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Western Digital muda SSD e o deixa mais lento; modelo é vendido no Brasil

SSD WD Blue SN550 passou por mudança "silenciosa" de memória Flash; prática também afeta modelos da Crucial e Samsung

Emerson Alecrim Por

Você decide “turbinar” o seu computador com um SSD, pesquisa por um modelo bem avaliado, faz a compra e, ao instalá-lo, descobre que o desempenho não é o esperado. Defeito? Não. Talvez algum componente tenha sido trocado pelo fabricante sem aviso prévio. É o que aconteceu com o SSD WD Blue SN550, da Western Digital.

Não pense que esse tipo de comportamento é exclusividade da marca. SSDs de companhias como Crucial e Samsung também passaram por trocas “silenciosas” de componentes recentemente.

WD Blue SN550 (imagem: divulgação/Western Digital)
WD Blue SN550 (imagem: divulgação/Western Digital)

WD Blue SN550: antes e depois

Essa história começou quando o site chinês Expreview comprou e testou um SSD WD Blue SN550 fabricado em 28 de julho de 2021. Um dos detalhes estranhos que o veículo encontrou foi o uso de um firmware diferente do original na unidade.

Não se trata de uma simples atualização de software. De acordo com o Expreview, o firmware atual (233010WD) não é compatível com as unidades anteriores da linha WD Blue SN550, assim como o firmware destas (211070WD) não funciona na versão mais recente do produto.

Essa situação sugere fortemente que houve mudanças no hardware, hipótese reforçada pela constatação de que a unidade adquirida pelo Expreview tem uma memória Flash com uma identificação diferente da existente até então.

Para tirar a prova, testes. O site afirma que a unidade mais recente do SSD atingiu uma taxa média de transferência de 390 MB/s (megabytes por segundo) na gravação quando a memória cache da unidade ficou cheia, número quase 50% inferior ao registrado por versões anteriores.

SSDs ainda são relativamente caros, por isso, fabricantes recorrem a alguns artifícios para reduzir custos e, ao mesmo tempo, proporcionar desempenho significativo. Um deles consiste em adicionar à unidade um cache baseado em uma memória Flash mais rápida.

É normal que o desempenho caia quando toda a capacidade do cache é usada. Porém, o teste do Expreview mostrou que a degradação da unidade mais recente é muito maior que a da versão original.

Logo ficou claro que houve mudanças na memória Flash da linha. O usuário que realiza tarefas simples pode não notar nenhuma diferença, mas aquele que precisa transferir vídeos gigantescos em 4K, por exemplo, pode ser bem afetado pela performance inferior.

SSD WD Blue SN550 de 2 TB (imagem: divulgação/Western Digital)
SSD WD Blue SN550 de 2 TB (imagem: divulgação/Western Digital)

Western Digital promete mais transparência

Mudar as características de um produto não é um “crime”. Isso pode acontecer, por exemplo, quando um fornecedor não consegue dar conta da demanda. No caso do WD Blue SN550, é possível que a mudança tenha sido motivada pela atual escassez global de semicondutores.

O problema é que a mudança precisa ficar clara para o consumidor. Essa linha de SSDs foi lançada em 2019. Se o usuário se basear em uma avaliação do produto publicada naquele ano ou em 2020, por exemplo, vai correr o risco de comprar uma unidade recente (e modificada) que não condiz totalmente com os resultados dos SSDs anteriores.

Após o assunto vir à tona, a Western Digital enviou uma nota ao Tom’s Hardware e a outros veículos para confirmar as alterações no SSD e prometer mais transparência.

WD Blue SN550 é vendido no Brasil

O WD Blue SN550 é um dos produtos que a Western Digital comercializa oficialmente no Brasil. No Kabum, a versão de 1 TB, por exemplo, tem preço oficial de R$ 1.294 (valor que não considera descontos ou promoções).

Por causa disso, o Tecnoblog entrou em contato com a Western Digital no Brasil. A companhia nos respondeu com a seguinte nota (a mesma enviada para outros veículos):

Em junho de 2021, nós substituímos o NAND do SSD WD Blue SN550 NVMe e atualizamos o firmware. Na ocasião, nós atualizamos a ficha técnica do produto. Para trazer mais transparência no futuro, quando fizermos uma atualização em um SSD interno existente, nos comprometemos a introduzir um novo número de modelo sempre que quaisquer especificações relacionadas forem afetadas.

Nós valorizamos nossos clientes e temos o compromisso de fornecer as melhores soluções possíveis para as suas necessidades de armazenamento de dados.

Ainda de acordo com a empresa, a ficha técnica atual do produto (arquivo em PDF) no Brasil condiz com as mudanças mais recentes.

Caso da Western Digital não é isolado

SSDs Crucial P2: duas versões do mesmo produto (imagem: Tom's Hardware)
SSDs Crucial P2: duas versões do mesmo produto (imagem: Tom’s Hardware)

Dias antes da polêmica envolvendo o WD Blue SN550, o Tom’s Hardware apontou que a Crucial trocou a memória Flash TLC do SSD P2 por módulos do tipo QLC, que são mais lentos e tendem a durar menos.

Outro caso recente envolve a Samsung. O ExtremeTech relata que o SSD 970 Evo Plus teve o seu controlador trocado por um modelo inferior que, como tal, fez o desempenho cair em cerca de 50% em determinados testes.

Em ambas as linhas, as mudanças foram efetuadas “na surdina” e, provavelmente, não teriam sido descobertas se não fossem os testes independentes.

Em nota, a Crucial informou que divulga para a linha P2, desde o seu lançamento, números de desempenho baseados em QLC NAND. O problema é que as primeiras análises independentes do produto foram feitas com unidades TLC, que apresentam resultados mais interessantes.

Até o momento, a Samsung não se pronunciou sobre o assunto.

Vale destacar que tanto o Crucial P2 quanto o Samsung 970 Evo Plus também são comercializados no Brasil.

Comentários da Comunidade

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@teh

Mas a taxa de transferência é atualizada na descrição do produto? Pois isso daria um belo processo,.não?

@ksio89

A Western Digital também já havia feito downgrade na linha WD Green SATA, a versão G2 é muito mais lenta que a G1 por causa de componentes inferiores, segundo avaliação do finado Clube do Hardware.

A Adata/XPG é outra que também costuma fazer downgrade nos seus SSDs e fica quietinha. Aliás, acho que todas fazem, e bem antes da escassez de chips, só que agora a prática ficou descarada.