Kodak atira para todos os lados para tentar sobreviver

Que tal alugar um minerador de bitcoin da Kodak?

Paulo Higa
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• Atualizado há 1 mês

A Kodak, empresa fundada em 1888 que liderou o mercado de fotografia por décadas, chegou a atingir um valor de mercado de US$ 30 bilhões em 1997. Ela subestimou o mercado de fotografia digital, foi engolida pelas concorrentes, entrou com pedido de falência em 2012 e, atualmente, é uma companhia de apenas US$ 290 milhões. E parece que não tem mais foco nenhum.

Na CES 2018, o primeiro anúncio estranho foi a KodakCoin, uma criptomoeda voltada para fotógrafos. Em um comunicado cheio de palavras da moda, a Kodak diz que vai “capacitar fotógrafos e agências a terem maior controle no gerenciamento de direitos de imagens”. Uma rede baseada em blockchain permitirá que fotógrafos licenciam seus trabalhos e ganhem KodakCoins por isso.

Talvez os fotógrafos prefiram dinheiro de verdade em vez de moedas virtuais, talvez os serviços de licenciamento de fotografias já existam há muito tempo e estejam consolidados, mas o fato é que as ações da Kodak dispararam após o comunicado — assim como aconteceu com redes de fast food e fabricantes de chá que resolveram mudar de nome para aproveitar a febre do bitcoin.

Mas, afinal, o que podemos esperar de novidade vindo de uma marca que já foi praticamente sinônimo de fotografia? Certamente não é um… ahn, fone de ouvido Bluetooth:

https://twitter.com/BenedictEvans/status/950853656458362880

Muito menos um… minerador de bitcoin. Sim: o Kodak KashMiner é uma máquina feita especialmente para processar transações e ganhar dinheiro com taxas de mineração. Funciona assim: você paga US$ 3.400 para alugar o KashMiner por dois anos; e depois recebe pagamentos mensais de aproximadamente US$ 375, caso o preço do bitcoin se mantenha na faixa dos US$ 14 mil.

Parece um bom negócio, certo? Você investe US$ 3.400 e, após dois anos, pode receber quase o triplo do valor (US$ 9.000). Só que a ideia não leva em conta um princípio básico do bitcoin: a emissão de moedas por dia é fixa; se mais mineradores estão na rede, mais eles concorrem entre si e mais poder de processamento é necessário para obter a mesma quantidade de moeda.

Kodak is selling a Bitcoin miner where you pay for a two year contract and “make a profit”. (*at current prices, Kodak gets half of all bitcoin you produce.) This is the dumbest shit I’ve ever seen at CES. pic.twitter.com/rbzECVEMn7

— Chris Hoffman (@chrisbhoffman) January 9, 2018

Os ganhos de US$ 375 por mês do KashMiner consideram que a capacidade de processamento da rede do bitcoin não aumentará nos próximos dois anos. No entanto, ela mais que dobrou nos últimos seis meses — ou seja, se você continuasse com o mesmo equipamento nesse período, passaria a ganhar menos da metade do valor.

Pelo menos os acionistas devem estar felizes: a Kodak tinha valor de mercado de US$ 135 milhões na segunda-feira (8); depois dos anúncios sobre criptomoeda e mineração de bitcoin, ela atingiu US$ 290 milhões. No terceiro trimestre de 2017, a empresa obteve receita de US$ 379 milhões, fechando o período com prejuízo de US$ 46 milhões.

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Paulo Higa

Paulo Higa

Ex-editor executivo

Paulo Higa é jornalista com MBA em Gestão pela FGV e uma década de experiência na cobertura de tecnologia. No Tecnoblog, atuou como editor-executivo e head de operações entre 2012 e 2023. Viajou para mais de 10 países para acompanhar eventos da indústria e já publicou 400 reviews de celulares, TVs e computadores. Foi coapresentador do Tecnocast e usa a desculpa de ser maratonista para testar wearables que ainda nem chegaram ao Brasil.

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