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Apple AirTag: restrito, mas com rastreamento decente

Preciso e confiável, Apple AirTag é um ótimo rastreador, mas é um produto caro e o Busca Precisa não funciona em iPhones antigos

Darlan Helder Por
Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Bastou a Samsung apresentar o Galaxy SmartTag para a Apple, enfim, lançar o AirTag, um pequeno rastreador inteligente que ajuda a localizar objetos perdidos. O gadget chegou ao mercado seguindo os “mandamentos Apple” que vem dando certo atualmente: foco na privacidade, integração invejável com outros dispositivos da marca e diversos acessórios para o consumidor. No Brasil, ele é vendido por R$ 369 ou R$ 1.249 a caixa com quatro unidades.

Em outros países, os AirTags concorrem com os famosos Tile e Chipolo. Por aqui, os grandes rivais, mesmo, devem ser os Galaxy SmartTag e SmartTag+, da Samsung. Será que faz sentido apostar no produto da Apple? A precisão é tudo isso mesmo? Eu testei os AirTags nas últimas semanas e respondo essas perguntas neste review.

Análise do Apple AirTag em vídeo

Aviso de ética

O Tecnoblog é um veículo jornalístico independente que ajuda as pessoas a tomarem sua próxima decisão de compra desde 2005. Nossas análises não têm intenção publicitária, por isso ressaltam os pontos positivos e negativos de cada produto. Nenhuma empresa pagou, revisou ou teve acesso antecipado a este conteúdo.

O AirTag foi fornecido pela Apple por empréstimo por tempo indeterminado. Para mais informações, acesse tecnoblog.net/etica.

Design

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Moeda, comprimido, disco. É impossível não encontrar referências para definir o design do Apple AirTag. Ainda que tenha um toque de sofisticação padrão Apple, o rastreador é bem discreto, com dimensões enxutas. São 31,9 mm de diâmetro, 8 mm de espessura e 11 gramas de peso, ou seja, ele é um pouco mais pesado que uma moeda de 1 real que tem 7,81 gramas, e, não, ele não cabe na carteira, infelizmente.

Em sua estrutura, o AirTag conta com plástico branco, aço inoxidável e proteção IP67, assegurando que este dispositivo é resistente à água e à poeira. O que Apple não diz é que essa tampa com o logo da empresa risca com muita facilidade; quando eu digo “com muita facilidade”, quer dizer que os ricos vão aparecer assim que você retirar o AirTag da embalagem.

Muita gente vai listar isso como ponto negativo. Eu sei que, de certa forma, é bem chato, mas o aparelho fica o tempo todo “guardado” e não foi feito para ser manuseado com frequência, portanto não vou classificar como negativo neste review. A tampa é responsável por proteger a bateria CR2032 e, para ter acesso à célula, basta girar a tampinha no sentido anti-horário. Um som agudo é emitido quando você insere a bateria — sim, há um alto-falante aqui dentro.

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Em outros países, a parte branca do rastreador pode ser personalizada com emojis ou letras, como as iniciais do seu nome, por exemplo. A Apple confirmou ao Tecnoblog que não descarta trazer esse tipo de customização para o Brasil, mas ainda não há previsão para isso acontecer.

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Uma coisa que você deve ter notado é que os AirTags não têm um orifício para colocar no chaveiro, por exemplo, algo que o rastreador da Samsung já tem. Mas a questão aqui é que a Apple lançou este gadget junto de acessórios. Ou seja, remover o furo foi uma estratégia para vender mais. Eles até enviaram um chaveiro de couro ao Tecnoblog desenvolvido exclusivamente para este dispositivo e, pasmem, o item custa R$ 439 — mais caro que o próprio AirTag.

Em funcionamento

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Antes de adentrarmos na atuação, você deve estar se perguntando os objetos aos quais podemos acoplar os AirTags. A própria Apple dá alguns exemplos: mala de viagem, bicicleta, molho de chaves e guarda-chuva. Logo, estamos falando aqui de itens que você usa no dia a dia e que correm o risco de serem esquecidos em algum lugar. Algumas pessoas têm usado o rastreador no carro e é uma ótima escolha, também. Imagina encontrar o seu veículo facilmente no estacionamento de um shopping ou no supermercado gigante?

Configurar o gadget é uma tarefa muito simples e, digamos, mágica. Tudo o que você precisa fazer, após remover o lacre da bateria, é aproximar o AirTag do seu iPhone ou iPad e, em poucos segundos, surge um balão na tela sugerindo o pareamento. Feito isso, a Apple pede para nomear e registrar o item, este último é necessário caso venha a perder o aparelho. Todas as informações e a localização ficam disponíveis no Buscar (ou “Find My”), um app nativo do iOS, que também ajuda a localizar os seus devices da Maçã.

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

A área dedicada ao rastreador é bem organizada e intuitiva. Ao clicar no botão “Reproduzir som”, o dispositivo emite um sinal não muito alto, porém suficiente para ajudar na procura dele. Ainda há os atalhos “Modo Perdido” e “Notificações”, que explico melhor mais a frente. O “Buscar por perto” é um dos recursos mais interessantes e que promove brincadeiras com este produto.

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Com essa funcionalidade, o próprio iPhone é capaz de guiar a pessoa até a localização exata do objeto perdido. Eu fiz uma simulação no parque e coloquei um AirTag dentro da mochila; no início, o iPhone me mostrava que o sinal estava fraco e pedia para caminhar pelo local; após algumas instruções, o celular conseguiu encontrar a mochila e foi mostrando a distância (a 9, 10 pés à direita / 2 metros à esquerda) ou pedia para ir em frente quando eu estava próximo. A Apple ainda permite acionar o som para facilitar a procura.

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

A mágica por trás disso está no chip ultra-wideband (UWB) que, no caso da Apple, o componente foi batizado de U1 e só está presente no iPhone 11 e superiores. Se o seu iPhone for mais antigo, lamentavelmente você não terá acesso ao Busca Precisa. A meu ver, é um dos principais pontos negativos do produto.

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Ainda sobre o rastreamento, vamos supor que o usuário esqueceu o objeto em um lugar muito distante da sua residência. É possível saber onde ele exatamente está? A resposta é sim e vale até se ele estiver em movimento! A Apple explica que a rede Buscar (a plataforma Find My) pode usar a conexão Bluetooth de outros iPhones para você receber a localização do seu item. A empresa enfatiza que isso é feito em segundo plano, portanto de forma anônima e criptografada.

Aqui no Tecnoblog, por exemplo, o Paulo Higa enviou um AirTag para o meu endereço e ele conseguiu rastrear o gadget com o motoboy. Em outro teste, a minha irmã foi ao mercado com o dispositivo e eu consegui visualizar o ponto exato onde ela estava. Na maioria das vezes, a rede Buscar precisa de alguns minutos para identificar o seu rastreador da Maçã e ele não mostra o aparelho em movimento, como um GPS, por exemplo, então tenha paciência.

E, claro, a empresa pensou em soluções para AirTags perdidos. No app Buscar o dono consegue ativar o “Modo Perdido”. Acionando ele, a Apple pede para adicionar um telefone ou endereço de e-mail para contato. Também é possível ativar as notificações para receber um alerta quando o device for encontrado. Nos meus testes, essa funcionalidade atuou muito bem e a boa notícia é que, embora ele seja exclusivo para o ecossistema Apple, usuários de Android conseguem identificar o proprietário do AirTag pelo NFC do celular.

Autonomia

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

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Com relação à autonomia, a Apple diz em seu site que “o rastreador foi criado para funcionar direto por mais de um ano com uma bateria comum que é bem fácil de substituir. E seu iPhone avisa quando é hora de trocá-la”. Nas letrinhas miúdas, eles consideram uma busca precisa por dia e “quatro episódios de tocar som”. Analisando esse cenário, eu posso dizer que a autonomia é excelente. Assim como o Galaxy SmartTag+, o AirTag tem um chip Bluetooth Low Energy (BLE), que consome menos energia.

Eu infelizmente não pude analisar com precisão como o equipamento drena a bateria. Apesar de mostrar o ícone, a Apple não informa a porcentagem no app Buscar. Isso é simples de resolver e eu espero que a empresa passe a exibir o número em uma breve atualização. Como eu comentei neste review, a substituição da bateria é relativamente simples e é muito fácil encontrar a CR2032 em lojas físicas e online. Não confunda com a CR2022 ou CR2025, que são idênticas a 32, mas têm espessuras diferentes.

Apple AirTag: vale a pena?

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

O AirTag é um rastreador de objetos muito preciso, com integração decente, que já ressaltamos no passado, e extraordinariamente fácil de configurar, mas tudo isso não significa que ele irá atender a maioria das pessoas. Assim como o Apple Watch, eu vejo que este produto, pelo menos nessa primeira geração, é exclusivo para quem já está no ecossistema da Maçã, principalmente se você é dono de um iPhone 11, iPhone 12 ou superior. É uma pena saber que os iPhones antigos não terão acesso ao Busca Precisa.

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Apple AirTag (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Como era de se esperar, a Apple focou na privacidade e até prometeu um aplicativo para Android, com a finalidade de impedir o rastreamento indesejado de pessoas, por exemplo. Os AirTags são ótimos companheiros das suas chaves, do carro, da mochila, da bolsa de viagem e de outros objetos do dia a dia. O que também quer dizer que eles não foram desenvolvidos para rastrear animais de estimação, tampouco pessoas. É bom ver que a Apple deixa isso claro e tenta inibir essas ações.

Atualmente, no meio de uma pandemia, eu não desembolsaria R$ 369 num AirTag, mas é uma opção que eu posso considerar no futuro, principalmente quando as viagens voltarem ao normal. Como eu disse, é uma das opções, porque você encontra modelos que são mais acessíveis, a exemplo do Galaxy SmartTag e do Geonav TLKFBK. No Brasil, também é possível encontrar facilmente acessórios da Tile no varejo. Ainda assim, se estiver imerso no mundo da Maçã, muito provavelmente esta é a escolha certa e dificilmente você irá se arrepender depois.

Comentários da Comunidade

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Thiago Oliveira (@Thiago_Oliveira)

E assim descobrimos que o Windows 10 Mobile estava a frente do seu tempo.
Me recordo de um baita app nativo no sistema operacional da Microsoft com o recurso de localizar o molho de Chaves quando perdido, e ainda com interação com a Cortana.