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A Sony e o novo PSP: pura teimosia

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8 anos atrás

Às vezes acho que não deve haver um adjetivo melhor para a Sony do que “teimosa”. Estamos a apenas alguns meses do lançamento do PS Vita, e a gigante japonesa de entretenimento aparentemente decidiu espremer o idoso PSP até a última gotinha. Mesmo após o mercado em geral ter decidido que não liga tanto assim para o portátil.

No mês passado, a Sony apresentou na Gamescom um novo modelo de PSP, com um preço mais acessível e lançamento exclusivo no mercado europeu. Pra reduzir a etiqueta de preço, a fabricante removeu do console a placa wifi — uma função que o portátil tinha desde o primeiro modelo — e um dos altofalantes.

Há alguns motivos pelo qual o PSP E1000 passou despercebido

Como consequência, o novo PSP é um pouco mais barato, mas incapaz de jogatina multiplayer ou online e não serve como aparelho de navegação na internet (não que ele servisse muito pra isso antes, mas ao menos a opção estava presente).

Aliás, estou curioso: algum dono de PSP, a essa altura do campeonato, ainda utilizava o console como instrumento de acesso à internet? Sei que nem todos temos smartphones ou tablets, mas ainda assim usar o PSP pra acessar a web me parece extremamente retrógrado. Pra mim, é quase como acessar a internet num Palm Pilot.

As atualizações do sistema operacional serão feitas através dos UMDs de jogos mais recentes, que carregarão os updates; games adquiridos na PlayStation Store poderão ser transferidos para o portátil através do programa Media Go (que é uma espécie de iTunes para o PSP).

O som mono resultado da presença de um único altofalante também não é o ideal, mas o problema é facilmente contornável com um simples par de fones de ouvido.

Ironicamente, esse PSP com menos hardware é um pouquinho maior — ou talvez não tão ironicamente assim, já que miniaturização é um componente caro do processo de manufatura. Enquanto o PSP-3000 mede 169,4 × 18,6 × 71,4 milímetros, o novo modelo (cujo nome é PSP E1000; imagino que o E seja a inicial de “Europe”) tem como  dimensões 172,4 × 21,6 × 73,4 milímetros. Não é exatamente um aumento absurdo, mas considerando que o PSP já forçava um pouco a definição de “portátil“, qualquer aumento importa.

O PSP-3000 custa 130 euros (R$ 302) atualmente; o PSP E1000 custará apenas 100 euros (R$ 232). Economizar trinta euros (o equivalente a quase R$70) pra perder wifi, a capacidade de jogar com amigos e o som estéreo não parece uma troca valiosa.

Outro mistério é a decisão de lançar o console apenas no território europeu. A meu ver, uma estratégia mais válida seria lançar o novo portátil nos chamados “mercados emergentes”, onde há um interesse cada vez maior por eletrônicos do gênero e o preço reduzido certamente atrairia consumidores. Compreendo não lançarem na América do Norte (aqui por essas bandas, após o fracasso do PSP Go e o iminente lançamento do PS Vita, a marca “PSP” já está saturada), mas acho estranho a Sony perder a oportunidade de injetar o console na América Latina, por exemplo.

Por outro lado, combina com a tradição da indústria de games de esquecer da turma do Hemifério Sul.

Mais estranho ainda é a mera existência do PSP E1000. Eu acreditava que o próprio nome do PS Vita era a prova da falta de fé que a Sony tem na marca PSP. O nome do novo console parece dizer nas entrelinhas “isso aqui não é apenas mais um PSP, é um conceito completamente novo”. Aí ela vai e retorna ao mesmo poço vazio de outrora, pra mais um relançamento antes da inevitável morte do console.

E dessa vez, com funções a menos.

PSP E1000

Não dá sequer pra profetizar “fracasso” do PSP E1000 porque, a meu ver, o conceito inteiro é fracassado desde a prancheta de desenho. Reduzir preço às vezes ajuda a alavancar um console moribundo (vide o 3DS, cujas vendas dispararam após aquele corte de 80 dólares), mas o console da Nintendo tem a vantagem de ser novidade. O PSP completa neste ano seu sétimo aniversário; no vernáculo popular, “já deu o que tinha que dar”.

Seria um pouco mais interessante ver um PSP de custo reduzido em locais como América Latina ou Índia. Afinal, aumento de base instalada costuma fazer maravilhas com a popularidade de uma plataforma entre desenvolvedores. Mas a essa altura do campeonato, um corte insignificante, a perda de funções importantes e um mercado tão limitado me fazem ter poucas esperanças pelo PSP E1000. Parece ainda mais sem fundamento que o PSP Go, que eu já achava ser o último fôlego do PSP antes do inevitável sucessor.

Vejo o PSP E1000 como uma tentativa insignificante de emplacar um console quase morto no que parece ser o último mercado onde ele ainda não foi completamente rejeitado, de acordo com pesquisas demográficas da Sony. Tal qual o PSP Go ou o Game Boy Micro, morrerão silenciosamente, e a única memória deles será “O que diabos eles estavam pensando? Qual era o propósito daquilo?”.

Essa Sony é teimosa mesmo.

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