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Como o Facebook ajudou a evitar um suicídio em Santa Catarina

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15 semanas atrás
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Na madrugada desta quarta-feira (8), policiais conseguiram evitar um suicídio em Santa Catarina com a ajuda do Facebook. Um homem de 40 anos transmitia sua tentativa de tirar a própria vida, mas foi interrompido após um alerta da rede social.

Foto por Franco Bouly/Flickr

Segundo o governo de SC, o Facebook detectou que um usuário estava ao vivo ameaçando se enforcar nas próximas duas horas. A empresa enviou as informações à autoridade policial dos EUA, que repassou tudo à Diretoria de Informação e Inteligência (DINI) da Secretaria de Segurança Pública (SSP), em Florianópolis.

O Tecnoblog apurou que isso foi repassado ao policiamento local para realizar a intervenção; o nome da cidade, no Meio-Oeste de SC, não foi revelado para preservar a vítima.

Uma equipe de policiais foi até o endereço informado e impediu a tentativa de suicídio. Ele foi levado por bombeiros até o hospital, onde foi medicado e recebeu acompanhamento psicológico.

Em comunicado, um policial explica que o homem – que trabalhava como mecânico – teria realizado algumas postagens com conteúdo suicida, e pretendia tirar a própria vida porque tem depressão, está desempregado, e a esposa está grávida do quarto filho. Ele e a família estão recebendo acompanhamento da assistência social da prefeitura.

O Facebook Live já foi usado várias vezes para transmitir conteúdo polêmico, tal como tiroteios da polícia. E em janeiro, duas pessoas – um ator de 33 anos e uma adolescente de 14 anos – exibiram ao vivo a própria morte na plataforma.

Este mês, Mark Zuckerberg anunciou novas medidas para prevenção de suicídio no Facebook Live. Você pode entrar em contato diretamente com a pessoa, e também denunciar o vídeo para a rede social. O usuário, por sua vez, receberá a sugestão de conversar com um amigo, ver dicas e sugestões de como lidar com momentos difíceis, ou entrar em contato com uma instituição (como o CVV).

Além disso, nos EUA, o Facebook começou a testar uma abordagem que usa inteligência artificial para identificar usuários com tendências suicidas. A opção de reportar um post por ser “ameaçador, violento ou suicida” fica mais proeminente nesses casos.

Eles também analisam padrões para identificar posts que sugerem ameaças de suicídio, mesmo que ninguém tenha reportado nada ao Facebook ainda. A rede social diz ao TechCrunch que esses recursos talvez sejam aplicados futuramente no Facebook Live, mas ainda é cedo para saber.

  • Ricardo – Vaz Lobo

    A IA vai atuar como no Minority Report?

  • Anderson Santana

    Que eficiência desses órgãos publico. Rapidez para salvar uma vida.

    • Cesar Osvaldo Müller

      Santa Catarina é Show

  • Gustave Dupré

    Impressionante. Parabéns para todos os envolvidos.

  • D’ Carvalho

    Sou Eng civil, recebo 7mil e não tenho coragem de ter um filho pelos próximos 15 anos.
    O cara está desempregado e está indo pro quarto filho 😥

    • Jorge Luis

      Não tem coragem pela “falta” de dinheiro?

      • D’ Carvalho

        Sim!

  • Marcus Araújo

    “o homem – que trabalha como mecânico – […] está desempregado”

    Ficou um pouco confuso esse trecho, Felipe.

    Mas sobre a intervenção policial, bacana pela iniciativa do Facebook, finalmente um recurso que vale a pena. Mas depressão e suicídio é muito mais do que caso de polícia e, embora o Facebook não faça muito a respeito (nem digo que seja sua obrigação, já que ele sugere o apoio de uma entidade que cuide de casos do tipo), o rapaz deve ser encaminhado à ajuda psicológica de verdade. Ele já recebe apoio da prefeitura, mas se chegou a este ponto, talvez o tipo de apoio público dado não seja 100% eficaz. Daí cabe agora discutirmos a questão da saúde pública brasileira (que muito se fala na medicina, mas pouco se fala da psicologia).

    Enfim, gostei de ver que fizeram algo. Mas ainda não retiro o mérito do Facebook e seus algoritmos na piora clínica do quadro do rapaz (vamos discutir isso, Zuckerberg?).

    • Walter Caxito Lopes

      “Trabalhava”…

      • Marcus Araújo

        Ele já prontamente corrigiu.

  • McFake

    As pessoas transmitirem a própria morte é muito black mirror.
    Qual seria a motivação real?

    • Ricardo – Vaz Lobo

      Vou contar um fato que aconteceu com um conhecido próximo: gente boa pra caramba, casado, 2 filhos, chefiava as festas da rua, formação superior, tinha ótimo emprego, beleza.
      “Do nada”, uma manhã, um tiro dentro da casa do cara. Ele sofria de depressão profunda desde adolescência e só soubemos que a esposa escondia todo tipo de arma em potencial no dia do enterro, pois já tinha tentado várias vezes e nunca tínhamos tomado conhecimento. Comprou a arma escondido e num dia de surto depressivo, se escondeu debaixo da cama e encerrou seu sofrimento.
      Nem sei se “sofrimento” é a palavra certa. Alguns vão dizer que foi covardia, sei lá.

      • McFake

        Nossa velho, que triste.

      • Fábio

        Sim, pro suicida, morrer significa um alívio.
        Portanto, é um sofrimento muito pesado pro cara que sofre de depressão

      • Jefferson Rodrigues

        Não entendo o motivo das pessoas chamarem os suicidas de covardes. Eu os chamo de corajosos. Pois precisa de muita coragem para dar um tiro na própria cabeça.

        • Ricardo – Vaz Lobo

          Muitas vezes a gente fala “eu vou me matar” porque o time perdeu, foi demitido, levou um chifre, mas aí a calma aparece e a vontade passa. Eu sinceramente não consigo imaginar o nível de desespero de alguém que parte pra acabar com a vida.
          Depressão e suicídio são tão tabus que existe uma ampla discussão/polêmica/extremismo sobre gênero sexual (concordemos ou não com ela, é só um exemplo) e para os dois primeiros, a conversa passa bem longe.

  • thiagones80

    “A empresa enviou as informações à autoridade policial dos EUA, que
    repassou tudo à Diretoria de Informação e Inteligência (DINI) da
    Secretaria de Segurança Pública (SSP), em Florianópolis.”

    E isso foi repassado ao serviço policial local.

    Fator humano trabalhou de forma incrível. Se for analisar, muitos degraus (globais) não tão óbvios assim até chegar no potencial suicida.