Os leitores desta coluna já me ouviram pregar (múltiplas vezes) a respeito das qualidades do celular da Apple como console portátil. A competição entre o iPhone/iPod Touch e os consoles portáteis dedicados é tão evidente que a própria Nintendo admite que a Apple é o inimigo do futuro, não a Sony.

Entretanto, há outro lado do argumento. Enquanto eu e muitos outros gamers – e especialistas do meio também – interpretamos a tendência atual como um sinal de que o console portátil dedicado está no seu leito de morte, há muitos que se opõem à ideia de um console portátil que divide funções de celular e tocador de MP3.

Para mim, um fanboy, seria muito fácil e conveniente simplesmente desconsiderar os argumentos contrários à minha opinião pessoal. Entretanto, muitas críticas dos insatisfeitos têm mérito e merecem ser ouvidas. Portanto, creio que, no interesse da imparcialidade, seria justo reconhecer todas as falhas dos aparelhos iOS como consoles portáteis.

Algumas destas falhas podem ser corrigidas. Outras são inerentes à plataforma e nunca mudarão. De qualquer forma, estes são os X motivos pelos quais o iPhone ainda não é uma plataforma viável de games.

1. Ainda falta uma rede online coerente

A Xbox Live e a PlayStation Network nos ensinaram que uma rede online não é um supérfluo. Ela faz parte intrínseca da experiência do console como um todo. A lição aprendida nos consoles de mesa foi emulada nos aparelhos iOS, de forma que deixou a desejar inicialmente.

As redes online de games nos iPhones são mantidas pelos desenvolvedores dos jogos. Por isso, existem várias redes: Open Feint, Gameloft Live, Plus+, Crystal, Agon… E essas são só as que eu consegui lembrar de cabeça. E isso sem contar os jogos que não se submetem a nenhuma rede específica e mantêm seus registros em servidores próprios.

Toda essa fragmentação desnecessária torna a experiência online dos games meio bagunçada, já que você tem que manter várias listas diferentes de amigos e pontuações, por exemplo. É um tanto cansativo ter que manter tantas contas redundantes. Imagina o quão chato seria ter que usar 5 programas diferentes de mensagens instantâneas para poder conversar com todos os seus amigos?

Havia a necessidade de uma centralização.

Em abril do ano passado a Apple lançou a rede pra dominar todas as redes, o Game Center. Entretanto, quase um ano depois, a rede permanece quase inalterada. Nem todos os jogos a usam, por causa da falta de funções básicas como envio de mensagens. Ela serve, essencialmente, para comparar pontuações. A maioria dos jogos que primam por multiplayer online continuam usando suas próprias (e mais robustas) redes sociais.

Até o momento, o Game Center foi um fiasco. Resta à Apple remodelá-lo e torná-lo mais útil.

2. O hardware recebe upgrades muito frequentes

Detratores da Apple sempre criticaram a prática da empresa de renovar seus aparelhos anualmente. Fala-se sobre uma suposta obrigação em migrar para os novos modelos, e de obsolecência programada. Embora seja possível descartar tais reclamações como discurso histriônico vindo daqueles já predispostos a odiar a empresa, nós iOS-gamers sabemos que há, de fato, um fundo de verdade nisso.

Digamos que você comprou um Nintendo DS assim que este foi lançado, em 2004. O primeiro Nintendo DS deixava muito a dever aos seus irmãos mais novos, mas no geral as entranhas digitais – processador, GPU, RAM – eram essencialmente as mesmas. É possível buscar aquele DS velhão no fundo da gaveta, pôr nele um jogo recém-lançado para plataforma, e jogar com performance indistinguível a de um dos modelos mais recentes.

O mesmo não é possível com um iPhone. Se você comprou, digamos, um iPhone 3G (lançado em 2008), os jogos mais recentes não rodarão de forma satisfatória – ou nenhuma – no seu celular. Se você é um gamer que desistiu do seu DS e PSP, e decidiu investir no celular da Apple pensando nos games, no mínimo a cada dois anos você se verá obrigado a fazer o upgrade para a inevitável nova versão do aparelho.

E é uma corrida sem fim. Consoles portáteis seguem o paradigma estabelecido pelos seus irmãos de mesa, que é ter uma vida de aproximadamente 5 ou 6 anos. Já o iPhone recebe um update anual; após dois anos, a sua versão está seriamente defasada.

3. A corrida ao fundo do poço desmotiva desenvolvedores

A AppStore nos beneficiou com uma miríade de jogos, de inúmeras gamehouses diferentes – algumas icônicas, algumas obscuras, e aquelas que se resumem a um cara programando sozinho na garagem – a preços agradabilíssimos. Gamers brasileiros amargaram diversas gerações com jogos custando três dígitos; hoje é possível a um dono de aparelho iOS gastar menos do que um Big Mac e sair da loja virtual da Apple com 3 ou 4 bons jogos.

Entretanto, há um lado negativo para os preços camaradas da App Store. O consumidor comum da loja só navega nas listas de games mais vendidos, que é inteiramente dominada por jogos que custam 1 dólar.

O efeito colateral de um ecossistema de joguinhos baratos é que jogos que custem um pouco mais – sem serem necessariamente onerosos – parecem desproporcionalmente mais caros. Cinco dólares é uma pechincha por um jogo, mas ao lado de jogos de 99 centavos, ele parece cinco vezes mais caro.

Os especialistas chamam este fenômeno de “race to the bottom“, que eu traduziria livremente como “corrida ao fundo do poço”. Os iOS gamers são mal acustomados, e essa exigência de jogos praticamente gratuitos acabará afastando desenvolvedores a longo prazo.

4. Falta de botões físicos

Eu diria que este é, sem dúvida, o maior obstáculo para aceitação do iPhone como console viável. Existem alternativas para falta de controles táteis no iPhone (soluções como o Fling, um pequeno joystick que adere à tela do aparelho, ou o GameBone, que é um add-on que envolve o celular todo e o deixa meio parecido com um PSP). Existem muitos outros.

O problema é que esse tipo de solução é extremamente deselegante. Aplicar gambiarras desse calibre a um aparelho que preza tanto pelo design é de amargar.

O simples fato de que estas geringonças existem é um testamento ao fato de que muita gente não se satisfaz com botões virtuais na tela do aparelho. Como o Steve Jobs originalmente não queria nenhum botão no iPhone, é muitíssimo improvável que a Apple dê o braço a torcer e coloque no iPhone hardware dedicado a jogos, o que torna esse problema definitivo.

E você, o que acha disto? O iPhone satisfaz de forma suficiente como console, ou estes motivos serão eternamente uma pedra de tropeço para plataforma?

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@cidox
Acredito que dentre tais opções a pior é a ausência de botões realmente, não sou usuário de Iphone, mas já joguei muito no mesmo, sinto falta do botão, tenho um MB502, configuro tdo pelo teclado, isso faz uma diferença enorme... Mas vem ai o "playstaion phone", a sony viu esse mercado e tá saindo na frente...
Jairo
Eu digo apenas um motivo... game para celular será sempre caça niquel em plena era do FULL HD com gráficos e fisica cada vez mais realista quem vai perder tempo jogando em minusculas telas de celular... so os nerds
Vinícius Andrade
Como já diz o nome... iPhone é para ser um celular, e não uma plataforma de jogos. Isso já diz tudo =]
@Gustt_Funfarra
Há 1 ano encostei meu psp e peguei um iPod touch pelo tamanho, e versatilidade. Não me arrependi NADA. Agora estou com iPhone 4, e, sinceramente, não me atrapalha em nada ser totalmente touch screen. Claro que botões físicos fazem falta, mas é questão de costume. Há jogos que realmente é horrível jogar, mas em casos como de corrida, não há nem comparação de gráfico/diversão/jogabilidade; no iPhone dá de mil no psp... minha opnião, claro. Pra mim está melhor no iPhone!
@odicesar
Concordo plenamente com os 4 motivos apresentados. Uso meu iPod Touch 3ª Ger. apenas para games mais simples, puzzles por exemplo, pela falta de botões físicos. Sem contar que você tampa boa parte da tela com os dedos. Uma rede única e estável como a Live do Xbox é imprescindível hoje em dia, principalmente para jogos multiplayer. Quanto à corrida para se fazer jogos de 99 centavos, nunca tinha pensado por esse ponto de vista, mas faz todo o sentido. Algumas empresas vão simplesmente pular fora desse barco. Ou lançar versões ultra simples de seus jogos.
TJ
É isso aí Ricardo. O Izzy não consegue separar o gosto pessoal dele do lado profissional para avaliar um produto.
TJ
Isso é que é profissional! Parabéns pelos posts, nem uma criança conseguiria fazer melhor!
Ricardo Bicalho
Izzy, celulares realmente tem limitações, mas conceitos como conectividade instantânea, telas de Alta resolução e portabilidade. Esse último é a velha história do console dentro do celular, porque ele é levado o tempo todo pelo usuário. Gamer hardcore é minoria. Mas há esperança nos tablets. Os games sendo relançados para iPad, minha nossa, nada de casuais. Exemplos: Dead Space, Nova, Infinity Blade, dungeon hunter e Galaxy on Fire. Realmente, com 50 dólares, pode-se comprar games para um ano inteiro, sem exagero. A Gameloft fez uma promoção dia desses, 12 games do catálogo por 1 dólar cada. Eles devem ganhar em volume de vendas.
Rodrigo Fante
Mas qual o problema da maioria serem casuais? se continuarem a crescer e dar dinheiro mais gente vai investir, algumas produtos são capazes de sairem de outras plataformas para investir nessa de "jogos casuais"
Rodrigo Fante
Vê-se que não conheces a plataforma e seus jogadores, eu já joguei por horas no iPhone, é mais comum do que pensas.
Rodrigo Fante
"Acho que os games servem como passatempo no Iphone" Concordo, uso os jogos do meu iPhone como um passatempo, para me divertir, para entreter. E os games no PSP servem para que se não passatempo/diversão/entretenimento?
Rodrigo Fante
Mas ai é que está, a maioria das pessoas não precisa ter os 2 equipamentos, basta 1, no caso o smartphone que é mais completo no quesito funções, claro, o dedicado sempre vai ter seu nicho, mas conforme os smarts evoluem os dedicados virarão cada vez mais nicho mesmo.
Ramon Melo
Izzy, não digo que concordo com você, mas, sem nenhuma dúvida, você resumiu as preocupações dos fãs de jogos portáteis. O artigo está excelente! Os motivos 3 e 4 são os principais pelos quais não acredito em celulares como plataformas válidas para games. Isso não quer dizer que as pessoas não possam jogar nele sempre que quiserem, mas, para quem exige mais dos games, os smartphones trazem uma sensação de vazio, de superficialidade mesmo. Vejo jogos como Gran Turismo, God of War e Monster Hunter e não enxergo a mesma profundidade dos jogos no iOS. Não consigo imaginar, por exemplo, um jogo que exija 40+ horas para ser zerado no iPhone, enquanto o DS e o PSP têm um número razoável dos mesmos. Aliás, o simples fato dessa discussão estar ocorrendo é a prova cabal de que o iOS não é uma plataforma adequada para gamers mais tradicionais. Estamos comparando uma plataforma de 2010 com outras lançadas em 2005 que já estão substituídas! Se a comparação fosse entre o 3DS e o iOS, aí sim, seria algo mais justo. Mas quem cometeria tal insanidade?
@jefersonss
Certamente esses são empecilhos que irão atravancar o desenvolvimento de jogos mais robustos para essa plataforma. Ponto para a Sony que não tem nada a ver com a excentricidade do Steve (Ideas and no) Jobs e sua relutância em não adaptar seus iProdutos ao mercado e sim insistir no contrário.
? Renato Gasoto
Poe no google Infinity blade, please ;D Pra todas as pessoas que ja mostrei o Infinity, não houve UMA que nao falou que os gráficos dele põem no chinelo até ps2 Tirando isso, acho que foi exatamente o que eu disse, não? não busco uma plataforma ultimamente perfeita pra gaming, mas suficiente pra eu me divertir quando estiver entediado, sem precisar carregar algum outro dispositivo comigo
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