CEO do Spotify admite que demissão em massa prejudicou a plataforma

Spotify anunciou 1.500 demissões no fim de 2023; CEO revelou que decisão impactou operações da companhia, mas não se arrepende

Emerson Alecrim
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Quanto o Spotify paga aos artistas? Existe valor fixo por reprodução? / Guilherme Reis
CEO do Spotify admite que demissão em massa prejudicou a plataforma (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Não é comum uma empresa admitir que um corte de funcionários teve consequências ruins, mas foi isso o aconteceu com o Spotify. Ao divulgar os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2024, o CEO Daniel Ek afirmou que a demissão de 1.500 pessoas no fim de 2023 “perturbou” as operações do Spotify.

As 1.500 demissões no Spotify foram anunciadas em dezembro de 2023. O número correspondia a 17% da força de trabalho da plataforma de streaming naquele momento.

Ek deu como justificativa para a decisão a economia global lenta e a necessidade da companhia de cortar custos. No mesmo ano, outras 800 demissões já haviam sido realizadas.

O impacto dessas medidas só seria sentido no primeiro trimestre de 2024. Pois bem, os resultados financeiros do período mostram que o Spotify registrou:

  • 615 milhões de usuários mensais ativos (aumento de 19% ano a ano)
  • 239 milhões de assinantes pagantes (aumento de 14% ano a ano)
  • Receita de 3,6 bilhões de euros (aumento de 20% ano a ano)
  • Lucro líquido de 197 milhões de euros (contra um prejuízo de 225 milhões no primeiro trimestre de 2023)

Com números tão favoráveis, o que deu errado?

Basicamente, o crescimento fico abaixo do esperado para o primeiro trimestre do ano. As despesas do Spotify com as demissões explicam parte desse cenário, visto que a maioria dos funcionários dispensados recebeu indenizações correspondentes a cinco meses de trabalho, explica a Fortune.

Daniel Ek, CEO do Spotify (imagem: Flickr/Stuart Isett)
Daniel Ek, CEO do Spotify (imagem: Flickr/Stuart Isett)

Mas o impacto esteve mesmo no dia a dia da empresa. Em videoconferência com os investidores, Daniel Ek não explicou quais setores da companhia tiveram suas operadores prejudicadas pelas demissões, mas admitiu que esse problema ocorreu:

Apesar de não haver dúvidas sobre isso [as demissões] ter sido a decisão certa, ela perturbou as nossas operações do dia a dia mais do que previmos.

Daniel Ek, CEO do Spotify

Ek também deu a entender que, após quatro meses de transição, o Spotify parece ter se adaptado ao novo quadro de funcionários. Por esse motivo, o executivo tem expectativas positivas para o decorrer de 2024.

O cenário segue sendo desafiador, mas, considerando o problema relatado por Ek, é de se presumir que o Spotify não promoverá mais uma rodada de demissões para alcançar os números esperados pelos investidores. Pelo menos não nos próximos meses.

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