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Engenheiro do Google apoia disputa Epic vs. Apple ao criticar WebKit

Alex Russell, do Google Chrome, criticou política da Apple que obriga uso do motor WebKit nos navegadores para iOS

Emerson AlecrimPor

Esta segunda-feira (3) marca o primeiro dia da disputa entre Epic Games e Apple nos tribunais. Curiosamente, a desenvolvedora de Fortnite recebeu, três dias antes do julgamento, um apoio indireto de um engenheiro do Google: Alex Russell, líder do grupo de padrões web do Chrome, publicou um texto em seu blog criticando duramente a postura da Apple de impor o WebKit aos navegadores disponíveis para iOS.

App Store no iPhone (Imagem: André Fogaça/Tecnoblog)

App Store no iPhone (imagem: André Fogaça/Tecnoblog)

Se você procurar por Fortnite na App Store não vai encontrar o jogo por lá. A razão disso é que a Epic não concorda com a taxa de 30% que a Apple cobra como comissão em recursos pagos de aplicativos disponibilizados na loja.

A Epic decidiu então implementar um método de pagamento próprio dentro do jogo, sem ligação com a App Store. O problema é que essa decisão viola as política das Apple, razão pela qual Fortnite acabou sendo banido da loja.

É neste ponto que o texto de Alex Russell se encaixa na briga entre as duas companhias: sem nenhuma surpresa, a Epic Games abriu um processo judicial contra Apple sob acusação de monopólio; indiretamente, a declaração de Russell reforça os argumentos de que esta última segue práticas anticompetitivas.

WebKit em todos os navegadores

O WebKit é muito mais do que o motor de renderização de páginas do Safari. A Apple exige que esse componente esteja presente em todos os navegadores disponíveis para o iOS. Essa é a principal queixa de Russell.

Para o engenheiro, tamanha imposição é abusiva, pois, no seu entendimento, o WebKit sofre atrasos na implementação de recursos importantes ou, em alguns casos, o faz de modo inadequado, sem respeitar padrões web, por exemplo.

Russell vai mais longe. Para ele, a implementação de baixa qualidade de determinados recursos no WebKit força desenvolvedores a recorrerem a soluções alternativas que, para não apresentarem problemas de compatibilidade, também precisam ser abordadas no Firefox, Chrome e outros navegadores disponíveis na plataforma da Apple.

Na visão de Russell, essa situação aumenta os custos de desenvolvimento. Ele também entende que a demora na disponibilidade de recursos no WebKit dificulta a implementação de experiências web mais enriquecedoras em categorias como games, compras e criatividade.

Diante disso, os desenvolvedores sentem-se obrigados a contornar as limitações do motor criando apps nativos para iOS, aponta o funcionário do Google.

Safari no iPhone (imagem: Tatiana Vieira/Tecnoblog)

Safari no iPhone (imagem: Tatiana Vieira/Tecnoblog)

Em resumo, o que Russell argumenta é que a Apple indica aos desenvolvedores que não concordam com as políticas da App Store que a web é uma alternativa, mas que, na prática, as limitações do WebKit dificultam a implementação de determinadas funcionalidades em páginas online.

Como o WebKit é obrigatório em todos os navegadores, não apenas no Safari, os desenvolvedores ficam sem ter para onde correr.

O navegador da Apple para o iOS (Safari) e o seu motor (WebKit) são subaproveitados no desempenho. Atrasos consistentes na implementação de recursos importantes garantem que a web nunca seja uma alternativa viável para as ferramentas proprietárias da plataforma e a App Store.

Alex Russell

Apple nega monopólio

A Apple vem se defendendo das acusações de abusos ou práticas monopolistas em seu ecossistema. A companhia diz, entre seus argumentos, que a cobrança de 30% de comissão na App Store é padrão no mercado, dando como exemplo a Play Store, que tem uma política de taxas semelhante (Fortnite também foi retirado da loja do Google, por motivos semelhantes).

Outro argumento da Apple é o de que, embora 30% seja a taxa máxima, a maior parte dos desenvolvedores não paga mais do que 15% de comissão.

Se era a intenção ou não, o texto de Russell tem potencial para contribuir com os argumentos da Epic contra a Apple. Não está claro, porém, se a companhia irá usar os apontamentos feitos pelo engenheiro no julgamento.

Com informações: 9to5Mac.

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