A Fitbit comprou empresas importantes do segmento de wearables, como Pebble e Vector, para criar um smartwatch capaz de concorrer com o Apple Watch. Mas parece que a fabricante enfrenta alguns obstáculos no desenvolvimento do relógio: os engenheiros não estão conseguindo torná-lo à prova d’água, o design interno precisou ser revisto no meio do projeto e uma parte do software não estará pronta a tempo.

As informações surgiram no Yahoo Finance na terça-feira (11). Fontes contam ao veículo que, em um dos protótipos mais recentes do smartwatch, o GPS simplesmente não funcionava porque a antena estava no lugar errado. Por causa disso, os engenheiros “tiveram de voltar à prancheta para redesenhar o produto e fazer com que o GPS recebesse um sinal forte”.

Não é difícil acreditar nisso: eu acho curioso como, mesmo sendo uma empresa de wearables focada em fitness, apenas um produto da empresa tem GPS integrado, o Fitbit Surge, de US$ 249. Nem mesmo o Fitbit Blaze, que chega mais perto de ser um smartwatch de verdade, possui a antena: é necessário pareá-lo com seu smartphone para registrar o trajeto da sua corrida, por exemplo. E a gente sabe que calcular distância por meio do número de passos é algo bem longe de ser preciso.

Outra dificuldade está na carcaça do relógio, que precisa ser à prova d’água. Segundo a publicação, os engenheiros não estão conseguindo torná-lo resistente como o Apple Watch Series 2, o que poderia resultar em reviews negativos, que apontariam o novo produto da Fitbit como inferior — ainda mais considerando que o smartwatch vai chegar ao mercado um ano depois do produto da Apple.

O The Verge vai além, e diz que os problemas da Fitbit não se limitam ao hardware, mas também ao software. A empresa planeja criar uma loja de aplicativos, mas é “improvável” que ela esteja pronta a tempo do lançamento do relógio. A Fitbit, então, adotaria uma estratégia como a do primeiro iPhone, que chegou ao mercado sem nenhum aplicativo de terceiro, para futuramente liberar um kit de desenvolvimento.

O problema dessa estratégia é que o próprio CEO da Fitbit afirmou que um dos motivos para ter comprado a Pebble foi o ecossistema de aplicativos do falecido smartwatch — esse era uma característica importante do novo relógio, portanto. O Pebble tinha mais de 14 mil aplicativos e watchfaces de terceiros, desenvolvidos em cinco anos de existência da plataforma.

Se nada mais der errado, o novo smartwatch da Fitbit deve aparecer até o final do ano; anteriormente, a expectativa era lançá-lo até junho. Rumores indicam que ele terá suporte a pagamentos no pulso, tela colorida com brilho de 1.000 nits (comparável ao Apple Watch Series 2), GPS integrado, leitor de batimentos cardíacos, design de alumínio e bateria com duração de 4 dias.

Ainda assim, a Fitbit está correndo contra o tempo: a empresa já enfrentou problemas de produção na smartband Flex 2 e precisou demitir 110 funcionários devido às vendas fracas no fim de 2016. A Fitbit é a maior fabricante de wearables do mundo, com 19,2% de fatia de mercado, mas sua distância em relação às próximas colocadas (Xiaomi, Apple, Garmin e Samsung, nessa ordem) vem diminuindo a cada trimestre.

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Rafael Cabral
Higa, cadê a resenha do AMAZFIT PACE??? Vemos tanta coisa tosca sendo vendida por valores indecentes em função do fanatismo dos apoiadores de marcas e no apelo do capitalismo e, nesse mar de absurdos, QUASE tão justo e bom quanto foram os finados Pebble, surge essa parceria XIaomi/Amazfit e produz um smartwatch com bateria que dura por dias e não tem resenha dele???? Algo pessoal???? Tem uma lojinha ali, que você deve conhecer chamada G****B**** que vende ele e ainda parcela.
Ramon Gonzalez
concordo com tudo
Eric Viana
Eu não vejo real utilidade nesses smartwatches com preço de smartphone e carinha de traquitana... Mas posso te dizer que uso um Xiaomi Smartband 2 e acho bastante útil com um app adicional. Consigo receber pequenos alertas de texto, aviso de chamadas, fazer contagem de passos, acompanhar batimento cardiaco e o principal ver a hora e data por 10 dias dentro de um preço justo e com um design neutro.
Juliotenorio
A Pebble foi a primeira empresa que chamou minha atenção para smartwatch, pena que vim saber dela na notícia sobre sua venda.
Guaip
Deviam ter lançado um mais simples logo na largada, ainda usando a tecnologia do Pebble. Mas essas empresas quando crescem demais é porque tem gente graúda investindo, e eles ficam cobrando resultados. Adiar lançamento = gastar mais em P&D e ficar mais tempo sem ver retorno.
Guaip
Podiam ter começado com um Pebble melhorado, segurando os admiradores dele, fazer um caixa maior e até mesmo aprender com o uso dele para depois lançar um concorrente dos tops.
angourakis
Eu pensava exatamente assim, até ter comprado meu Pebble há dois anos e ter percebido que coisas como: - receber ligação e poder ver quem é sem pegar o celular no bolso (e poder ignorar =P); - mesma coisa do item anterior com as mensagens e outras notificações; - usar o smartwatch + smartlock para desbloquear o celular sem precisar ficar colocando o pin; - configurar um alarme mais silencioso (vibrar no pulso) sem acordar a casa inteira se tornaram mais práticas. Um Smartwatch não vai mudar a sua vida e algumas coisas da lista dão para fazer com uma Miband. Mas, quando eu deixei de usar o Pebble um tempo pois ele estava com uns probleminhas, eu senti falta (e a finada empresa me mandou outro relógio sem custo algum e sem pedir a devolução do primeiro).
Ramon Gonzalez
caramba mas que desastre! seria tao desastroso assim atrasar o lançamento pra corrigir os problemas?? mais desastroso do q jogar a marca na lama com um produto não acabado?
Bruno Santos
Menos é mais. Se fizessem um relógio simples mas que funciona, seria um sucesso. Pebble é a prova disso. O problema é que estão baseando o projeto todo no produto da Apple, sendo igual ou superior a ele. Acho difícil o usuário não-early adopter comprar a ideia.
Trovalds
Veio só pra não perder a ofensa ou não leu o post do Higa acima do meu? Cada juvenil...
Luiz Claudio Eudes Corrêa
Enquanto isso continuo de boa com minha MI Band 2 que após 6 meses ainda funciona de boa, só estou esperando chegarem as pulseiras novas pois a que veio já está mostrando deterioração ?
Gaba
Era melhor ter ido ver o filme do Pelé.
Luiz Claudio Eudes Corrêa
Era melhor ter aprimorado o Pebble do que matar pra fazer essa bosta
Bruno
não é pq vc não usa que ninguém usa camarada.
Gustavo
nossa que saudade da pebble e sua bela tela e-ink, sistema simples design bonito e preço justo...tudo que a fitbit nunca teve e pelo jeito nunca terá. Isso é uma das coisas mais tristes do mercado de tecnologia, algumas empresas que fazem produtos muito legais ficam pelo caminho. Já outras pelo poder do nome acabam lançando produtos nem tão legais assim e viram referencia de mercado como é a apple com seu relógio feio e sem graça....e olha que eu sou usuário de IOS e Mac... no mais, é torcer pra que alguém na fitbit olhe com mais carinho para a empresa que adquiriram e lance algo parecido ( ou igual, já que o steel 2 já estava em pré venda) com o que vinha sendo feito
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