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Animal Crossing: New Horizons deixou de ser meu refúgio para virar um pesadelo

Após jogar Animal Crossing: New Horizons por mais de 300 horas, não tenho mais a mínima vontade de entrar na minha própria ilha e aturar os habitantes chatos

Murilo Tunholi
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Animal Crossing: New Horizons (Imagem: Murilo Tunholi/Tecnoblog)
Animal Crossing: New Horizons (Imagem: Murilo Tunholi/Tecnoblog)

Animal Crossing: New Horizons fez muito sucesso na época do lançamento. Muitos amigos meus compraram o jogo no Switch para escapar da triste realidade da pandemia da COVID-19 — eu incluso. Porém, após meses de dedicação arrumando minha ilha, não consigo sequer abrir o game sem me sentir dentro de um pesadelo repleto de exigências e habitantes carentes por atenção.

Animal Crossing era o refúgio perfeito do mundo real

Animal Crossing foi um dos sucessos durante a pandemia (Imagem: Divulgação/Nintendo)
Animal Crossing foi um dos sucessos durante a pandemia (Imagem: Divulgação/Nintendo)

Em março de 2020, vivemos o início do que viria a ser uma pandemia global de um vírus até então desconhecido e perigosíssimo. Naquela época, fomos obrigados a permanecer em casa, isolados em quarentena até segunda ordem. Como não era possível encontrar pessoas, recorremos aos mundos virtuais para ter o mínimo de interação social.

Nesse mesmo mês, surgiu Animal Crossing: New Horizons, o mais recente simulador de vida da Nintendo. Apesar de ter sido bastante aguardado antes mesmo da pandemia, o jogo tomou proporções gigantescas por permitir que pessoas visitassem as ilhas de seus amigos. O sucesso foi tão grande que, até hoje, ele segue como o segundo título mais vendido do Switch.

Não consegui acompanhar o lançamento de Animal Crossing: New Horizons, pois comprei meu Switch somente em junho de 2020. Mesmo assim, ainda havia muita gente jogando ativamente — o que me rendeu mais de 300 horas de diversão construindo minha ilha, decorando minha casa e recebendo novos moradores. Para mim, aquele mundo virtual era o refúgio perfeito.

O pesadelo começou quando eu menos esperava

Animal Crossing: New Horizons (Imagem: Murilo Tunholi/Tecnoblog)
Animal Crossing: New Horizons (Imagem: Murilo Tunholi/Tecnoblog)

Contudo, como é de praxe, tudo que é bom dura pouco. Com o passar do tempo, perdi o interesse de visitar minha própria ilha. Meus amigos não jogavam com a mesma frequência, e eu não tinha mais motivos para continuar me esforçando. Afinal, para que eu iria emperiquitar o lugar, se ninguém ia pisar lá? Mal sabia que meu pesadelo iria começar assim.

Mesmo que o jogo esteja desligado, o mundo de Animal Crossing: New Horizons continua existindo — ou seja, a ilha e os habitantes não descansam e demandam a sua atenção. Até certo ponto, isso é normal e esperado em um simulador de vida sincronizado com o tempo do mundo real. Porém, chega uma hora que cansa.

Diversas vezes tentei retornar à ilha para progredir em alguns objetivos ou reformar certas áreas, mas sempre desisti pelos mesmos motivos: preguiça de limpar as ervas daninhas e falta de paciência para lidar com os habitantes carentes de atenção que supõem que você morreu, só porque sumiu por alguns meses.

A parte chata de tirar o mato só foi resolvida na atualização 2.0, lançada em novembro de 2021. Graças aos decretos da ilha, consegui obrigar os habitantes a remover a maior parte das ervas daninhas enquanto eu estivesse fora. Agora, a Nintendo precisa lançar um update para deixar os personagens menos irritantes.

Habitantes de New Horizons são os piores da franquia

Animal Crossing: New Horizons (Imagem: Murilo Tunholi/Tecnoblog)
Animal Crossing: New Horizons (Imagem: Murilo Tunholi/Tecnoblog)

Sou jogador assíduo da franquia Animal Crossing e, para mim, New Horizons tem os habitantes mais irritantes de todos. Além disso, a maioria deles compartilha falas muito parecidas, principalmente se tiverem personalidades iguais. Em certo ponto, você passa a ler textos repetidos — e isso é decepcionante.

O coelho Claude, por exemplo, era um dos meus habitantes favoritos. Após ler praticamente todas as falas que ele pode me oferecer, eu quero que ele vá embora da minha ilha o mais rápido possível. Além de ser desinteressante, ele chora todas as vezes que retorno ao jogo, após ficar alguns meses fora.

Às vezes, penso em reiniciar meu jogo para começar uma nova ilha do zero, mas desisto da ideia quando lembro que vou chegar nesse mesmo ponto, depois de alguns meses. Infelizmente, não tenho mais qualquer vontade de abrir Animal Crossing: New Horizons, mesmo tendo o DLC Happy Home Paradise disponível.

Hoje, posso dizer que Animal Crossing: New Horizons se tornou um pesadelo para mim. Falo isso não só pela cobrança excessiva de cuidar da ilha, como também pelos habitantes que fazem você se sentir um lixo por querer fazer qualquer outra coisa que não seja dar atenção a eles.

Vou comprar o próximo Animal Crossing? Provavelmente, sim. Mas espero do fundo do coração que a Nintendo se esforce um pouco mais para criar personagens que não me façam querer jogar o meu Switch pela janela.

Murilo Tunholi

Jornalista, atua como repórter de videogames e tecnologia desde 2018. Tem experiência em analisar jogos e hardware, assim como em cobrir eventos e torneios de esports. Antes do Tecnoblog, passou pela Editora Globo (TechTudo) e Mosaico (Buscapé/Zoom). É apaixonado por gastronomia, informática, música e Pokémon. Já cursou Química, mas pendurou o jaleco para realizar o sonho de trabalhar com games.

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