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Moto G6 Plus: quase na medida certa

Moto G6 Plus é um intermediário com conjunto equilibrado de recursos, mas preço oficial pode frustrar expectativas

Por
20 semanas atrás
8.6

Prós

  • Desempenho geral convincente
  • Acabamento bem trabalhado
  • Tela ampla e agradável

Contras

  • O áudio externo é apenas ok
  • Esse 'Motorola' espremido na frente é bizarro
Moto G6 Plus

O Moto G6 Plus é o modelo mais avançado da sexta geração da linha de intermediários da Motorola. O modelo traz tela de 5,9 polegadas, processador Snapdragon 630, 4 GB de RAM, 64 GB de capacidade para armazenamento de dados e câmera dupla na traseira.

Todas são características bem-vindas, mas acabam contribuindo para dar um plus no preço: o smartphone foi anunciado em abril de 2018 por R$ 1.599, mas, logo em seguida, o valor oficial aumentou para R$ 1.699.

Já é possível encontrá-lo com descontos próximos a R$ 200 (até menos em promoções), mesmo assim, o preço continua significativo para muitos bolsos. Aí surge a pergunta: o Moto G6 Plus vale o valor pedido? Passei duas semanas com o aparelho. Nas próximas linhas, conto as minhas impressões sobre ele.

Em vídeo

Design

Apesar de o Moto G6 Plus ser grandalhão, o aparelho se encaixa com firmeza nas mãos. Mérito das curvaturas bem pronunciadas nas laterais, que facilitam o posicionamento dos dedos. Mas, provavelmente, o detalhe que você vai reparar ao pegá-lo pela primeira vez é o acabamento: a moldura brilhante (parece metal, mas é plástico) e a traseira de vidro transmitem um ar de sofisticação — qualquer semelhança com o Moto X4 não é mera coincidência.

Moto G6 Plus

O acabamento e o design são mesmo bem trabalhados, mas alguns detalhes podem incomodar. Começa pela própria traseira: os brilhos e os reflexos deixam o aparelho bonito, por outro lado, a superfície fica com marcas de dedo facilmente, sem contar a sensação de que esse vidro vai se estraçalhar dramaticamente na primeira queda.

A boa notícia é que a Motorola incluiu uma capinha de silicone na embalagem do Moto G6 Plus. É, certamente, uma proteção indispensável. Pena que ela não é perfeita em todos os sentidos: no Moto G6, a capinha acaba praticamente nivelando a altura daquele calombo na traseira que abriga as câmeras; no Moto G6 Plus, o calombo fica evidente com ou sem capa.

Moto G6 Plus

Isso acontece porque o calombo é ligeiramente mais alto no Moto G6 Plus. A moldura do círculo acaba protegendo o vidro que recobre as lentes, mesmo assim, é difícil de se desvencilhar da sensação de que vão surgir riscos ali se você deixar o dispositivo sobre a mesa com a tela virada para cima.

Esse 'Motorola' tinha mesmo que estar aí?

Esse ‘Motorola’ tinha mesmo que estar aí?

Outro detalhe incômodo está ali na frente: assim como o Moto G6, o modelo Plus tem um leitor de impressões digitais “achatado” abaixo da tela. O problema é que, acima dele, estão os dizeres ‘Motorola’. Estranho, não? Parece que a marca ficou espremida ali. É um contrassenso para um aparelho com um acabamento tão bem feito.

Moto G6 Plus

Os controles de volume e o botão de Liga / Desliga estão na lateral direita, em boa altura. Na parte inferior fica a porta USB-C. E, veja só, a conexão para fones de ouvido não foi limada dali.

Moto G6 Plus

Na parte superior está a gaveta para os dois SIM cards e o microSD (de até 256 GB) — sim, dá para usar os três chips ao mesmo tempo aqui (ufa).

Tela

São 5,9 polegadas de tamanho em um visor com proporção 18:9 e resolução de 2160×1080 pixels. O painel é um IPS LCD que traz cores fortes (mas sem excesso na saturação), bons níveis de contraste e visualização decente sob ângulos variados.

É uma tela muito boa para a categoria do Moto G6 Plus, ainda mais se levarmos em conta que a Motorola melhorou o aproveitamento do espaço frontal: as bordas nas laterais são bem perceptíveis, mas as áreas abaixo e, principalmente, acima do visor, agora são menores.

Moto G6 Plus

Eu só esperava um brilho mais intenso. Em dias ensolarados ou em ambientes com luz artificial forte, você vai conseguir enxergar o conteúdo da tela, mas provavelmente terá que fazer algum esforço para isso. Ah, o brilho automático é um tanto lento.

Software

O Android 8.0 Oreo marca presença aqui junto a uma interface que possui modificações leves no visual, efeitos de transição discretos, poucos apps de terceiros e, com efeito, estabilidade.

No quesito software, a Motorola continua se destacando pelos recursos concentrados no aplicativo Moto. É ali que você vai achar o Moto Ações, que permite configurar gestos (agitar o smartphone duas vezes para ativar a lanterna, por exemplo) e ativar o modo de navegação em um toque: com ele, você usa gestos sobre o leitor de digitais para substituir os botões de navegação do Android. Funciona muito bem.

Moto G6 Plus - software

Ali você também vai encontrar o Moto Key, que permite fazer login em sites e aplicativos a partir da sua impressão digital, e o Moto Tela, que dá acesso a configurações para modo noturno e notificações na tela de bloqueio, por exemplo.

Mas nem tudo é perfeito. Assistentes de voz estão na moda e a Motorola não quis deixar o Moto G6 Plus de fora disso. O aparelho traz a versão beta do Moto Voz, mas ele está ainda longe de ser realmente útil: a quantidade aceita de comandos de voz é pequena (pelo menos em português) e, não raramente, você tem que tentar duas ou três vezes para uma instrução ser reconhecida. Eu preferi deixar o Moto Voz calado mesmo.

Câmeras

O Moto G6 Plus traz duas câmeras na traseira: uma de 12 megapixels e abertura f/1,7, outra de 5 megapixels e abertura f/2,2. Como você deve ter imaginado, o objetivo principal dessa combinação é facilitar o registro de fotos com fundo desfocado.

Moto G6 Plus

Não é uma novidade na linha. O Moto G5S, por exemplo, também tem câmera dupla. O problema é que, neste modelo, o desfoque do fundo deixou a desejar nos nossos testes. No Moto 6 Plus, a situação é um pouco mais tranquila: o desfoque de determinados pontos pode falhar, te obrigando a tentar mais vezes, mas me pareceu ser menos errante que na geração anterior.

De modo geral, o modo retrato funciona bem, mas não é imune a falhas (repare na boca da garrafa)

De modo geral, o modo retrato funciona bem, mas não é imune a falhas (repare na boca da garrafa)

Foto registrada com o Moto G6 Plus

Para o uso cotidiano, as fotos registradas com o Moto G6 Plus são decentes quando as condições de iluminação estão favoráveis: as cores são realistas, os níveis de ruídos são baixos como devem ser, o pós-processamento não é exagerado ao ponto de prejudicar a definição e eu não notei demora na focagem, ao contrário do que acontece no Moto G6.

Foto registrada com o Moto G6 Plus Foto registrada com o Moto G6 Plus Foto registrada com o Moto G6 Plus Foto registrada com o Moto G6 Plus Foto registrada com o Moto G6 Plus

É verdade que áreas de sombra podem ficar mais escuras do que deveriam, mas deixar o modo HDR ativado ou em automático (padrão) costuma resolver o problema. O equilíbrio entre contraste, saturação e definição proporcionado pelo HDR enriquece a foto de maneira considerável em determinadas circunstâncias.

Foto registrada com o Moto G6 Plus
Foto registrada com o Moto G6 Plus

Com HDR

Foto registrada com o Moto G6 Plus
Foto registrada com o Moto G6 Plus

Com HDR

Foto registrada com o Moto G6 Plus
Foto registrada com o Moto G6 Plus

Com HDR

Só não dá para manter o otimismo em fotos noturnas. Elas têm níveis expressivos de ruído que o pós-processamento tenta reduzir, mas não sem afetar a definição. Pelo jeito, esse é um problema crônico da Motorola, pois também dá para notar inconsistências do tipo em aparelhos como Moto G6 e Moto Z3 Play. Se você ficar parado e respirar fundo, talvez consiga fazer uma foto noturna minimamente decente.

Foto registrada com o Moto G6 Plus Foto registrada com o Moto G6 Plus

A câmera frontal tem 8 megapixels e lente com abertura f/2,2. Ela não chega a impressionar, mas consegue convencer nas selfies. Só que as condições de luz precisam ajudar: a perda de qualidade em ambientes com iluminação baixa também se manifesta com vontade aqui. Ao menos dá para amenizar o problema com o discreto flash LED frontal que o Moto G6 Plus possui.

Selfie registrada com o Moto G6 Plus

Você também pode usar a câmera frontal para fazer desbloqueio via reconhecimento facial, só que esse é um método mais demorado que o desbloqueio via impressão digital e, pelo menos no meu caso, falhou várias vezes, mesmo com iluminação boa.

Vale dizer ainda que o app de câmera do Moto G6 Plus oferece outros recursos, como reconhecimento de objetos ou pontos turísticos. Mas são funcionalidades demoradas e que nem sempre entregam o resultado esperado.

Hardware e bateria

O Moto G6 não se comporta muito bem no dia a dia. Já o Moto G6 Plus, felizmente, não me decepcionou. Ele tem processador Snapdragon 630 de 2,2 GHz, GPU Adreno 508 e 4 GB de RAM, conjunto que trabalhou de modo consistente em praticamente todas as tarefas. A capacidade de armazenamento é adequada aos padrões atuais: 64 GB.

Eu não notei travamentos, tampouco vi aplicativos fechando do nada. Apenas identifiquei lentidões pontuais na alternância entre apps abertos. Prestando atenção, dá para perceber alguma queda na taxa de frames em jogos exigentes, como Real Racing 3 e Dead Trigger 2, mas isso é esperado para a categoria do processador. Deixe as configurações gráficas do game em automático ou médio e tudo irá rodar com fluidez.

Desempenho no AnTuTu 7.0.9, 3DMark 2.0 e Geekbench 4.2.3

Desempenho no AnTuTu 7.0.9, 3DMark 2.0 e Geekbench 4.2.3

A bateria também me convenceu. Para o tamanho do aparelho, eu esperava algo em torno de 3.500 mAh de capacidade. O G6 Plus tem 3.200 mAh, mas você vai conseguir passar o dia inteiro com o celular longe da tomada se não exagerar nos aplicativos pesados.

No dia de testes, executei o seguinte: filme de aproximadamente 2h30min na Netflix mais meia hora de TV digital, ambos com brilho de tela no máximo, 40 minutos de jogos (Real Racing 3 e Dead Trigger 2), uma hora de música via Spotify, navegação via Chrome e apps de redes sociais por cerca de uma hora, além de uma chamada de 10 minutos. No fim do dia, a bateria estava com 45% de carga.

O tempo de recarga de 20% para 100% com o carregador rápido que acompanha o smartphone foi de 1h07min.

Reparou que eu citei TV digital acima? Esse é outro recurso do Moto G6 Plus. Se você estiver em uma área com bom sinal, vai tudo funcionar como o esperado. Você só precisa conectar a antena que acompanha o aparelho à entrada para fones de ouvido. O dispositivo exibe canais de alta definição e no padrão 1-Seg. Também dá para usar fones como antena, mas tive impressão de que o sinal falhou mais com eles.

Moto G6 Plus

Gol da Bélgica 🙁

E, sim, também tem rádio FM por aqui. Falando nisso, devo dizer que a saída de áudio do Moto G6 Plus é só ok. O volume máximo não é dos mais altos e, apesar disso, pode ficar estourado. Ativar a opção Dolby Audio na barra de notificações ajuda bastante, mas não faz milagres. Como sempre, use fones de ouvido (dos bons) e seja feliz.

Conclusão

Admito que eu comecei a testar o Moto G6 Plus um pouco apreensivo por conta do desempenho inconsistente do Moto G6 nos nossos testes. Mas, aqui, parece que a Motorola encontrou a fórmula certa: a versão Plus se mostrou muito mais equilibrada do que eu imaginava.

Não estou dizendo que o aparelho é perfeito. Eu esperava um brilho mais forte na tela, câmeras que não tivessem tanto medo do escuro, saída de áudio um pouco mais caprichada e, talvez seja uma implicância só minha, mas que a Motorola abandonasse de vez esse calombo na traseira.

Porém, a tela é generosa e oferece boa qualidade de imagem, as câmeras geram fotos satisfatórias quando as condições ajudam (principalmente se o HDR estiver ativado), o software é estável e tem recursos interessantes, a função de TV digital é um diferencial para muita gente e a bateria aguenta o tranco. O detalhe mais importante: no desempenho geral, o G6 Plus não traz surpresas desagradáveis.

Moto G6 Plus

A Motorola pode até ter errado a mão no Moto G6, mas a versão Plus só lembra o irmão menor no visual. Os pontos negativos não são tão expressivos aqui. Isso quer dizer que o Moto G6 Plus vale a pena? Se você estiver procurando um intermediário comportado, vale.

Só que é preciso ter uma coisa em mente: definitivamente, a linha Moto G não tem mais o apelo do custo-benefício da primeira geração. R$ 1.699 é um preço elevado para um aparelho dessa categoria, então comprar com desconto é obrigatório.

Se for para desembolsar o valor sugerido pela Motorola, talvez valha mais a pena adicionar alguns reais à conta e levar um topo de linha de geração anterior ou, se você quiser algo mais recente, um Galaxy A8, por exemplo: o modelo ganha do G6 Plus na tela e nas câmeras.

Como comprar com desconto?

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Outro recurso muito legal é histórico de preços. Quando você acessar a página de um smartphone, por ex, a gente já consegue te dizer se ele está com um preço legal. Esse recurso te ajuda a não cair em nenhuma "promoção", dessas que oferecem tudo pela "metade do dobro". Tenho certeza que vai ser muito útil em datas especiais, como na Black Friday.

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Especificações técnicas

  • Bateria: 3.200 mAh;
  • Câmera: 12 + 5 megapixels (traseira) e 8 megapixels (frontal);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11ac, GPS, Bluetooth 5.0, USB-C, NFC, rádio FM, TV digital, fones de ouvido;
  • Dimensões: 159,9 x 75,5 x 8 mm;
  • GPU: Adreno 508;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 256 GB;
  • Memória interna: 64 GB (51 GB livres para o usuário);
  • Memória RAM: 4 GB;
  • Peso: 165 gramas;
  • Plataforma: Android 8.0 Oreo;
  • Processador: octa-core Snapdragon 630 de 2,2 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, giroscópio, bússola, impressões digitais;
  • Tela: IPS LCD de 5,9 polegadas com resolução de 2016×1080 pixels (409 ppi) e proteção Gorilla Glass 3.

Notas Individuais

Design
8
Tela
9
Software
9
Câmera
8
Desempenho
8
Bateria
9
Conectividade
9