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Uber dobra faturamento com delivery e tem outro prejuízo bilionário

Uber faturou mais com entregas do Uber Eats que com corridas pela primeira vez; empresa ainda não fecha no azul

Paulo Higa Por

A Uber publicou na noite de quinta-feira (6) seus resultados financeiros do segundo trimestre de 2020 e confirmou uma tendência esperada em meio à pandemia: o faturamento bruto com entregas pelo Uber Eats mais que dobrou em uma comparação anual e, pela primeira vez em um trimestre, foi maior que a receita com corridas particulares. No entanto, isso não evitou mais um prejuízo bilionário.

Uber Eats

Entre março e junho de 2020, as viagens de carro, entregas de comida e serviços de frete somaram reservas brutas de US$ 10,2 bilhões (equivalente a R$ 54,7 bilhões), uma queda de 35% em relação ao período homólogo. Com mais pessoas confinadas em casa, o segmento de viagens particulares foi o mais afetado, com baixa de 75%, enquanto o delivery subiu 106%.

Já o prejuízo líquido ficou em US$ 1,78 bilhão (R$ 9,5 bilhões). A perda foi menor que os US$ 5,24 bilhões do segundo trimestre do ano passado, mas vale lembrar que a Uber abriu seu capital na bolsa de valores em maio de 2019, o que gerou diversos gastos não recorrentes. Além disso, o prejuízo ficou maior que o esperado pelos analistas, o que fez as ações caírem pouco mais de 3% na noite de quinta-feira (6).

Viagens de carro já são lucrativas para a Uber

A inversão de faturamento entre viagens e delivery pode ser considerada ruim para a Uber. É que, isoladamente, a divisão de mobilidade é lucrativa, com EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 50 milhões no segundo trimestre de 2020. No mesmo período do ano passado, a empresa havia lucrado US$ 506 milhões com transporte de passageiros.

Já as entregas de comida não dão tanto dinheiro. O prejuízo com Uber Eats caiu 19%, de US$ 286 milhões no segundo trimestre de 2019 para US$ 232 milhões este ano. Apesar de o Uber Eats ter dobrado de tamanho no período, isso não ajuda tanto nos resultados financeiros porque os custos também crescem, já que a Uber precisa gastar mais com incentivos promocionais para atrair clientes.

A empresa, com valor de mercado de US$ 60 bilhões, nunca registrou lucro. Em fevereiro, o CEO Dara Khosrowshahi dizia que a “era do crescimento a todo custo acabou” e que os planos da Uber de se tornar lucrativa em 2021 poderiam até ser adiantados: a equipe seria desafiada a chegar no azul ainda no quarto trimestre de 2020. A reviravolta pode deixar a Uber mais longe de atingir suas metas.

Enquanto passa pela pandemia, a Uber comemora a marca de 35 milhões de usuários do programa de fidelidade Uber Rewards nos Estados Unidos, Brasil, México, França, Austrália e Nova Zelândia; bem como o lançamento de plataformas verticais de delivery, com a compra da chilena Cornershop, que entregará itens de supermercado no Brasil.

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² (@centauro)

Manutenção e aprimoramento do sistema (o back-end), servidores, pessoal do administrativo, pessoal da P&D, analistas, desenvolvedores.

O que mais deve custar pro Uber nos centros de atendimento presencial é o aluguel do espaço. Funcionário desses centros deve ganhar uma mixaria.
E o custo que o Uber deve ter com colaborador deve ser irrisório também então cortar centros de atendimento presencial e milhares de colaboradores deve ser economizado só uns trocados no total de despesas da empresa.

Claro que isso não quer dizer que os outros custos são justificados. Pode muito bem ser possível que eles estejam pagando demais pra P&D, por exemplo.