Só a Starlink atende regras do MEC para internet nas escolas

Ministério da Educação alterou especificação de velocidade mínima do programa para levar internet por satélite para 40 mil escolas

Felipe Freitas
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• Atualizado há 7 meses
Antena Starlink (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Novas regras do MEC colocam Starlink como única empresa capaz de atender exigências de internet via satélite (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A Starlink é a única companhia no Brasil capaz de atender às exigências do Ministério da Educação para levar internet via satélite a 40 mil colégios de regiões mais afastadas. As escolas fazem parte da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, cujo objetivo é levar internet para 138 mil instituições públicas de ensino. O MEC exige velocidade mínima de 50 Mb/s na maior parte do tempo.

A mudança de regra pelo Ministério da Educação foi realizada em agosto, um mês antes do lançamento do programa. No Brasil, nenhuma outra empresa de internet via satélite é capaz de oferecer essa velocidade. Até a estatal Telebras fica impossibilitada de participar da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas.

Mínimo de 50 Mb/s

As novas regras editadas pelo MEC fazem, entre outras, duas exigências para as empresas candidatas : velocidade mínima geral de 50 Mb/s e de 1 Mb/s por aluno. Antes de agosto, esta última era a única exigência, o que possibilitava a participação de mais empresas.

Antena da Starlink (Imagem: divulgação/SpaceX)
Starlink pode atender exigência de velocidade mínima de 50 Mb/s (Imagem: divulgação/SpaceX)

Mesmo escolas com menos de 50 alunos terão uma velocidade de 50 Mb/s. Instituições com um número de estudantes superior a 50 precisam atender ao valor mínimo de 1 Mb/s. Se a escola possui 52 alunos, a velocidade média pode ser de 52 Mb/s, já que a média fica 1 Mb/s por aluno.

O valor de 1 Mb/s segue uma recomendação nacional, feita pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), órgão integrante do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

A velocidade mínima exigida pelo MEC é alta até mesmo para os padrões de internet via satélite, algo inerente desse tipo de conexão. O sinal pode ser ainda afetado pelas condições meteorológica. Em uma pesquisa divulgada pelo Minha Conexão, a Starlink bateu 73 Mb/s de velocidade média em junho.

Experiência no Reino Unido

No entanto, a geografia do Brasil não permite que o programa dependa completamente de internet por fibra, que é mais rápida e menos suscetível às intempéries. No Reino Unido, um programa similar ao brasileiro tem velocidade média de 100 Mb/s — pois a base é internet por fibra.

É fácil para eles, difícil para nós. Afinal, cabem pouco mais de seis “Reinos Unidos” dentro do estado do Amazonas, que necessita da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas e de conexão via satélite para atender às instituições de ensino nas regiões afastadas.

Com informações: Estadão

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Felipe Freitas

Felipe Freitas

Repórter

Felipe Freitas é jornalista graduado pela UFSC, interessado em tecnologia e suas aplicações para um mundo melhor. Na cobertura tech desde 2021 e micreiro desde 1998, quando seu pai trouxe um PC para casa pela primeira vez. Passou pelo Adrenaline/Mundo Conectado. Participou da confecção de reviews de smartphones e outros aparelhos.

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