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Google ameaça desativar busca na Austrália se lei for aprovada

Google afirmou que proposta discutida na Austrália para cobrar as plataformas pela exibição de notícias é "impraticável"

Victor Hugo SilvaPor

O Google voltou a se posicionar contra a proposta de um código de conduta na Austrália que obrigaria as plataformas a pagarem para exibir notícias de terceiros. Em audiência nesta sexta-feira (22), a empresa ameaçou desativar seu buscador no país caso o texto, discutido nos últimos meses, seja aprovado.

Google (Imagem: Nathana Rebouças)

Google (Imagem: Nathana Rebouças)

Na audiência, a diretora-geral do Google para Austrália, Mel Silva, considerou “impraticável” a proposta de cobrar pelo conteúdo que aparece nos resultados da busca. “Se essa versão do código se tornar lei, não teremos escolha real a não ser parar de disponibilizar a Pesquisa Google na Austrália”, afirmou a executiva.

A proposta australiana tem o objetivo de compensar veículos de notícias pelo faturamento que seu conteúdo gera para serviços como o buscador do Google. A empresa, que detém 94% das buscas online no país, defende o modelo do Google News Showcase, em que veículos parceiros são pagos para destacar seus conteúdos. A iniciativa, no entanto, ainda não está disponível na Austrália.

O primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, comentou a declaração do Google. “Não respondemos a ameaças”, afirmou. “A Austrália estabelece nossas regras para coisas que você pode fazer na Austrália. Isso é feito em nosso parlamento. É feito pelo nosso governo. E é assim que as coisas funcionam aqui na Austrália”.

O Facebook, outro que será afetado caso a proposta seja aprovada, afirmou na audiência que poderá fazer mudanças em sua plataforma. Segundo a empresa, os usuários no país poderão ter o compartilhamento de notícias bloqueado.

Google deixou de exibir notícias em outros países

Apesar de alegar que não tem alternativa a não ser desativar a busca, o Google encontrou saídas para leis semelhantes em outros países. Na França, a empresa aceitou pagar pela exibição de notícias depois que o país implementou normas de um projeto de reforma de leis aprovado pela União Europeia.

A ameaça do Google de remover toda a busca na Austrália também é bem diferente do que foi aplicado pela empresa em 2014, quando a Espanha aprovou uma lei que obrigava plataformas a pagarem pelo conteúdo jornalístico. À época, em vez de desativar o serviço, a empresa decidiu desativar o Google Notícias no país.

Com informações: Bloomberg.

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Sammy (@Sammy)

Estou louco pra ver o que será que vai acontecer se por acaso a Google sair da austrália, eu amo ver a Google se foder, mas amo mais ainda ver o estado se fodendo.

Rafael Moreira (@Rafael_Moreira)

Você só pode ter problema da cabeça kkkk. Pelo comentário não deve parar em emprego algum.

Sammy (@Sammy)

Hahahahahahaha devo ter mesmo

Alisson Santos (@alisson)

Lembro de uma época que sites de notícias no Brasil se rebelaram com Google por causa de algo parecido. Alguns, inclusive, pediram a retirada de seu conteúdo das pesquisas de notícias. Acho que o resultado foi a queda no número de acessos, pois pouco tempo depois lá estavam eles novamente. Encontraram um meio termo, Google continuava mostrando os resultados, mas suprimindo o texto, exibindo apenas a manchete, criando assim leitores de manchetes.

² (@centauro)

No caso do Brasil a imprensa e o Google entraram em um acordo. Não sei os detalhes porque não fui atrás, mas eu acho que era divisão da renda vinda dos anúncios a partir do GNews ou algo assim.

Na França o Google aceitou basicamente pagar para os jornais franceses para poder indexar as notícias.
Na Austrália só o tempo dirá o que acontecerá.

Fernando Val (@fval)

A questão não é só a indexação e exibição da notícia ou do título da notícia.

Pelo que li na outra matéria, o Google e outras empresas vão ser obrigadas a explicar o funcionamento de seus algoritmos de busca para as empresas de mídia australianas se quiserem continuar funcionando no país.

“Caso seja implementada, a nova lei pode exigir que plataformas como o Google e o Facebook priorizem empresas de notícias ao anunciar, com antecedência, mudanças em algoritmos de classificação para exibição de conteúdo na busca e no feed. O descumprimento dessa regra poderia gerar multas de até 10% no faturamento local da companhia.”

Siebel (@Siebel)

Geralmente quem faz esses comentários anticapitalistas bem desconectados da realidade nunca trabalhou e é bancado pelos pais.

DeadPull (@DeadPull)

Então, se isso acontecer, tu vai ficar feliz em dobro

Sammy (@Sammy)

Primeiro que não sou anticapitalista, devo ser a pessoa mais capitalista do meu circulo.

Agora se vocês querem levar isso pro literal, a escolha é de vocês.