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Jornalista delator da espionagem sai do Guardian e se une ao eBay para “empreendimento”

Será que vem aí um concorrente do WikiLeaks?

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O jornalista por trás de possivelmente um dos maiores vazamentos da história – a espionagem praticada pelo serviço de inteligência dos Estados Unidos – não é mais contratado do jornal inglês The Guardian. Glenn Greenwald anunciou nesta semana sua saída definitiva do jornal, um dos mais importantes do mundo em termos de jornalismo investigativo. Para onde Greenwald vai? Ninguém sabe com certeza, mas já é confirmado que o fundador do eBay vai financiar o novo empreendimento dele.

A notícia veio a público num momento em que aparecem mais denúncias de espionagem. Greenwald, que vive no Rio de Janeiro e tem um namorado brasileiro, mantém contato com o delator de tudo, o ex-consultor de segurança Edward Snowden. Não por acaso, já foi co-autor de reportagens no Fantástico, da Globo, e no jornal O Globo também. No exterior, recentemente participou de denúncias publicadas pelo New York Times. Ele é o cara da vez no jornalismo mundial.

Glenn Greenwald

O jornalista inglês escreveu no blog dele que foi presenteado com uma “oportunidade única” que nenhum repórter possivelmente poderia recusar. Já o Guardian confirmou a informação, desejou sucesso a Greenwald, mas informou que estava “desapontado” com a decisão dele.

Esteja certo de que as próximas movimentações de Greenwald podem ser bastante interessantes. Eu não duvido que ele decida montar algo como o WikiLeaks de Julian Assange. O propósito de ambos os sites é, em resumo, desnudar as ingerências dos Estados Unidos. Se eles pudessem juntar os trapos em uma só operação, seria ainda melhor.

Dinheiro não faltará porque Pierre Omidyar, fundador do eBay, é um homem muito rico. Ele comentou com jornalistas que foi consultado quando o Washington Post estava à venda. No fim das contas, como sabemos, Jeff Bezos levou a melhor. O fundador da Amazon tirou do próprio bolso algumas centenas de milhões de dólares pelo jornalão americano.

Omidyar ficou chupando os dedos. Pensou em como poderia estruturar uma empresa de mídia do zero com o dinheiro que estava disposto a pagar pelo WaPo. O resultado é o empreendimento com Greenwald.

Algo me diz que os bons ventos estão soprando para os lados do jornalismo investigativo. Aguardemos.

Comentários

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Marcus Pessoa
Reacionário de direita talifã dos Estados Unidos detected. Essa sua mensagem está errada em tantos pontos que nem vou me dar ao trabalho de apontar. Melhor apenas jogar no lixo.
rfl
Não vi nada de antiético por parte dos dois. Pelo contrário, antiético com a sociedade seria fazerem vistas grossas aos criminosos da casa branca.
Alexandre Cinci
mas eles nao correm o risco de virarem um wikileaks da vida? acho um empreendimenrto audacioso haja a vista que os envolvidos nao medem esforços pra se defender, e com recursos praticamente infinitos.
Mapuche Vieira
Vazar, seletivamente, dados roubados por um funcionário do governo pago para protegê-los não é, sob nenhuma ótica, "investigativo"... Pode ser até uma espécie de jornalismo, aquele que não reclama a existência de nenhum imperativo ético. Escolher a dedo o que será, ou não, publicado sabendo exatamente o que, e como, pretende atingir está mais para chantagem que propriamente jornalismo. Ademais do que foi publicado não se pode asseverar que os conteúdos foram EFETIVAMENTE acessados. São apenas conjecturas de Snowden e Greenwald. Bem como são conjecturas os artigos escritos por Greenwald que responsabiliza os americanos pelos atentados praticados contra os EUA. Ou seja, para esse colosso ético e do pensamento, matar americanos inocentes é uma consequência natural, E ACEITÁVEL, da política externa americana. É um gigante moral. E se alguém considera que o humanista em questão pode trazer algo de bom chantageando governos e utilizando informações secretas para dar projeção às suas ambições pessoais, esse alguém sofre do mesmo mal: ou é canalha, ou é idiota!