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Exclusivo: Brasil Bitcoin lança cartão Elo para pagar com bitcoin em todo tipo de loja

Exchange Brasil Bitcoin lança cartão Elo que permite pagamentos com bitcoin (BTC) com conversão automática para reais

Bruno IgnacioPor

Nesta segunda-feira (08), a exchange de criptomoedas Brasil Bitcoin lança um cartão de bandeira Elo que permite pagamentos com bitcoin (BTC) no dia a dia. O sistema converterá imediatamente a moeda digital em posse do usuário para seu equivalente em reais, e então processará a compra em maquininhas físicas ou online. Para explicar melhor o lançamento do novo produto, o Tecnoblog entrevistou Marco Castellari, CEO da Brasil Bitcoin.

Brasil Bitcoin lança cartão Elo para pagamentos com criptomoedas (Imagem: Divulgação)

Brasil Bitcoin lança cartão Elo para pagamentos com criptomoedas (Imagem: Divulgação)

Em meio ao boom do bitcoin em 2021, a criptomoeda chegou ao seu maior preço da história. Dito isso, sua popularidade também cresceu e a quantidade de usuários no mundo todo disparou. Segundo Castellari, trazer as moedas digitais para o uso cotidiano das pessoas é a missão que idealizou a criação da Brasil Bitcoin e por isso a exchange lança agora esse novo cartão.

Como funciona o cartão?

O cartão da Brasil Bitcoin é voltado para pagamentos com criptomoedas. Inicialmente, apenas o bitcoin (BTC) será suportado, mas Castellari estima que dentro de dois meses todas as outras moedas digitais no catálogo da exchange também serão implementadas. A solicitação do cartão é feita pelo aplicativo da corretora e sua aprovação acontecerá gradativamente ao longo de 2021.

“No começo, a gente trabalhará apenas com o bitcoin. É um lançamento, ainda precisamos ver seu comportamento. Além disso, trata-se da principal e maior moeda digital no mercado, por isso começaremos por ela. Porém, em uma questão de dois meses queremos liberar todas as criptomoedas no catálogo da Brasil Bitcoin para pagamentos com o novo cartão”, disse Castellari.

Na prática, esse cartão permitirá que se vá ao mercado, por exemplo, comprar com bitcoin, independentemente do estabelecimento aceitar a criptomoeda ou não. No Brasil, a adesão de comerciantes a pagamentos com moedas digitais ainda é mínima, então é praticamente impossível realizar transações cotidianas com elas.

Porém, a Brasil Bitcoin irá converter imediatamente o saldo em bitcoin do usuário para reais de acordo com a cotação daquele momento, então o estabelecimento receberá normalmente pela compra. Operando sob a bandeira Elo, o novo produto será aceito tanto em máquinas de pagamentos físicas quanto em compras online.

“No momento em que se está efetuando a compra, ela será descontada da conta do usuário na Brasil Bitcoin. A prioridade será utilizar primeiro o saldo em reais que o cliente possa ter. Se não houver, então a transação será automaticamente processada em bitcoin. Também será notificada a quantidade de BTC exata utilizada naquela transação”, explica o CEO.

Primeiro cartão de criptomoedas que não é pré-pago

A inovação da Brasil Bitcoin está na automatização no uso da criptomoeda em posse do usuário. “Nosso cartão está vinculado completamente ao seu saldo na exchange. Outros cartões que existem atualmente funcionam com duas contas separadas, uma exclusiva para pagamentos para a qual o usuário deve transferir fundos”, disse Castellari.

Dessa maneira, outros produtos similares no mercado são, na realidade, cartões pré-pagos. “No nosso caso, é uma conta só e o processo é automatizado”, conta o CEO, afirmando também que, por mais que a diferença possa parecer pequena, trata-se de uma facilidade muito importante para que usuários usem criptomoedas no dia a dia.

“Ter que ficar recarregando o cartão pré-pago não é um processo trabalhoso, mas é algo que pode irritar a pessoa. Com o cartão da Brasil Bitcoin, não será necessário ter que ficar adicionando créditos, o usuário irá usar o saldo da sua conta da nossa plataforma, assim como é com os bancos tradicionais. Também não haverá um valor mínimo para compra”, comenta o CEO.

Além disso, Castellari também explicou com detalhes as taxas aplicadas sobre as transações. Assim como qualquer outro cartão, pagamentos possuem custos. Porém, o CEO disse que inicialmente a Brasil Bitcoin irá absorver todos eles e o usuário irá pagar apenas pela venda do bitcoin, um percentual de 0,5%, como já acontece se o fizer dentro da corretora.

Volatilidade do bitcoin pode ser problema inicial

Volatilidade do bitcoin é empecilho para pagamentos diários (Imagem: Roy Buri/Pixabay)

Volatilidade do bitcoin é empecilho para pagamentos diários (Imagem: Roy Buri/Pixabay)

Ao ser questionado sobre a expectativa de adesão ao novo cartão em meio à extrema volatilidade que o bitcoin apresenta, Castellari afirmou que esse é de fato um problema. Mesmo assim, ele espera que o novo produto seja utilizado por seus usuários uma vez que também é oferecida a opção de pagamentos com o saldo em reais dentro da exchange.

“Hoje vemos esse grande problema de volatilidade, o que deixa a criptomoeda menos atraente para se usar no dia a dia. Mas também existem pessoas, os holders, que possuem esse saldo parado e podem sim acabar utilizando o bitcoin no cartão”, disse Castellari.

Contudo, é com o lançamento das stablecoins (moedas digitais mais estáveis, vinculadas a algum ativo ou moeda fiduciária) para pagamentos no cartão que o CEO realmente espera ver uma ampla adesão. “Dentro de alguns meses vamos lançar as outras criptomoedas e uma delas será a USDT, que é pareada ao dólar, assim ela se torna bem interessante para o uso diário já que é bem mais estável”, disse.

USDT possibilitará dolarização de finanças pessoais

Stablecoins podem permitir a dolarização das finanças pessoais (imagem: David McBee/Pexels)

Stablecoins podem permitir a dolarização das finanças pessoais (imagem: David McBee/Pexels)

Com a implementação da USDT para pagamentos com o cartão da Brasil Bitcoin, novas possibilidades serão abertas para as finanças pessoais. Um usuário poderia, por exemplo, converter parte de sua renda para a stablecoin e realizar pagamentos diários com uma criptomoeda que possui o valor de dólar. Como a conversão é feita para reais na hora do pagamento, não seria necessária uma dolarização da economia para isso.

Além disso, conversões de reais para dólares geralmente geram diversas taxas e operações de câmbio mais demoradas do que a aquisição de criptomoedas. Isso é particularmente interessante em tempos de alta inflação e de desvalorização da moeda nacional. A Argentina passa por esses problemas nesse momento e por isso a USDT está sempre entre as três moedas digitais mais utilizadas no país vizinho.

Brasil Bitcoin caminha para se tornar banco digital

“Lançar esse cartão faz parte do processo da Brasil Bitcoin para se tornar um banco, só que das criptomoedas. Agora, nossos clientes podem realizar compras e fazer assinaturas com essa opção”, conta Castellari. Ele afirma que hoje a exchange permite pagamentos de boletos e agora passará a implementar transações com cartão na modalidade crédito, mesmo que o desconto sobre o saldo seja feito na hora. Isso facilita seu uso virtual, uma vez que são poucos lugares que aceitam transações com débito.

No momento, a maior diferença que existe entre a Brasil Bitcoin e bancos convencionais são transferências TED ou Pix. “O usuário ainda não pode enviar ou receber transferências de terceiros, mas já nos encontramos bem próximos de uma instituição bancária”, disse Castellari.

Ele complementa, afirmando que essas questões também serão resolvidas no futuro e que o usuário poderá viver exclusivamente com sua conta na Brasil Bitcoin, se assim desejar. “Com essa forma de operar, pretendemos atingir 250 mil pessoas até 2022”, conclui.

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