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Por que o Google Phone pode não ser uma boa idéia

Henrique Martin
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sem rabo preso

No último final de semana pipocaram informações sobre o Google Phone, ou Nexus One, um aparelho a (teoricamente) ser fabricado pela HTC com a marca Google e vendido diretamente ao consumidor final nos Estados Unidos. Mas que diabos isso significa para o mercado de smartphones?

Será esse o Google Phone?

Nexus One, o Google Phone

Até onde sei, o Google é parte da Open Handset Alliance, entidade responsável pelo desenvolvimento do sistema operacional Android. Até aí, tudo bem. Só que a OHA conta com inúmeros fabricantes de hardware (Samsung, HTC, Motorola, LG, Sony Ericsson, Huawei, entre outros, só para citar os que já têm/vão ter aparelhos no mercado brasileiro). E esse fabricante de hardware conta com a liberdade de inovar e modificar o sistema a seu gosto – vide a Motorola, que inseriu a interface/serviço Blur, ou a HTC, com seu incrível visual Sense.

Agora imagine se você é o fabricante, digamos, de um biscoito recheado que conta com um ingrediente secreto produzido por um fornecedor apenas. Esse fornecedor só faz o ingrediente em vários sabores e versões, mas de repente ele te avisa que vai passar a produzir seus próprios biscoitos. O Google entrando oficialmente no mercado de hardware de celulares (e não só o de software) pode vir a fazer o mesmo com seus parceiros na Open Handset Alliance, que fabricam biscoitos, quer dizer, smartphones. E, quem sabe, levar a alguma espécie de separação entre os participantes, que passam a se sentir ameaçados. E quem não lançou o seu Android ainda pode se sentir mais ameaçado ainda.

Vale lembrar que o Android tem determinadas especificações de hardware: Wi-Fi, 3G, GPS são apenas alguns exemplos (a versão chinesa do celular da Dell, o Mini 3iX, não conta: a Dell não é membro da OHA, mas a China Mobile, sim – e ali a questão de ter um smartphone “capado” é outra, política). Uma coisa é verdade: um Google Phone tem o incrível poder de se tornar o celular perfeito na visão de como o Google sempre quis que um telefone fosse (é um pensamento um tanto Apple, convenhamos).

Outro fator importante na existência de um Google Phone e que precisa ser esclarecido é como esse aparelho vai ser vendido no seu primeiro (e provável único, ao menos no começo) mercado: os Estados Unidos. Diferente da Europa (e até mesmo do Brasil), a questão do subsídio das operadoras é forte entre os americanos – compradores de iPhone por 199 dólares que o digam na AT&T. O preço é baixo porque o comprador está preso a um contrato de dois anos (pelo menos) à operadora. No Brasil, regras da Anatel impedem contratos superiores a um ano (e por isso, além dos impostos, lucro e ganância, pagamos tão caro por celulares aqui, mas isso é outra história).

Imagino as manchetes na linha do “Google lança Google Phone desbloqueado”. Lindo, com tudo que o Android tem a oferecer, sem nenhuma trava da operadora. Preço? 600 ou 700 dólares. Dá-lhe a imprensa local malhando, já que não tem apoio “oficial” da operadora, que também não se interessa muito num aparelho 100% desbloqueado. Aguardo ainda detalhes – e posso até estar bastante errado -, mas que vai dar algum tipo de confusão, ah, sim, isso vai.

(foto via Engadget)

Henrique Martin

Henrique Martin, Jornalista formado pela PUC-SP, tem 11 anos de experiência com comunicação e internet. Cobre a área de tecnologia desde 1999, quando foi repórter na Folha de S.Paulo. Desde então, passou por veículos como PC Magazine, Macworld, PC World, The Industry Standard e Folha Online, entre outros. Hoje é dono do Zumo.

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