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MEC tenta excluir artigo sobre Abraham Weintraub na Wikipédia

O ministério afirmou a um dos editores da Wikipédia que verbete de Weintraub tem "informações não confirmadas"

Victor Hugo Silva Por

O Ministério da Educação (MEC) virou centro de uma discussão entre editores da Wikipédia. Segundo O Estado de S. Paulo, a pasta pediu que o verbete do ministro Abraham Weintraub fosse excluído por conter “informações não confirmadas”.

Na mensagem, o MEC argumentou que o artigo poderia levar a “interpretações dúbias” e que deveria sair do ar por conta da “impossibilidade de edição” por parte do ministério. O e-mail foi compartilhado na íntegra na Wikipédia pelo editor que a recebeu em seu conta pessoal.

Abraham Weintraub (Foto: Gabriel Jabur - 19/06/2019)

Abraham Weintraub, ministro da Educação (Foto: Gabriel Jabur – 19/06/2019)

“A Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Educação do Brasil, tomando conhecimento da criação desta página no dia 8 de abril de 2019 e a da impossibilidade de edição por este órgão governamental, solicita a exclusão da página do ministro Abraham Weintraub”, diz o e-mail.

“A página contém informações não confirmadas com a pessoa pública ora em destaque, contribuindo para interpretações dúbias. Com a restrição, a pessoa física/jurídica fica incapacitada de declarar a ampla defesa e o contraditório”, finaliza.

Como destaca a mensagem, a página de Weintraub no site foi criada em 8 de abril, quando foi nomeado ministro pelo presidente Jair Bolsonaro. Ele foi escolhido para substituir Ricardo Vélez Rodriguez, que permaneceu no cargo por pouco mais de três meses.

O pedido de exclusão do verbete foi enviado a um usuário identificado como Chronus, responsável pela última modificação da página até então. O editor não havia alterado o conteúdo do texto, mas restringiu a edição para que usuários sem boa reputação pudessem fazê-lo.

Ao compartilhar a mensagem do ministério na Wikipédia, Chronus pediu sugestões de colegas. “Caberia alguma resposta formal da comunidade quanto à solicitação do MEC?”, perguntou no site, na segunda-feira (1º).

Os demais editores sugeriram que Chronus pedisse mais explicações sobre pontos que o ministério considerou problemáticos e que destacasse a impossibilidade de um usuário excluir um verbete da Wikipédia por conta própria.

Ao Tecnoblog, Rodrigo Padula, um dos administradores da Wikipédia em português e coordenador de projetos na Wiki Educação Brasil, explica que os verbetes do site são textos biográficos criados com base em fontes verificáveis na mídia tradicional e que não podem ser controlados pelos biografados.

“Qualquer pessoa pode complementar e melhorar o verbete, logo, tudo que acontece na vida do biografado (de bom ou ruim) que é apresentado e publicizado, cedo ou tarde acaba sendo incorporado no verbete, como acontece com qualquer outro tipo de publicação biográfica”, afirma.

Ele lembra ainda que há entendimento favorável do Supremo Tribunal Federal quanto à publicação de biografias não autorizadas. “Este pedido realizado pelo ministro através da assessoria de comunicação do MEC é uma grande afronta à liberdade de expressão e ao conhecimento aberto e com certeza pode ser vista como uma tentativa de repreensão e censura pelo pedido realizado ao editor da Wikipédia”.

O Ministério da Educação confirmou o envio do e-mail. A pasta, no entanto, não apontou quais seriam as “informações não confirmadas”.

Post atualizado às 12h44, com a confirmação do MEC, e às 15h21 com o posicionamento do colaborador da Wikipédia.

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Thiago Thame

Verdade. Eu mesmo não teria lido o verbete se não tivesse tentado censurar.

Thiago Thame

Tem sim. Ele é responsável por esses cargos. É uma noção básica sobre o serviço público: o chefe é sempre responsável pela sua equipe.

Thiago Thame

Weintraub usando o Twitter com educação? Ele parece um moleque de 13 anos que acabou de ganhar o primeiro computador dele, totalmente sem noção. Além disso, Twitter não é ferramenta de trabalho.
Mais ainda: eles é o ministro, ele que teria que fazer a coisa funcionar, não deveria precisar ser cobrado. É uma vergonha de desgoverno, mesmo.

Eduardo Barreto
Eduardo Barreto
Paulo Neto

A cara de um governo autoritário, só que não vão conseguir pq são todos dementes.

Andre Kittler

Puts..
Esse é daqueles que leva leva tudo ao pé da letra...

Marcelo Neri

Puts...
Esse entende bastante sobre o mundo empresarial...
Todo grande empresário conhece o Office Boy e é responsável por ele.

Marcelo Neri

Hahaha...
O Guedes é ruim?
Realmente tem gente que se acha inteligente...

Marcelo Neri

Deve salvar o cara que tá preso em Curitiba, dizem que ele é inocente e um homem santo...

Rogelio Goncalves Ligoski

Eu formalmente saio desse tecnoblog após perceber que está impregnado de petistas idiotas ,e sobre as intervenções no wikipedia eu as vi e clara mente foi um ataque da esquerda envadindo as edições alterando as para desfavorecer o ministro um ato sujo dos integrantes de esquerda ! mais é ato extremamente compreensivo vindo de quem está perdendo feio e não aceita !! Kk chupa seus nojentos !! Fui desse lixo

Andre Kittler

Culpo o governo, não me interessa que está na cabeça. O diretor da empresa é o culpado pela merda e não o office boy.

VaGNaroK Alkimist

Qualquer um pode fazer merda lá, o presidente só escolhe os caras que ele acha que pode fazer o serviço, se eles falam alguma besteira ou fazem merda não tem como culpar o presidente pelos atos dos outros, cada macaco no seu galho, e que assumam suas próprias responsabilidade.

Thalles Ferreira

Não lembra daquelas correntes de 2014 "Se a Dilma cair, quem assume é o Aécio"?

Buldego

E vocês ainda tem esse tesão nele, vai entender.
Concentrem-se em que está solto no momento.

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