O Clubhouse ainda existe — e vai demitir mais da metade dos funcionários

Co-fundadores falam em "resetar" a empresa para desenvolver novos produtos com mais agilidade; concorrentes também não tiveram muito sucesso

Giovanni Santa Rosa
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Aplicativo Clubhouse (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)
Aplicativo Clubhouse (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Nos primeiros meses de 2021, um novo app chamou a atenção, com suas salas de bate-papo apenas por áudio e participação de gente famosa, como Bill Gates e Elon Musk. Dois anos depois, o Clubhouse vai demitir mais da metade de seus funcionários para “resetar” a empresa.

O anúncio foi feito pelos co-fundadores do Clubhouse, Paul Davison e Rohan Seth. Eles dizem que ficou difícil se comunicar com a empresa inteira e fazer mudanças rápidas, já que os funcionários estão divididos em diferentes grupos de produto. Como o trabalho é remoto, o processo é ainda mais complicado.

“No fim das contas, é difícil coordenar as equipes, as pessoas se sentem bloqueadas por nós, e funcionários brilhantes e criativos ficam subutilizados”, escrevem Davison e Seth.

Segundo eles, não há pressão imediata para cortar custos — a empresa levantou US$ 300 milhões em investimentos, com um valuation de US$ 4 bilhões.

Mesmo assim, os co-fundadores querem eliminar cargos e ter um time menor e mais focado em produtos. Eles acreditam que, com menos funcionários, a empresa conseguirá desenvolver mais rápido a próxima evolução da rede social.

Não se sabe o número exato de demitidos. Ao site Axios, um porta-voz da empresa disse que o Clubhouse nunca passou de cem funcionários.

Melhora da pandemia afetou Clubhouse

Nas explicações, eles dizem que o app funciona muito bem quando seus amigos estão na plataforma — o problema é que o contexto mudou.

Nos primeiros meses de 2021, o mundo ainda era muito afetado pela pandemia de COVID-19. De lá para cá, a situação melhorou, e bares, restaurantes, casas de show e muitos outros lugares de encontro reabriram.

Por isso, as pessoas estão usando menos o Clubhouse, e está mais difícil encontrar amigos que ainda estão no app.

Na verdade, a queda do Clubhouse foi bem mais rápida que isso. Em maio de 2021, o aplicativo já tinha despencado 66% em número de downloads.

Twitter Spaces é o único clone que deu certo

O sucesso do Clubhouse durante os primeiros meses de 2021 levou muitas empresas a lançar cópias.

O Facebook criou as Live Audio Rooms, ou salas de áudio. O Spotify lançou um app chamado Greenroom, mudou de nome e desistiu da ideia em abril de 2023.. O mesmo aconteceu com o Reddit Talk, encerrado em março de 2023.

Um clone que continua com relativo sucesso, por outro lado, é o Twitter Spaces. Ele permite gravar a conversa para compartilhar posteriormente e tem até uma aba dedicada no app da rede social.

O Clubhouse, por outro lado, tenta agregar novas funções para se manter relevante. Uma delas são as Houses, lançadas em agosto de 2022. Elas funcionam como grupos privados para interações mais particulares.

Com informações: Axios, The Verge

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Giovanni Santa Rosa

Giovanni Santa Rosa

Repórter

Giovanni Santa Rosa é formado em jornalismo pela ECA-USP e cobre ciência e tecnologia desde 2012. Foi editor-assistente do Gizmodo Brasil e escreveu para o UOL Tilt e para o Jornal da USP. Cobriu o Snapdragon Tech Summit, em Maui (EUA), o Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre (RS), e a Campus Party, em São Paulo (SP). Atualmente, é autor no Tecnoblog.

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