Polícia britânica vai usar reconhecimento facial para encontrar fugitivos, mas a precisão é horrível

Tecnologia de reconhecimento facial será adotada em Londres para descobrir criminosos no meio da multidão

Paulo Higa
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• Atualizado há 2 anos e 5 meses
Polícia britânica avisa sobre testes com reconhecimento facial

A polícia do Reino Unido está realizando mais um teste de uma tecnologia que se baseia em câmeras com reconhecimento facial para identificar criminosos no meio da multidão. O objetivo é descobrir fugitivos entre a população que lota as ruas de Londres para as compras de Natal e Ano Novo.

Este será o sétimo teste feito pela polícia da capital britânica, que já colocou suas câmeras para funcionar em grandes eventos de 2016 e 2017, como o Carnaval de Notting Hill (que não tem piadas com a Mangueira entrando) e o Remembrance Day, realizado em 11 de novembro, um dia que marca o fim da Primeira Guerra Mundial, como informa o The Verge.

Desta vez, as câmeras entram em ação no Soho, Piccadilly Circus e Leicester Square, áreas populares para se fazer compras no centro de Londres. Infelizmente, a tecnologia britânica ainda é bem ruim: de acordo com os dados da própria Polícia Metropolitana (Met), 98% dos “criminosos” detectados por reconhecimento facial são apenas falsos positivos.

Isso gerou a campanha FaceOff, que pede a interrupção dos testes com a tecnologia devido às “evidências de que o reconhecimento facial automatizado representa uma ameaça à privacidade, liberdade de expressão e direito de associação”. Segundo os organizadores, a polícia não tem base legal para testar a tecnologia, que traz o risco de discriminar pessoas por raça e gênero, especialmente negros e mulheres.

O Met diz que a tecnologia está sendo desenvolvida para combater a violência no centro de Londres e será testada dez vezes nos próximos meses. “Qualquer um que se recusar a ser escaneado durante os testes não será visto como suspeito pelos policiais. […] Se a tecnologia gerar um alerta, os policiais em solo poderão analisá-lo e outras verificações serão feitas para confirmar a identidade do indivíduo”, diz a polícia britânica.

Os resultados obtidos até agora pela tecnologia do Reino Unido não são tão promissores quanto a da China — que possui um exército de 170 milhões de câmeras de circuito fechado e pode localizar uma pessoa em questão de minutos. Lá, os policiais também possuem óculos de sol com câmeras integradas para fazer reconhecimento facial.

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Paulo Higa

Paulo Higa

Ex-editor executivo

Paulo Higa é jornalista com MBA em Gestão pela FGV e uma década de experiência na cobertura de tecnologia. No Tecnoblog, atuou como editor-executivo e head de operações entre 2012 e 2023. Viajou para mais de 10 países para acompanhar eventos da indústria e já publicou 400 reviews de celulares, TVs e computadores. Foi coapresentador do Tecnocast e usa a desculpa de ser maratonista para testar wearables que ainda nem chegaram ao Brasil.

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