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WD My Cloud: uma nuvem dentro de casa

NAS doméstico da Western Digital é rápido e tem interface fácil de usar, mas cobra seu preço

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5 anos atrás

Estamos usando cada vez mais espaço para guardar nossas músicas, fotos e vídeos. Como acessar todo esse conteúdo nos computadores, smartphones, tablets, consoles e TVs que temos? Uma solução é enviar os arquivos para um serviço de armazenamento na nuvem. A outra é montar uma nuvem privada em casa. Essa é a proposta do My Cloud, da Western Digital.

O WD My Cloud é um NAS básico voltado para uso doméstico, concorrente direto do Seagate Central, que vimos no ano passado. Disponível em capacidades de 2 a 4 TB e custando a partir de 700 reais no Brasil, ele se conecta diretamente ao seu roteador e permite o acesso ao conteúdo em qualquer dispositivo conectado à rede. Vale a pena? É o que veremos.

Design e conectividade

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Diferente do Seagate Central, que possui um design diferenciado e se parece com uma caixa de som portátil, o WD My Cloud não possui nada muito exótico. Discreto, ele se parece com todos os outros HDs externos de 3,5 polegadas da Western Digital e deve passar despercebido no ambiente, o que faz sentido para um dispositivo desse tipo: tire da caixa, ligue, configure, use e esqueça.

A carcaça do WD My Cloud é feita de um plástico branco com acabamento brilhante, que por sinal adora atrair partículas de sujeira. Na parte frontal, há um pequeno LED para indicar o status do NAS; na traseira, encontramos o conector de energia, a porta Gigabit Ethernet e uma conexão USB 3.0 de fácil acesso para conectar um pendrive ou HD externo. No interior, que não é facilmente acessível pelo usuário, há um WD Red, HD projetado especificamente para um NAS.

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A porta de rede do WD My Cloud possui dois LEDs que piscam e indicam se o dispositivo se conectou a 100 Mb/s ou 1 Gb/s. Se você não tem um roteador com portas Gigabit Ethernet em casa, eu recomendaria a compra de um — caso contrário, gargalos devem acontecer quando mais de uma máquina estiver acessando o NAS, e os backups demorarão uma eternidade.

Software

O processo de configuração do WD My Cloud é simples, mesmo para um usuário leigo: basta acessar http://wdmycloud e seguir as instruções na página, que consistem em selecionar o idioma e escolher um login e senha para o primeiro usuário. Também há um aplicativo para Windows e OS X que encontra o WD My Cloud na rede e faz tudo automaticamente, mas imagino que a maioria das pessoas não irá precisar dele.

Depois de instalar o WD My Cloud, o usuário é direcionado para a página de administração, que mostra informações básicas do NAS, como a quantidade de espaço livre, a versão do firmware e a quantidade de dispositivos atrelados. Basta dar um clique em cada um desses retângulos para obter dados adicionais, como o espaço usado para armazenar fotos e se a temperatura do HD está normal.

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Os recursos do NAS não fogem do básico. Você pode criar compartilhamentos privados, fazer backup de Macs pelo Time Machine, acessar os arquivos de mídia por DLNA e criar uma biblioteca compartilhada do iTunes na rede. Também é possível acessar seus arquivos de qualquer lugar do mundo pela internet, por meio do wdmycloud.com — que, inexplicavelmente, exige o plugin do Java para funcionar.

Quando um pendrive ou HD externo é conectado ao WD My Cloud, na porta USB 3.0, há duas possibilidades. A primeira, mais comum, é permitir que todo o conteúdo desse armazenamento externo esteja disponível na rede. A segunda é usá-lo como um dispositivo de Safepoint: você pode guardar “pontos de segurança” para salvar todo o conteúdo que estiver no WD My Cloud. Dessa forma, caso o HD do NAS falhe, há como recuperar os dados do backup.

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Particularmente, senti falta de alguns recursos. Um gerenciador de downloads com suporte a torrents seria útil: em vez de manter um PC ligado durante a noite para baixar arquivos, deixaríamos essa tarefa para o WD My Cloud, que consome menos energia. Outro recurso interessante seria poder sincronizar arquivos de serviços como Dropbox, Google Drive e OneDrive — seja como backup ou para continuar tendo acesso a esses dados quando a internet falhar.

É verdade que seu principal concorrente, o Seagate Central, também não oferece as funcionalidades acima, mas esses recursos não são exclusivos de NAS mais caros e avançados, como os da Synology ou Drobo. Os NAS “caseiros” da D-Link, como o básico DNS–320L, encontrado no Brasil por cerca de 400 reais sem HD, suportam essas funções.

Aplicativos móveis

Nos smartphones e tablets, o acesso aos arquivos armazenados no WD My Cloud fica por conta do aplicativo My Cloud, disponível para Android e iOS — o Windows Phone tem um aplicativo chamado WD 2go, que traz as principais funções.

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O My Cloud é um aplicativo bem desenvolvido, com uma interface fácil de usar. A configuração é simples: basta digitar um código de 12 dígitos, que pode ser obtido na página de administração do WD My Cloud, e a conexão será feita automaticamente. Uma vez conectado, você poderá acessar seus arquivos mesmo se estiver fora de casa, em uma rede 3G.

Como o WD My Cloud é um NAS básico, ele não tem um hardware suficientemente parrudo para fazer transcodificação de arquivos com um Plex da vida — portanto, a reprodução de vídeos depende só do seu dispositivo móvel. Eu consegui abrir vídeos MP4 normalmente em um iPhone, mas arquivos AVI e MKV apresentaram mensagens de erro. Já no Android, foi possível assistir a outros tipos de arquivos usando um player alternativo (a Western Digital cita o MX Player como um dos aplicativos compatíveis).

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Um ponto legal do aplicativo My Cloud é que ele suporta os principais serviços de armazenamento de arquivos na nuvem de terceiros: Dropbox, Google Drive e OneDrive. Dessa forma, você conseguirá ter acesso a todos os seus arquivos de maneira centralizada em um único aplicativo — basta apenas ter uma conexão com a internet.

Desempenho

O WD My Cloud consegue atingir taxas de transferência bastante satisfatórias. Para fazer o teste, armazenei um arquivo não comprimível de 5 GB na memória RAM do computador de origem (para assegurar que não haveria nenhum gargalo) e o copiei por meio do Robocopy, ferramenta nativa do Windows, através de uma rede de 1 Gb/s. A versão do WD My Cloud que está sendo testada é a intermediária, de 3 TB.

Nesse teste, o WD My Cloud atingiu 67,57 MB/s de leitura e 72,07 MB/s de escrita. São velocidades mais que suficientes para fazer streaming de vídeos em alta definição para múltiplas máquinas ao mesmo tempo e ocupar quase o total da capacidade de uma rede Gigabit. Para um NAS doméstico, o WD My Cloud cumpre muito bem seu papel.

Conclusão

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O WD My Cloud é uma bela opção para quem quer armazenar terabytes de arquivos na rede e acessar os dados na casa inteira (ou até mesmo fora dela). Embora não atenda as exigências de usuários mais avançados, o WD My Cloud faz bem o que se propõe a fazer: “ter uma nuvem só para você”, como diz a empresa. E faz de maneira fácil, com uma interface agradável, sem opções complicadas.

No Brasil, o empecilho para o WD My Cloud e todos os produtos do gênero é o preço. Atualmente, o NAS pode ser encontrado no varejo por R$ 745 (2 TB), valor que sobe bastante nas versões de 3 TB (R$ 1.599) e 4 TB (R$ 1.899) — oficialmente, a Western Digital informa que vende apenas o modelo de 2 TB no país, com preço sugerido de R$ 699, mas não encontramos esse valor em nenhuma loja. Quando se considera que um HD externo e um roteador com porta USB sairia bem mais barato, especialmente nas capacidades maiores, fica difícil fazer esse tipo de produto pegar.

Vale a pena? Se você quiser uma opção prática para compartilhar arquivos na rede, mas não quer gastar milhares de reais em um NAS mais avançado, sim: com aplicativos bem feitos, velocidades de leitura e escrita mais que satisfatórias e uma interface descomplicada, o WD My Cloud é um forte concorrente a ocupar um canto ao lado do seu roteador.