CEO conta por que vendeu o Figma para a Adobe (além do dinheiro, é claro)

Adobe comprou o Figma por US$ 20 bilhões; Dylan Field, CEO e cofundador da startup de design, comenta os bastidores da transação

Bruno Gall De Blasi
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Adobe oficializou a aquisição do Figma por US$ 20 bilhões em setembro. Agora, o executivo responsável pela plataforma explicou os motivos por trás da venda da empresa, além do dinheiro, ao TechCrunch. Segundo o CEO e cofundador da companhia, Dylan Field, a transação pode ajudar a expandir a solução de design.

Adobe oferece US$ 20 bilhões para comprar a Figma (Imagem: Reprodução)
Adobe ofereceu US$ 20 bilhões para comprar a Figma (Imagem: Reprodução)

Os bastidores da transação foram revelados nesta quinta-feira (20). O CEO do Figma entrou em mais detalhes sobre a venda da startup. De cara, Field afirmou que a Adobe é “uma empresa fundamental e realmente impressionante”. “Quanto mais eu passava tempo com as pessoas de lá, mais confiança construímos”, disse.

Não há dúvidas em relação ao impacto da Adobe no mercado. Atualmente, a empresa produz os principais aplicativos para quem trabalha com design, como é o caso do Photoshop, Illustrator, Premiere e InDesign. A companhia só não conseguiu bater de frente com o próprio Figma, resultando na oferta à plataforma.

E é justamente esta importância que chamou a atenção do executivo. Ainda na conversa, Field observou que formou a tese de que a “criatividade é a nova produtividade”. Mas, segundo o cofundador do serviço, não havia recursos para levar esta ideia adiante no Figma. E é aqui que entra a participação da Adobe.

“Se quisermos ir e fazer com que possamos entrar em todas essas áreas de maior produtividade, isso levará muito tempo”, afirmou. “Ser capaz de fazer isso no contexto da Adobe, acho que nos dá uma grande vantagem e estou muito empolgado com isso.”

Adobe XD é uma ferramenta voltada para profissionais de design
Adobe XD é uma ferramenta voltada para profissionais de design (Imagem: Mika Novo/Unsplash)

Adobe quer aprender com a plataforma

A aproximação entre as duas empresas ainda pode render outros frutos para a Adobe, além do dinheiro. Segundo o cofundador, a companhia quer “aprender com o Figma”, especialmente com novos modelos de negócio. Afinal, o Creative Cloud não é um exemplo de plataforma inclusiva, muito menos agrada toda a comunidade.

Isto até pode fazer sentido. Todavia, não dá para esconder o fato de que o Adobe XD ficava atrás do Figma. Afinal, mesmo pertencendo a um colosso da indústria de design e audiovisual, o aplicativo de edição só gerava US$ 15 milhões de receita anual recorrente após sete anos de investimento. 

Enquanto isso, o Figma gerava uma receita de US$ 400 milhões.

Figma (Imagem: Alexandre Chátov/Unsplash)
Figma (Imagem: Alexandre Chátov/Unsplash)

Figma quer design acessível, mas a Adobe é muito cara

Mas, ainda que a empresa possa ajudar a manter os objetivos do Figma de pé, Field expõe uma ideia que a Adobe parece não concordar muito bem. Durante a entrevista, o executivo ressaltou que a visão da plataforma é fazer com que o design seja acessível a todos. O grande porém é que a nova dona da solução é justamente uma companhia que dificulta este acesso devido aos seus preços quase proibitivos.

Peguemos os valores do Creative Cloud. No Brasil, o plano Fotografia, com o Photoshop e Lightroom, custa R$ 43 ao mês no plano anual com cobranças mensais. Ou seja, R$ 516 ao manter a assinatura por doze meses, enquanto rivais, como o Affinity Photo, sai por US$ 54,99 (cerca de R$ 280) em uma compra única.

O preço aumenta se você precisa de outros apps da suíte. O pacote com todos os aplicativos da Adobe custa R$ 124 ao mês, resultando em R$ 1.488 ao ano. Se você optar pela modalidade mensal, que permite o cancelamento a qualquer momento e sem taxas, a mensalidade quase que triplica: R$ 340.

Enquanto isso, o Figma é gratuito com algumas limitações. Em setembro, o diretor de produtos da Adobe, Scott Belsky, também afirmou que a ferramenta colaborativa continuará com o mesmo modelo de assinatura. Os planos pagos também não sofrerão reajuste – pelo menos, por enquanto.

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