DMOZ

Se você começou a acessar a web por volta do ano 2000 (ou até mais tarde), talvez conheça o DMOZ — ou pelo menos tenha a sensação de que o nome não é estranho. Trata-se do maior e mais importante diretório de sites do mundo. Ter um site listado ali é obrigatório para um bom posicionamento no Google. Melhor, era: o DMOZ perdeu relevância e, por isso, encerrará suas atividades no próximo dia 14.

O DMOZ nasceu em junho de 1998. Na época, os serviços de busca estavam longe de ter a sofisticação de hoje — o Google só viria a surgir oficialmente três meses depois. Diretórios de links eram bastante importantes se você quisesse encontrar sites especializados em determinados assuntos, portanto.

A criação do serviço se deu pelas mãos de Rich Skrenta e Bob Truel, na ocasião, dois engenheiros da Sun Microsystems. Originalmente, o site se chamava GnuHoo, mas teve que mudar para NewHoo por conta do protesto de membros da comunidade de software livre que alegavam que o projeto não tinha relação com o GNU.

Só o que o novo nome também não serviu: o Yahoo achou o sufixo “Hoo” muito familiar e também reclamou. O “novo novo nome” iria ser ZURL, mas, antes da mudança, a Netscape comprou o serviço e o batizou de Open Directory Project. Em 1999, depois de a Aol ter comprado a Netscape, a denominação passou a ser usada junto com DMOZ, uma referência ao nome Directory Mozilla.

Naquela época, o DMOZ já era bastante relevante. Graças ao trabalho de milhares de voluntários em várias partes do mundo, o serviço já tinha mais de um milhão de sites classificados, em diversos idiomas (incluindo português). Isso tudo apenas um ano após o seu surgimento.

Como esse trabalho era bastante preciso e cobria um volume expressivo de sites, o DMOZ passou a servir de referência para os buscadores. Se você quisesse fazer um site ser bem posicionado nas buscas do Google, tinha, quase como obrigação, que submetê-lo ao DMOZ e torcer para ele ser listado por lá.

O DMOZ permaneceu relevante por muito tempo, mas, nos últimos anos, entrou em uma espiral de esquecimento: quem é que continua acessando diretórios de links? O DMOZ só vinha servindo para estratégias de SEO (Search Engine Optimization), basicamente. Mas Google e outros buscadores otimizaram seus sistemas de indexação de tal forma que, hoje, nem para SEO o DMOZ serve mais.

DMOZ

É compreensível que os buscadores tenham diminuído a importância dos diretórios de links. A web cresceu tanto que, mesmo tendo um número gigantesco de colaboradores — mais de 90 mil pessoas já ajudaram a classificar links no DMOZ —, é praticamente impossível ao serviço não deixar algum site legítimo de fora ou, por falha, incluir endereços ruins (que fazem spam, por exemplo).

Em fóruns especializados, fala-se até em editores do DMOZ que dificultavam a inclusão de determinados sites para atender a interesses pessoais, como evitar que sites concorrentes aos seus fossem listados.

Em 2014, o Yahoo Directory — outro diretório muito importante — foi fechado por razões semelhantes. Era só questão de tempo para o DMOZ seguir pelo mesmo caminho. O serviço deixará de existir em 14 de março, mas pelo menos sairá de cena em grande estilo: foram quase 4 milhões de sites classificados, cerca de 90 idiomas considerados e mais de um milhão de categorias criadas.

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Emerson Alecrim

Emerson Alecrim

Repórter

Emerson Alecrim cobre tecnologia desde 2001 e entrou para o Tecnoblog em 2013, se especializando na cobertura de temas como hardware, sistemas operacionais e negócios. Formado em ciência da computação, seguiu carreira em comunicação, sempre mantendo a tecnologia como base. Em 2022, foi reconhecido no Prêmio ESET de Segurança em Informação. Em 2023, foi reconhecido no Prêmio Especialistas, em eletroeletrônicos. Participa do Tecnocast, já passou pelo TechTudo e mantém o site Infowester.

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