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Grand Chase me tirou muito dinheiro (mas me deu amigos para a vida toda)

Ao longo dos nove anos em que joguei Grand Chase, criei vínculos profundos e vivi momentos inesquecíveis, apesar de ter gastado bastante dinheiro pelo caminho

Murilo Tunholi

Por

Especial
Grand Chase (Imagem: Divulgação/KOG)
Grand Chase (Imagem: Divulgação/KOG)

Grand Chase sempre será um dos jogos mais importantes da minha vida. Durante nove anos, entre 2006 e 2015, dediquei muito tempo — e dinheiro — evoluindo meus personagens e me divertindo. Por ser um game online, ainda pude conhecer pessoas maravilhosas, que, com o tempo, se tornaram meus melhores amigos. Nas linhas a seguir, compartilho algumas lembranças que cultivei nesses anos de aventura por Ernas.

Uma época em que tudo era mais simples

Na época em que Grand Chase chegou ao Brasil, em 2006, lembro de vivenciar uma empolgação coletiva com amigos no colégio. Naquele tempo, a publicadora Level Up era referência no mercado brasileiro por causa do sucesso do MMORPG Ragnarok Online — outro jogo que faz parte da minha vida até hoje. Por isso, todos estavam animados com a estreia de mais um game da empresa.

A internet não era tão acessível quanto hoje, principalmente na região onde moro. Então, as novidades demoravam a chegar e não existiam muitos sites especializados trazendo informações sobre Grand Chase. Tudo o que a gente sabia era que o jogo ia ter três personagens femininas e gameplay de ação com visão lateral.

Gameplay de Grand Chase era simples e divertida (Imagem: Divulgação/KOG)

A dublagem era o maior diferencial de Grand Chase

Um dos pontos que mais me chamou atenção no game foi a jogabilidade diferente de tudo o que eu já tinha visto em jogos online, até então. Eu era jogador de Ragnarok Online, MU Online, e outros MMORPGs baseados em clicar com o mouse para se mover e atacar.

No caso de Grand Chase, você só precisava do mouse para navegar pelos menus. Todo o combate dependia apenas da sua habilidade no teclado, e isso era incrível para mim.

Apesar de ter amado a gameplay logo de cara, outra característica do jogo me fisgou com muito mais força: a dublagem das falas dos personagens em português do Brasil. Quando ouvi a espadachim Elesis falando “Golpe Fatal!” pela primeira vez com a voz inesquecível de Samira Fernandes, me apaixonei pelo game.

O modo Sobrevivência era o ápice da diversão

Grand Chase tinha até campeonato de PvP no Anime Friends, em São Paulo (Imagem: Reprodução/YouTube Level Up)

Essa forte conexão me fez dedicar nove anos da minha vida ao jogo. Ao longo desse tempo, conheci pessoas de diferentes personalidades e origens, mas que tinham algo em comum: o amor por Grand Chase.

Lembro até hoje das madrugadas passadas em claro jogando o modo Sobrevivência, do PvP (jogador contra jogador), com meus amigos enquanto ficávamos conversando pelo MSN ou Skype. Durante essas horas, era como se não houvesse nenhum problema acontecendo na vida real.

Estar perto dessas pessoas me fazia bem, porque eu me sentia incluído de verdade naquele grupo. A gente ria juntos, fofocava e às vezes até brigava, mas tudo ficava bem depois de um tempo. Grand Chase era como um fio condutor que nos conectava cada vez mais, conforme íamos jogando e evoluindo ao mesmo tempo.

Microtransações exageradas eram um problema

Para ficar forte em Grand Chase, era preciso gastar dinheiro (Imagem: Murilo Tunholi/Tecnoblog)

Havia, porém, um problema que prejudicava muita gente: a necessidade de gastar dinheiro real para ficar mais forte no jogo. Por ser um game gratuito, Grand Chase sempre se apoiou em microtransações para lucrar — prática bastante comum no mercado de videogames.

Entretanto, em certos casos, a vantagem concebida pelos itens de cash — a moeda virtual comprada com dinheiro real — era exagerada. Por causa disso, o jogo ficou conhecido por ser “pay to win” (pagar para vencer, em português).

Quando você está jogando com amigos, é normal não querer ficar para trás. Alguns conteúdos exigiam personagens fortes, e isso colocava um peso nos ombros das pessoas, as quais se sentiam obrigadas a gastar dinheiro. Durante esses nove anos no game, devo ter investido por volta de R$ 4 mil na minha conta.

Foi um gasto considerável? Sim, mas não me arrependo, mesmo perdendo minha conta após o encerramento dos servidores da Level Up, em 2015. Além de ter me divertido muito e conhecido pessoas maravilhosas, a quantia que gastei em cash foi diluída ao longo dos anos. Assim, o dano à carteira não foi tão grave no final das contas.

O fim de Grand Chase encerrou alguns vínculos

Encerramento de Grand Chase teve concerto ao vivo no Brasil para celebrar o jogo (Imagem: Reprodução/YouTube Level Up)

Como citei logo acima, tudo estava ótimo até o fatídico dia em que a Level Up anunciou o encerramento dos servidores de Grand Chase no Brasil, em janeiro de 2015.

Naquela época, a desenvolvedora sul-coreana do jogo — a KOG Games — não deu explicações muito claras sobre o desligamento do game. Só lembro de sentir uma tristeza profunda, porque era como se um pedaço da minha vida estivesse sendo apagado do nada.

Não fiquei pensando muito no dinheiro gasto ou no tempo dedicado ao jogo, que não voltariam para mim. Na minha cabeça, a maior perda seria não ter mais aquele game que me conectava aos meus amigos. As relações construídas e as histórias vividas poderiam ser perdidas para sempre. Só a ideia de passar por isso já era doloroso demais.

Com o encerramento do jogo, algumas amizades realmente se enfraqueceram e precisei dar adeus para algumas pessoas. Algumas relações têm início, meio e fim, mas isso não significa nada ruim. Certos indivíduos passam pelas nossas vidas, nos marcam e vão embora, assim como o ciclo natural do mundo.

Por outro lado, consegui manter mais amigos por perto do que imaginava. Lá atrás, em 2006, era complicado manter contato, porque a internet tinha limitações. Hoje em dia, há diversas formas de se manter presente, mesmo distante. Foi assim que continuei próximo dos meus melhores amigos, os quais já estão há mais de 10 anos comigo.

O jogo termina, mas as lembranças continuam

Grand Chase acabou, mas as memórias continuam vivas (Imagem: Divulgação/KOG)

Apesar do jogo ter acabado, as lembranças e os vínculos vão ficar guardados para sempre comigo. Sei que Grand Chase voltou pelo Steam, mas prefiro manter as boas memórias do passado.

O game é igual, mas o sentimento ao jogar não é mais o mesmo. Nesse caso em específico, não há como negar meu saudosismo.

Para você, leitor, qual jogo marcou a sua vida durante anos? Tem alguma experiência parecida com essa que você acabou de ler? Compartilha sua história com a gente na Comunidade do Tecnoblog!