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Por que todo fã deveria jogar Pokémon Legends: Arceus

Um dos dez mandamentos de Arceus é jogar Pokémon Legends, no Nintendo Switch, para ter a melhor experiência dos jogos da franquia

Lucas Lima
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Capa de abertura para Pokémon Legends: Arceus
Pokémon Legends: Arceus traz a melhor experiência da franquia no Nintendo Switch (Imagem: Guilherme Reis/Tecnoblog)

No início da pandemia, lá em abril de 2020, eu não me contive em elogiar Animal Crossing: New Horizons e o quanto aquele jogo estava me proporcionando bons momentos durante o (então recente) isolamento. Nessa última sexta-feira (4), recebi minha cópia física de Pokémon Legends: Arceus, uma semana depois do lançamento global e voltei para dizer: que deleite sair em uma exploração, de novo.

Esse artigo não se trata de um review. Por isso, você não vai encontrar uma análise supertécnica sobre os elementos que compõem o jogo, é apenas um opinativo a respeito da minha experiência como um mestre Pokémon (em Unite, pelo menos). Assim como a Vivi Werneck declarou seu amor por Mass Effect ou o Ricardo Syozi contou de seu crescimento ao lado da franquia Street Fighter, resolvi revisitar meu lado de fã ou talvez a infância.

Além de fã, quero dizer que sou entusiasta da franquia Pokémon, não um especialista que percorreu por todos os títulos desde 1996, com o Game Boy. E, como todo fã defende seu objeto de adoração, aqui me coloco para compartilhar o sentimento com Pokémon Legends: Arceus, para incentivar outros jogadores (especialmente fãs) da série a explorar Hisui.

Permita-me, como a maioria das pessoas, abreviar Pokémon Legends: Arceus para Pokémon Legends, ao longo desse texto — economizo seus olhos e meus dedos. Afinal, a partir de agora, torço para que “Legends” seja a linha principal de jogos da franquia.

Pokémon: Legends Arceus (Imagem: Divulgação/Nintendo)
Pokémon: Legends Arceus (Imagem: Divulgação/Nintendo)

O que é Hisui, mesmo?

Hisui é a região antiga de Sinnoh (da quarta geração de monstrinhos). Nela, o(a) protagonista precisa ajudar os humanos e Pokémon a se entenderem e com isso colaborar para o desenvolvimento de Jubilife Village, futura Jubilife City em Pokémon Diamond & Pearl, título de 2006 lançado para o DS.

A missão, como o trailer anuncia, é se aventurar para completar a primeira Pokédex de Hisui. A região é inspirada no Japão feudal e tudo é novo para os personagens e velho para os jogadores, exceto as mecânicas que, finalmente, se aproximam daquilo que eu sempre esperei em um jogo da franquia.

Vale ressaltar que, por mais que Hisui retrate a quarta geração, há espécies de quase todas as outras e também formas regionais, como ocorre em Galar ou Alola.

De volta ao passado

Mas não de volta ao passado de Sinnoh, estou falando do meu. Não lembro quando Pokémon entrou na minha vida, mas lembro de ser imperdívelPokémon: O Filme, Pokémon 2000, o anime na TV (permeando por várias emissoras), o álbum de figurinhas, as miniaturas nas tampinhas do Guaraná Antarctica.

Álbum de figurinhas e fita cassete do filme Pokémon 2000
Álbum de figurinhas e fita cassete do filme Pokémon 2000 (Imagem: Guilherme Nazatto/Acervo Pessoal)

Orgulhosamente digo que foi algo passado do meu irmão para mim, e de mim para meu primo (e ele ainda tem o álbum o a fita cassete de Pokémon 2000). Um carinho que não se perdeu com o tempo.

Pokémon Emerald foi meu primeiro jogo da franquia, via emulador no meu primeiro computador, em 2006. Ainda joguei Fire Red e Leaf Green, aproveitando o então Visual Boy Advance. Tentei fazer o emulador do DS rodar Diamond ou Pearl (mas meu Positivo com XP Starter Edition era precário) e depois pulei para as edições do Switch.

Confesso que hoje não consigo acompanhar mais o anime, nem vi tudo disponível. Mas, com relação ao que eu assistia, Pokémon Legends faz referência à toda imaginação que o Lucas de anos atrás esperou experimentar.

Pokémon Legends sai do tradicionalismo

Desde o Emerald, os jogos de Pokémon são bem recebidos por mim, criam uma expectativa, mas na fórmula padrão, presente desde 1996, não agradam tanto assim. Não é bem a experiência que eu esperava — mesmo que os games acompanhem as sequências narrativas do anime, não conseguem causar o mesmo impacto que ao acompanhar Ash em sua jornada Pokémon.

Joguei muito aqueles “OTs de Pokémon” — os conhecidos “Open Tibia”, mas adaptados à experiência da franquia — que a Nintendo vivia derrubando (por reivindicação de propriedade intelectual) e ali sentia uma experiência mais agradável da “jornada”: explorar, se arriscar, derrotar, capturar, fugir, se recuperar, voltar, tentar de novo…

Captura de tela de um OT de Pokémon
PokeXGames é um exemplo desses OTs ainda em funcionamento (Imagem: Divulgação/PokeXGames)

Em Pokémon Legends, não existem ginásios, por exemplo. A história se encaixa no passado em que isso ainda não havia se desenvolvido. É uma boa desculpa: a missão principal é conhecer mais sobre esses monstros que convivem com a gente, não é derrotar a Elite Quatro após passar pelos oito ginásios.

E funciona muito bem. Se acumulei 20 horas de jogatina em dois dias, não ficaria surpreso. O sentimento de descoberta e conquista é presente.

Em jogos tradicionais, o jogador segue um caminho linear — recebe seu primeiro Pokémon, atravessa as rotas com desafios que não são desafios, vence ginásios, vence a Elite Quatro e acaba. As batalhas não são desafiadoras. As missões secundárias (se é que podemos chamar disso) são tediosas (“troca seu Alakazam pelo meu Caterpie?”). A história principal é a mesma com uma skin diferente. Nada muito fora da linha.

Pokémon Legends: Arceus testou uma nova abordagem. Apesar da linearidade na história principal, a Game Freak aprimorou alguns experimentos anteriores — como a Wild Area de Pokémon Sword & Shield. O resultado foi uma exploração de verdade, mais viva, interativa e animadora.

Captura de Pokémon Legends: Arceus
Pokémon Legends: Arceus (Imagem: Reprodução/Nintendo)

Nesse novo jogo, os Pokémon reagem de diferentes formas: ameaçam, fogem, brincam, variam conforme o tempo. As batalhas são difíceis e te fazem usar muitos Revives e Potions. Não existem treinadores genéricos nas rotas, nem as próprias rotas. As missões secundárias te fazem querer cumpri-las (como você espera ter uma colheita se não apresentar um Pokémon de água que pode ajudar com a irrigação?). A missão principal, ainda que básica, sai do tradicionalismo.

Temos, não, queremos pegar todos!

Pokémon Legends traz uma nova mecânica de captura, a qual assemelham a Pokémon GO. Mais ou menos, é preciso arremessar as Poké Bolas e isso pode ser feito mesmo sem iniciar uma batalha com a espécie selvagem.

Contudo, a experiência vai além disso:

  • “Esse Pokémon é mais forte que eu?”
  • “Como me aproximar sem ele me ver? Shh, cuidado para não fazer barulho.”
  • “Deixa eu distrair ele com uma comida antes.”
  • “Ih, não vai dar, vou precisar batalhar…”

Durante um encontro, é preciso pensar. Tudo acontece em tempo real, até mesmo os Pokémon selvagens que estão próximos podem atrapalhar a batalha. Se quiser desistir, por exemplo, ao invés de só apertar A, A, A, A, A para pular os diálogos, é só sair correndo pelo mapa, que é de mundo aberto.

Pokémon Legends: Arceus (Imagem: Reprodução/Game Freak)
Pokémon Legends: Arceus (Imagem: Reprodução/Nintendo)

A captura é fácil, na maioria dos casos, mas não entediante, como nos jogos principais. Isso te faz querer pegar todos. Até é preciso mesmo, a mesma espécie mais de uma vez. À frente, esses Pokémon podem ser usados para ajudar a desenvolver a vila, seja inspirando novas roupas, ajudando com a plantação ou fazendo guarda para cidade. Não faz mal pegar muitos, tem espaço e é possível fazer uma soltura em massa.

Usar os Pokémon para coletar recursos também foi algo que me brilhou os olhos e me fez mandar uma mensagem de áudio para o meu primo no mesmo instante em que ocorreu pela primeira vez. Lembrou aquelas cenas do anime na qual o Ash usa algum Pokémon voador para verificar a área. Mesma energia, é mágico. E, sim, o jogo tem crafting — faça suas próprias Poké Bolas ou itens medicinais.

Pokémon Legends: Arceus (Imagem: Reprodução/Game Freak)
Pokémon Legends: Arceus (Imagem: Reprodução/Nintendo)

Aventurar-se por Hisui me desperta uma memória afetiva, de quando eu usava aquelas miniaturas do Guaraná Antarctica e construções Lego para simular um mundo no qual eu queria fazer parte. E até hoje me arrependo de ter me desfeito da pequena Staryu — meu antigo vizinho mudou de casa, levou tudo e eu perdi meu brinquedo. 🥲

Arceus, seja feita a tua vontade 🙏🏻

Eu poderia falar mais um pouco sobre o sistema experiência, de evolução, de habilidades, mas vou voltar às tarefas corriqueiras. Minha bolha no Twitter ainda está superempolgada com Pokémon Legends e, então, quis unir o útil ao agradável nesse apelo: se for um fã de Pokémon ou mesmo alguns degraus abaixo desse título, jogue.

Se você leu até aqui porque gosta de Pokémon, espero que tenha um Nintendo Switch por aí para aproveitar essa aventura. Se ainda não tem um, tá na hora de ficar de olho no Achados do TB para garantir na próxima oferta. E, se assim Arceus deseja, que Pokémon Legends seja sua primeira experiência Pokémon no Switch.

Dá pra ver que esse título tem várias inspirações em The Legend of Zelda: Breath of the Wild, inclusive na trilha sonora, mas ainda tem que evoluir em alguns elementos antes de ser chamado como tal.

Eu disse que Legends: Arceus se aproximava da experiência que eu gostaria em jogos da franquia porque ainda espero um MMORPG. Contudo, o jogo atual já foi um carinho e tanto para o meu coração de fã. Com ou sem modo online pelos próximos meses ou uma DLC, anseio para que o novo formato se torne tradição, assim aguardo meu encontro com Pokémon Legends: Lugia.

Pokémon Legends: Arceus (Imagem: Reprodução/Game Freak)
Pokémon Legends: Arceus (Imagem: Reprodução/Nintendo)

Hit Kill 40: ainda temos que pegar?

Depois de todo esse desabafo sentimental a respeito do novo jogo, também convido você a ouvir os comentários técnicos do Murilo Tunholi e do Felipe Vinha no Hit Kill 40 — Pokémon Legends: Arceus, ainda temos que pegar?, com mediação da Vivi Werneck.

Lucas Lima

Coordenador de conteúdo

Lucas Lima trabalha no Tecnoblog desde 2019 cobrindo software, hardware e serviços. Graduou-se em Jornalismo em 2018 e se formou técnico em Informática em 2014, mas respira tecnologia desde 2006, quando ganhou o primeiro computador e varava noites abrindo janelas do Windows XP. Teve experiências com comunicação no poder público e no setor de educação musical antes de atuar na estratégia de conteúdo e SEO do TB.

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