Twitter Blue é adiado novamente enquanto Musk tenta burlar taxa de 30%

CEO do Twitter ainda chamou comissão da App Store de “taxa secreta”, sendo que a taxa foi apresentada por Steve Jobs no lançamento do iPhone 2

Felipe Freitas
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O Twitter Blue, serviço de assinatura do Twitter, foi adiado mais uma vez — para a tristeza de quem quer comprar um verificado. O serviço seria “relançado” na última terça-feira (29), mas a rede social optou por segurar a assinatura até que encontrem uma maneira de escapar da comissão de 30% da App Store — cobrada desde 2008. A ideia de burlar a taxa da Apple, apesar de “válida”, parece ser mais uma “batalha” espetacularizada de Elon Musk contra a empresa. 

Twitter (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Twitter (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Recentemente, Musk começou a atacar a Apple depois que ele publicou que a empresa pode remover o Twitter da App Store — motivada pelo relaxamento das medidas contra discursos de ódio na rede social e “anistia” a usuários banidos permanentemente. Porém, a única fonte sobre o assunto é o próprio Musk. A Apple também reduziu o investimento em anúncios no Twitter.

Twitter Blue adiado por causa de taxa da App Store

Todos os aplicativos da App Store que possuem algum tipo de venda in-app, seja assinatura ou compra única, precisam pagar uma comissão de 30% pelo uso do sistema de pagamento da App Store. Até aqui, nada anormal, o Android também possui uma taxa para isso. O problema é que a Apple não permite que outros métodos de pagamento sejam usados.

A maneira que Elon Musk pode burlar a taxa de 30% é não permitir que a assinatura do Twitter Blue seja realizada no Twitter para iOS. Assim, qualquer usuário do sistema operacional teria que acessar a rede social via PC para assinar o Twitter Blue. Não tão prático, mas é a maneira que algumas empresas, de diferentes tamanhos, encontraram para não perder tanto dinheiro com seus produtos. 

Porém, o Twitter terá que manter o pagamento por fora “em segredo”. Em 2020, a Epic Games enfrentou a Apple e colocou o seu método de pagamento diretamente no Fortnite. O resultado é a disputa judicial entre as duas empresas — sem previsão de terminar. Qualquer menção a um pagamento externo pode levar a suspensão do aplicativo na App Store.

Elon Musk
Elon Musk (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Ao contrário da Epic Games, o Twitter é muito dependente do iOS. Como destacou o Mashable, somente 7% da receita da Epic vinha dos usuários de iPhone. Já a rede social possui 80% de acesso pelos mobiles. Nos Estados Unidos, a Apple tem mais da metade da fatia de mercado de smartphones

Musk pode ser o homem mais rico do mundo, mas perder o Twitter para iOS seria a “bala de prata” na rede social. Além de prometer que a plataforma “lucrará como nunca”, Musk colocou o Twitter como garantidor dos pagamentos dos empréstimos. Na teoria, a dívida está na pessoa jurídica e os lucros da rede social quitarão os débitos.

Taxa de 30% não é secreta — mas a Apple é injusta

Para inflamar seus seguidores, Elon Musk publicou que a taxa de 30% é “secreta”. O tweet foi um claro e perfeito exemplo de desinformação — algo diferente de fake news, pois usa um dado correto fora do contexto, combinado com alguma mentira ou com algo sensacionalista (“secreta”). O objetivo é enganar os leitores (se o dono do Twitter age assim…) se valendo de um pingo de fato.

Na verdade, a Apple nunca escondeu a comissão da App Store. Ela foi apresentada por Steve Jobs em 2008, no palco do evento de lançamento do iPhone 3G (conhecido como iPhone 2). A taxa só é válida para produtos digitais, motivo pelo qual e-commerces não pagam 30% a cada item vendido.

Há 14 anos, qualquer desenvolvedor de software ou profissional envolvido com aplicativos mobiles sabe que 30% do valor de qualquer transação in-app ficará com a Apple. Está nos termos que a empresa precisa ler e concordar antes de subir um aplicativo para a App Store. Em 2020, a Apple criou o programa Apple Small Business, na qual empresas que faturam até US$ 1 milhão por ano pagam comissão de apenas 15%.

Contudo, é correto criticar a Apple por não permitir outros métodos de pagamentos. A empresa não foi considerada culpada por monopólio na disputa judicial com a Epic, mas sim por violação de competição justa. 

A juíza do caso obrigou a Apple a autorizar o uso de outros sistemas de pagamentos na App Store. A empresa recorreu da decisão e uma nova data do julgamento ainda não foi apresentada.

Com informações: The Verge e Mashable

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