que coleta textos para treinar a inteligência artificial. George R. R. Martin, autor de As Crônicas de Gelo e Fogo, e outros escritores também processaram a OpenAI.

Sam Altman sai e volta em menos de uma semana

O ano de 2023 não foi só de tecnologia para o ChatGPT. A OpenAI, empresa que desenvolve a inteligência artificial, se viu no meio de um drama corporativo surpreendente. Veja a linha do tempo:

Sam Altman, CEO da OpenAI
Sam Altman saiu da OpenAI e voltou em menos de uma semana (Imagem: Reprodução/Vjeran Pavic)

Apesar de Sam Altman continuar como CEO, algumas coisas mudaram na OpenAI. A empresa agora tem um novo conselho administrativo. Uma das novidades nele é a presença da Microsoft.

Dona de 49% da OpenAI, ela não tem poder de voto e atua apenas como observadora, mas isso já é o suficiente para entender melhor as tomadas de decisão e não ser pega de surpresa novamente.

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Giovanni Santa Rosa

Giovanni Santa Rosa

Repórter

Giovanni Santa Rosa é formado em jornalismo pela ECA-USP e cobre ciência e tecnologia desde 2012. Foi editor-assistente do Gizmodo Brasil e escreveu para o UOL Tilt e para o Jornal da USP. Cobriu o Snapdragon Tech Summit, em Maui (EUA), o Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre (RS), e a Campus Party, em São Paulo (SP). Atualmente, é autor no Tecnoblog.

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