Vale a pena jogar? Pokémon Brilliant Diamond e Shining Pearl

Pokémon Brilliant Diamond e Shining Pearl estão entre nós. Os dois jogos valem a pena? Reunimos duas opiniões para descobrir e decidir!

Felipe Vinha
Por
Pokémon Brilliant Diamond e Shining Pearl estão disponíveis (Imagem: Divulgação/Nintendo)

Pokémon Brilliant Diamond e Shining Pearl, os dois remakes da chamada “geração Sinnoh”, estão entre nós. Os dois jogos foram lançados para o Nintendo Switch e também preparam terreno para os próximos grandes lançamentos da saga, enquanto entregam o retorno de clássicos aos fãs. O que achamos deles? Vale a pena jogar?

Como são dois games, ainda que com experiências bem próximas, este texto conta com a participação de dois exímios treinadores, que debulharam a aventura e compartilham suas experiências particulares a seguir, sem necessariamente ter ordem de preferência – você pode ler as opiniões em separado, inclusive, ou ignorar uma ou outra, justamente como acontece com estes jogos.

YouTube video

Sem mais delongas, confira:

O que acha o treinador Felipe Vinha

Vou te dizer que ando com tanta coisa para jogar e aproveitar com os lançamentos de fim de ano que até cheguei a esquecer que Pokémon Brilliant Diamond e Shining Pearl seriam lançados agora, no finalzinho de 2021. Isso diz muito sobre o que acompanhei ou me impressionei previamente com os jogos, já que lembro muito mais de Pokémon Legends: Arceus, previsto para o início de 2022.

Mas bom, vamos lá. Brilliant Diamond e Shining Pearl começa da mesma maneira que as versões clássicas, lançadas em 2007 no Nintendo DS, te colocando para escolher seu treinador ou treinadora. Há claras adições aqui que vieram de jogos mais recentes, como a possibilidade de escolher personagens com tons de pele mais diversos, ainda que sigam de maneira bem limitada.

A famigerada escolha, qual seu Pokémon inicial? (Imagem: Divulgação/Nintendo)

Logo o jogo denuncia seu estilo gráfico. Brilliant Diamond e Shining Pearl optaram por seguir um estilo “SD”, ou Super Deformed, como é chamado. Este é um estilo de design que era muito popular nos anos 90, devido a limitações de hardware dos consoles da época. Os personagens só apareciam super detalhados e mais realistas em algumas cenas. Em quase todo o jogo eles eram miniaturas de si mesmos, com proporções diferentes, como um “cabeção” – daí o termo “SD”, que mais tarde também passou a ser conhecido como “chibi”, em alusão a um termo japonês para “pequeno”.

Preciso reforçar que não tenho absolutamente nada contra o estilo. Final Fantasy 7 é um dos meus jogos favoritos até hoje e tem essa mesma escolha de design. Mas tudo depende do trabalho artístico feito em cima do desenho de cada personagem e seus gráficos. Aqui em Brilliant Diamond e Shining Pearl tudo me pareceu um pouco… genérico demais, talvez?

Não sei expressar ao certo a impressão que o estilo artístico escolhido me causa neste jogo em especial, mas estranheza é uma palavra que parece adequada. Talvez a falta de contorno nos personagens faça com que pareçam básicos demais, pois as proporções realmente são diferentes e únicas.

Mas vamos falar do que interessa, de fato, em um jogo de Pokémon. A jogabilidade é boa? É o mesmo esquema clássico de sempre? Sim e não. Aqui os remakes seguem de perto o que tem nos originais, o que eu acho um erro. Talvez se optassem pelo esquema de captura de Pokémon Let’s Go Eevee e Let’s Go Pikachu eu teria sentido uma renovação mais completa. Sei que aquele esquema de captura sem batalhas não agradou todo mundo, mas senti que foi algo diferente de verdade. Não me pareceu estar jogando um game de 15 anos atrás.

Game segue um estilo gráfico “chibi” (Imagem: Divulgação/Nintendo)

Temos algumas pequenas inovações, mas bem poucas. Tudo aqui te passa a impressão real de estar jogando o mesmo jogo do Nintendo DS, apenas um pouco mais bonitinho. Fica aquela ideia de que a The Pokémon Company só resolveu lançar Brilliant Diamond e Shining Pearl para “cumprir tabela”, já que a empresa está relançando, de tempos em tempos, seus games mais antigos para gerações mais recentes – desde os excelentes FireRed e LeafGreen.

Curiosamente, a produção destes novos Pokémon ficou a cargo de uma companhia terceirizada, a japonesa ILCA, que nunca lançou um jogo de fato, mas colaborou com diversos lançamentos da indústria, como Yakuza 0, Nier Automata, Ace Combat 7 e Naruto Shippuden Ultimate Ninja Storm 4. Talvez pela inexperiência, sinto que a empresa não conseguiu trazer a forma clássica da The Pokémon Company para a produção.

Isso não apenas rendeu um game com poucas inspirações, como também com problemas. Rolaram alguns numerosos relatos de jogadores nos fóruns e YouTube sobre bugs e glitches, alguns que permitem que os usuários se aproveitem para clonar Pokémon ou itens. Este é um tipo de falha que a The Pokémon Company sempre procurou evitar com muito esmero. Ver que aconteceu no primeiro game que entregam na mão de uma equipe externa passa uma mensagem errada, bem errada.

Ainda é um Pokémon e continua fofo (Imagem: Divulgação/Nintendo)

De qualquer forma, vou ser sincero: no fim das contas, é Pokémon. Se você gosta muito da série como um todo e não quer esperar quase dois meses para Arceus, vai sem medo. Se não for tão fã assim da saga ou dos Diamond e Pearl originais, espere uma promoção ou ganhar de presente, pois esse daqui é um dos lançamentos mais apagados do ano.

O que acha o treinador Murilo Tunholi

A quarta geração de Pokémon é, sem dúvidas, uma das minhas favoritas, e Brilliant Diamond e Shining Pearl conseguiram me transportar de volta para 2007, quando desbravei a região de Sinnoh pela primeira vez. Porém, agora, a experiência foi bem melhor, por causa das diversas melhorias introduzidas nos jogos mais recentes da franquia.

Batalhas apresentam um visual mais moderno (Imagem: Divulgação/Nintendo)

Os remakes de Pokémon Diamond e Pearl são bastante fiéis aos games originais, e isso pode não agradar a todos. Por achar os títulos para Nintendo DS incríveis, gostei muito do que foi feito nessas novas versões para o Switch. Entre os principais destaques positivos posso citar os gráficos, a trilha sonora e o Grand Underground, mas já falo mais sobre ele.

O desenvolvimento de Brilliant Diamond e Shining Pearl ficou nas mãos da ILCA, e a produtora fez um belo trabalho inspirado nos primeiros jogos da franquia. As personagens no estilo chibi — com corpo pequeno e cabeça grande —, assim como toda a região de Sinnoh, foram muito bem feitas e trouxeram uma baita sensação de nostalgia. As músicas reformuladas fecham o pacote, sendo uma das melhores trilhas sonoras de todos os games principais da série.

Por mais que os remakes tenham poucas novidades em relação aos títulos antigos, o Grand Underground compensa a falta de alguns conteúdos e garante muitas horas de jogatina. No subterrâneo, dá não só para escavar fósseis e itens raros, como também capturar Pokémon exclusivos e fortes, e caçar monstrinhos brilhantes com mais facilidade — coisas que faltavam em Diamond e Pearl originais.

Capture e batalhe, como em todo Pokémon (Imagem: Divulgação/Nintendo)

Como nem tudo são flores, os remakes pecam em alguns pontos. Se você estiver procurando desafios, esses podem não ser os jogos ideais. Os líderes de ginásio, a Elite dos Quatro e a campeã Cynthia devem dar um pouco de trabalho, mas todas as outras batalhas são fáceis até demais.

Para contornar isso, há as revanches com treinadores depois de vencer a Liga. Só assim eles usam times completos com seis Pokémon e estratégias de partidas competitivas de alto nível.

Em Brilliant Diamond e Shining Pearl, a experiência geral é muito parecida com os jogos originais da quarta geração, então não espere por uma aventura revolucionária. Também não pense que vai encontrar conteúdos de Pokémon Platinum, porque esses remakes se baseiam somente em Diamond e Pearl.

Os novos Pokémon contam com algumas novidades (Imagem: Divulgação/Nintendo)

Deixando as expectativas de lado, os remakes da quarta geração de Pokémon entregam tudo de melhor que Sinnoh tem e mais um pouco. Se você quer reviver essa época ou nunca experimentou Diamond, Pearl ou Platinum originais, vale muito a pena dar uma chance para Brilliant Diamond e Shining Pearl.

Felipe Vinha

Ex-autor

Felipe Vinha é jornalista com formação técnica em Informática. Já cobriu grandes eventos relacionados a jogos, como a E3, BlizzCon e finais mundiais de League of Legends. Em 2021, ganhou o Prêmio Microinfluenciadores Digitais na categoria entretenimento. Foi autor no Tecnoblog entre 2020 e 2022, escrevendo principalmente sobre games e entretenimento. Passou pelos principais veículos do ramo, e também é apresentador especializado em cultura pop.

Relacionados

Relacionados