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Após auxílio emergencial, número de pessoas sem conta bancária despencou

Auxílio emergencial requer conta no app Caixa Tem; número de desbancarizados no Brasil caiu 73% durante pandemia

Felipe Ventura Por

O auxílio emergencial provocou um efeito enorme na forma como os brasileiros lidam com dinheiro: o número de pessoas sem conta em banco teve forte queda nos últimos cinco meses, já que o benefício requer a abertura de uma poupança social digital acessível pelo app Caixa Tem. A alta das vendas pela internet e a popularização de carteiras digitais também tiveram um papel importante.

Aplicativo Caixa Tem (Foto: Lucas Lima/Tecnoblog)

Aplicativo Caixa Tem (Foto: Lucas Lima/Tecnoblog)

O número de desbancarizados no Brasil caiu 73% durante a pandemia, segundo um estudo realizado pela AMI (Americas Market Intelligence) em parceria com a Mastercard. Isso inclui pessoas que não tinham conta em bancos ou fintechs antes de abril de 2020.

Há alguns motivos para essa queda. O distanciamento social, medida necessária durante a pandemia da COVID-19, estimulou o comércio eletrônico no Brasil e o pagamento por aproximação em lojas físicas. Além disso, o governo federal distribuiu mais de R$ 200 bilhões em auxílio emergencial para 67,2 milhões de pessoas entre abril e setembro, tudo via conta digital.

Estima-se que, em 2019, havia 45 milhões de brasileiros desbancarizados — pessoas que não tinham conta em banco, ou que tinham mas não a utilizavam há mais de seis meses. Elas movimentavam mais de R$ 800 bilhões por ano.

Caixa limita saque do auxílio

A inclusão bancária foi, em parte, forçada pela Caixa. Desde maio, os beneficiários do auxílio emergencial de R$ 600 precisam esperar várias semanas para poderem sacar ou transferir o dinheiro. Muitas pessoas resolveram, então, usar boletos para enviar valores ao Nubank, PicPay, Mercado Pago, entre outras fintechs.

Em maio, menos de 5% das transações no Caixa Tem eram realizadas de forma digital e cerca de 35% eram saques. Em agosto, as transações digitais chegaram a 63%, contra 15% de saques — parte deles acabou sendo transferida para outras instituições.

Aplicativo Caixa Auxílio Emergencial (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Aplicativo da Caixa (Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Outros países da América Latina também viram uma queda na desbancarização graças a benefícios sociais durante a pandemia do novo coronavírus. “O Ingreso Solidario na Colômbia e o Ingreso Familiar de Emergencia da Argentina impulsionaram a criação de contas bancárias pelos usuários para o depósito do auxílio”, diz a Mastercard em comunicado.

Ao longo de cinco meses, 40 milhões de pessoas na América Latina criaram contas em instituições financeiras, segundo o estudo. A população desbancarizada caiu 18% na Argentina e 8% na Colômbia.

A pesquisa foi realizada entre junho e agosto de 2020 com “dados divulgados por governos e instituições financeiras, bem como entrevistas com 18 instituições financeiras, incluindo os mais tradicionais bancos e fintechs dos quatro países”.

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Emanuel Schott (@Emanuel_Schott)

Ter a conta é uma coisa, mas queria ver é um estudo mostrando quantos de fato movimentam ela. Galera faz fila pra sacar todo o dinheiro nas lotéricas, mesmo tendo acesso a conta.

João M. (@RonDamon)

Não sei pq o povo prefere sacar, cartão de débito é bem mais prático.

² (@centauro)

Consigo pensar em alguns motivos.

O primeiro é desconfiaça. Não acreditam em banco ou no sistema bancário. Talvez achem que o banco pode sumir com o dinheiro ou tenham medo que o sistema não vai funcionar na hora de fazer o pagamento.

Outro motivo é controle. É muito mais fácil você controlar o gasto se você tem um limite físico. Se você vai no mercado com R$50, só tem como gastar R$50. Se você vai no mercado com um cartão de débito pra uma conta que tem R$100, você pode gastar até R$100 mesmo que só queira gastar R$50.

Outra explicação pro controle é você tem que ficar indo no banco pra checar o saldo se não tiver acesso à internet. E se a pessoa está recebendo auxílio emergencial, grandes são as chances de que ela não tem internet disponível 24/7.

Outro motivo pode ser simplesmente falta de costume. Considerando que estamos falando de uma população não bancarizada, pode muito bem existir uma parcela nesse grupo que nunca teve uma conta bancária e que nem sabe direito como funciona.