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Petrobras bate recorde de patentes registradas no INPI em 2021

Petrobras registra 112 patentes em 2021 e supera recorde anterior de 2014; universidades públicas como UFMG e USP também estão no topo do ranking

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A Petrobras bateu o recorde e é a empresa brasileira com maior número de patentes depositadas no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). A estatal entrou com pedido para protocolar 112 produtos ou serviços até 23 de dezembro de 2021, superando a marca anterior de 111 registros, estabelecida em 2014 pela Whirlpool. A maioria das tecnologias relacionadas aos pedidos está relacionada à exploração de gás natural e energias renováveis, segundo a petrolífera.

Edifício sede da Petrobras (Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)
Edifício sede da Petrobras (Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Petrobras bate seu próprio recorde de patentes no INPI

Com a nova marca de pedidos, a Petrobras bateu também seu próprio recorde de patentes registradas em um único ano. Em 2005, a estatal protocolou 95 tecnologias no instituto. Já em novembro, segundo dados do INPI, a companhia atingiu a marca de 80 pedidos — são 13 a mais que a Marcopolo, empresa de transportes coletivos e segunda colocada do ranking de 2021. No total, foram feitos 4.118 registros no INPI em 2021.

O registro de patentes no INPI é o primeiro passo para assegurar uma nova tecnologia, sendo possível comercializá-la após a confirmação do registro. É um mecanismo importante para empresas que atuam com commodities, como o petróleo.

A estatal estava subindo nas colocações de empresas que mais registram patentes. Em 2019, ela ficou em quinto lugar. Já no ano passado, a Petrobras ficou na segunda posição da lista. A companhia é a empresa que mais possui registros ativos de patentes no Brasil e no exterior, com 1.067 registros.

Em comunicado, a Petrobras afirma que a maioria dos 112 patentes registradas está relacionada a demandas de exploração, produção, refinamento, gás e energia, fontes renováveis e desenvolvimento sustentável, como descarbonização e redução de emissões. A estatal planeja investir R$ 1,6 bilhão em transformação digital e inovação pelos próximos 5 anos.

Joaquim Silva e Luna, presidente da Petrobras, diz que o recorde se deve ao trabalho “incansável” da companhia, que conta com o maior centro de pesquisas da América Latina, o Cenpes (Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Leopoldo Américo Miguez de Mello). A instalação tem 8 mil equipamentos e 147 laboratórios e plantas pilotos.

O diretor de Transformação Digital e Inovação da Petrobras, Nicolás Simone, afirma:

“A companhia é uma das que mais investem em inovação no país. Somos parte de um grande ecossistema de inovação e compartilhamos nossos desafios com startups, universidades e empresas, estimulando o desenvolvimento de soluções tecnológicas que atendam às nossas demandas e nos preparem para o futuro.”

Universidades públicas são maioria no registro de patentes

Novamente, segundo os dados do INPI, três das cinco organizações que mais protocolaram patentes de inovação são universidades públicas: a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Federal de Campina Grande (UFCG — com 67, 61 e 54 registros, respectivamente.

Em julho, outra pesquisa divulgada pelo INPI apontou que as universidades públicas são responsáveis por 76% de todas as patentes de inovação registradas entre 2014 e 2019.

Neste ano, o governo retirou parte de um repasse de R$ 690 milhões ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A medida pode afetar a chamada universal de bolsa do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Isso se traduz em menos orçamento para pesquisas.

A Petrobras afirma que, até o dia 30 de dezembro — último dia do INPI para registrar patentes —, seu número de registros deve aumentar. A estatal foi a empresa que mais protocolou pedidos entre 2014 e 2019, segundo levantamento do INPI.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que não descartou privatizar a Petrobras em um segundo madatato de Bolsonaro. A estatal está na mira do atual governo, conhecido por sua política de desestatização. Em junho, a petrolífera vendeu sua participação de 41% na BR Distribuidora, que se tornou 100% privada.