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Ascend P7: o smartphone bem acabado da Huawei

Smartphone da Huawei possui boa qualidade de construção e não decepciona na bateria

A Huawei não é uma fabricante muito conhecida no Brasil no ramo de celulares e smartphones, mas possui bastante presença de mercado com modems de internet móvel e equipamentos de rede.

Lançado no Brasil em dezembro de 2014, o Ascend P7 é o smartphone topo de linha da Huawei. Os pontos chaves são o design ultrafino com acabamento em metal e vidro, câmera frontal de 8 megapixels e um preço bem abaixo dos topo de linha de fabricantes concorrentes. Como ele se comporta no dia a dia?

Design e tela

Quando peguei o smartphone da Huawei, surgiu uma bela sensação de familiaridade com o design. Não demorou muito tempo até me lembrar do Sony Xperia Z3 — a traseira só não é igual por causa das marcas das fabricantes e posicionamento do alto-falante.

Não há o que discutir: o Ascend P7 é muito similar ao Xperia Z3, tanto na parte traseira como na frontal. As laterais, no entanto, lembram bastante o iPhone 5s: são metálicas, retas, com pequenos frisos plásticos (imagino que sejam as antenas), botões e bandejas para Micro-SIM e microSD metálicas.

Todos os botões físicos do aparelho (ou seja, liga/desliga e controle de volume) se concentram na lateral direita. A Huawei destaca o formato redondo e a localização do botão liga/desliga, que é requisitado constantemente. O aparelho é bem fino:

Seria melhor se a Huawei tivesse isolado o controle de volume para o outro lado do smartphone. Explico: a proximidade do botão liga/desliga com o botão de diminuir volume me confundiu várias vezes na hora de utilizar o aparelho. O botão poderia se localizar um pouco mais acima — na forma atual, preciso dobrar meu polegar para alcançá-lo.

Na parte superior está um microfone de cancelamento de ruídos e a saída para fones de ouvido de 3,5 mm, enquanto na parte inferior do Ascend P7 fica o microfone principal e a porta Micro USB. Na parte frontal, temos os sensores de luminosidade e proximidade, além da câmera frontal com resolução de 8 megapixels.

O acabamento do Ascend P7 é um dos melhores que já vi. A traseira em vidro possui uma pequena borda plástica para revestir toda a extensão do aparelho; a câmera e o flash possuem detalhes em metal e um pequeno desenho holográfico, similar ao encontrado no Nexus 4, mas de forma mais branda.

Meu telefone principal é um iPhone 6 Plus e, como disse no review dele, sua pegada é horrível. Como ele é minha referência principal, a pegada do Ascend P7 pareceu perfeita para mim: a lateral é quadrada, o telefone não escorrega e isso me permite atingir boa parte da tela quando seguro o smartphone apenas com uma mão.

Apesar de 5 polegadas ser um tamanho relativamente grande para alguns, a tela ocupa exatos 71,7% da parte frontal, com uma borda mínima entre as laterais. Isso facilita para que o usuário consiga atingir o máximo de pontos possíveis na tela.

A tela possui resolução de 1920x1080 pixels com tecnologia IPS LCD. Tenho uma preferência pessoal por painéis com essa tecnologia, então a tela me agradou muito. O ângulo de visão é perfeito e o contraste e saturação estão nas medidas certas. A tela possui proteção contra riscos Gorilla Glass 3, embora o vidro traseiro não conte com essa proteção.

As imagens se apresentam bem vívidas no Ascend P7, principalmente aquelas bem coloridas. Com densidade de 441 pixels por polegada, é impossível ver pixels a olho nu. Quem está acostumado com telas boas não vai notar muita diferença, mas quem vier de um dispositivo low ou mid-end com tela inferior deverá gostar bastante.

Interface e software

Este é um item longo do review. A Huawei modificou o Android com uma interface chamada de Emotion UI, que muda completamente a cara do Android. Se você acha os Android da Samsung ou Sony modificados demais, provavelmente nunca colocou as mãos num smartphone da Huawei.

No início achei extremamente divertido usar o Ascend P7 porque ele possui uma identidade única; não é um smartphone com a mesma cara de sempre. Apesar do sistema operacional ser o Android 4.4 KitKat, pouquíssimos elementos visuais do Google são aplicados nessa interface da Huawei.

Começando com os ícones: todos eles, sem exceção, são modificados para se manter em quadrados. Um misto de interface flat com bordas arredondadas e determinados skeumorfismos tomam conta de qualquer ação do Ascend P7. E esses ícones podem ser modificados, uma vez que o Ascend P7 conta com temas, que podem ser baixados online. Mesmo alguns aplicativos de terceiros têm seus ícones modificados pela interface própria da Huawei, como Instagram e WhatsApp.

Seletor de temas da Emotion UI

Todos os aplicativos são diferentes do padrão do Android. Sim, todos. Discador, reprodutor de músicas, câmera, calendário, relógio, cliente de email, mensagens, menu de configurações, navegador e calculadora possuem identidade da Huawei. Apesar disso, os aplicativos do Google acompanham o aparelho para quem prefere a experiência do Chrome ou do Gmail, por exemplo.

Algumas das personalizações são muito bem-vindas. A barra de notificações possui um menu de controle expansível que é muito legal, permitindo que você personalize do jeito que prefira e, dessa forma, controlar quase tudo no smartphone sem precisar ficar abrindo diversos menus. A personalização da Huawei traz alguns aplicativos úteis que não existem no Android puro, como bloco de notas e gravador de voz. Também traz outros não tão úteis, como Espelho e Lente de Aumento.

Notas, Microfone e Espelho

Outra boa surpresa foi o controle de notificações: é possível controlar todas as notificações que surgem no smartphone, desde barrar notificações de determinados aplicativos até limitar quantos itens podem aparecer na central. As opções de energia são tão personalizáveis quanto: dá para definir limites para aplicativos que usam recursos em segundo plano e ativar um modo de economia de energia que deixa apenas funções essenciais ativas — como telefone e SMS.

Gerenciador de notificações, menu expansível de atalhos e configurações gerais

Confesso que achei a interface bem pesada, mesmo se tratando de um smartphone com boas especificações técnicas. Algumas lentidões podem ser percebidas logo ao trocar as páginas de aplicativo ou puxando a barra de notificações.

Achei que me livraria dos ícones personalizados ao instalar o Google Now Launcher. Fiquei surpreendido ao descobrir que, mesmo instalando outro launcher, os ícones dos aplicativos nativos são modificados para se enquadrar no padrão da interface de fábrica. Não precisava de tanto, Huawei.

Multimídia

O Ascend P7 é um smartphone bem pronto para multimídia. Sua tela é boa para assistir vídeos e seus aplicativos embarcados ajudam na tarefa de reproduzir conteúdo.

O player de músicas da Huawei é simples, mas funciona bem. Assim como qualquer smartphone atual, ele consegue catalogar as músicas por artistas e álbuns. Uma coisa curiosa é que ele já vem com playlists vazias com nomes pré-definidos, como "Feliz", "Sereno", "Triste" e "Enérgico", para que você adicione suas músicas que se enquadrem nessa categoria. Senti falta de um equalizador personalizável, embora o smartphone tenha suporte a áudio DTS. O som é bem puro e com níveis de volume acima da média de smartphones Android. Ponto para a Huawei.

Player de música, rádio FM e DLNA

Uma função que merece destaque por não ser algo comum nos aparelhos topo de linha é a presença de rádio FM. Como em qualquer celular, o rádio só funciona com fones de ouvido, que funcionam como antena. O aplicativo do rádio não traz nada demais – o máximo que você pode fazer é memorizar suas estações prediletas em um menu de fácil acesso.

O Ascend P7 também é competente para reproduzir vídeos. Embora não exista nenhum aplicativo específico para vídeos, tudo fica acessível pela Galeria ou pelo Gerenciador de Arquivos nativo do sistema. O smartphone reconhece os formatos H.263, H.264, MP4, WMV e XviD; minhas séries e filmes em MKV foram reproduzidos sem problemas. O player até reconheceu legendas em SRT, mas apresentou problemas na exibição de caracteres acentuados. Nada que a instalação do VLC ou do MX Player não resolva.

Oooops!

Ainda sobre multimídia, o Ascend P7 tem suporte nativo a DLNA e Miracast. Dessa forma, é perfeitamente possível reproduzir mídia do telefone ou espelhar a tela em dispositivos compatíveis, sem a necessidade de fios e cabos. Testei com uma Smart TV da Sony e outra da Samsung e funcionou muito bem.

Câmera

A Huawei colocou uma câmera de 13 megapixels no Ascend P7 e 8 megapixels. Megapixels não dizem nada sobre a qualidade da foto, mas as câmeras do Ascend P7 fazem boas fotos, tanto na traseira quanto na frontal. O software da câmera também é extremamente personalizado, possuindo alguns modos interessantes e outros dispensáveis. Veja:

Veja algumas fotos de exemplo. Todas elas foram tiradas no modo normal, sem nenhuma edição.

Com bastante iluminação, a câmera do Ascend P7 faz boas fotos. A última foto é num ambiente completamente escuro, sem nenhuma luz artificial, sendo que a única fonte de luz para o local era o flash do aparelho. É claro que a foto ficou cheia de ruídos, mas foi possível fotografar bem o ambiente. Um ponto fraco é a ausência de estabilização ótica, algo cada vez mais comum em smartphones desse nível. A câmera frontal é muita boa, mas não vou incluir minha cara feia novamente neste artigo.

A câmera de vídeo filma em resolução Full HD. Senti falta de um estabilizador para ajudar na tremedeira, mas as imagens apresentam qualidade razoável e boa captação de áudio. Veja um vídeo de testes:

Desempenho e bateria

O Ascend P7 tem boas especificações: o chip Hisilicon Kirin 910T, da própria Huawei, é quad-core de 1,8 GHz, traz GPU Mali-450MP e acompanha 2 GB de RAM. São especificações suficientes para permitir que o Android rodasse com fluidez, mas a interface personalizada da Huawei infelizmente atrapalhou tudo isso. Conforme disse anteriormente, até o ato de passar páginas da tela de início apresenta certas travadinhas. É claro que isso melhora significativamente instalando outro launcher, mas a experiência de fábrica da Huawei decepciona um pouco.

A Huawei até parece saber disso ao incluir diversas ferramentas de otimização: logo ao abrir o menu de multitarefa, o smartphone informa qual o uso de RAM e oferece uma limpeza de memória para deixar o telefone mais rápido. Também é possível controlar quais aplicativos tem permissão para executarem automaticamente ao inicializar o telefone, bem como restringir suas tarefas em segundo plano.

A notícia melhora um pouco quando digo que a lentidão só existe na interface. Usar aplicativos de terceiros é uma tarefa normal e fluida, bem como jogos mais pesados como Asphalt 8, que rodaram sem problemas.

Quanto à bateria, o Ascend P7 brilhou. Ele foi meu smartphone principal durante quatro dias, e tirei um dia para fazer a medição: tirei o celular da tomada por volta de meio-dia, naveguei na web por cerca de uma hora e meia, assisti cerca de 20 minutos de vídeo no YouTube via Wi-Fi e usei bastante WhatsApp e Telegram em rede 4G. Meu uso cotidiano é bem intenso, de forma que a tela ficou ligada por mais de 5h e ainda restavam 14% de bateria às 00h43. Com um uso moderado, é certo que a bateria dure por mais de um dia.

A parte chata é que a bateria demora a carregar consideravelmente: usando o carregador padrão da Huawei, o Ascend P7 demorou 2h06min para recarregar de 9% a 45%. Em praticamente metade do tempo, meu iPhone 6 Plus que tinha menos de 10% de bateria havia sido completamente carregado.

A Huawei também trouxe em sua interface ferramentas para otimizar a autonomia da bateria. Com três modos padrão (Normal, Inteligente e Ultra), o telefone mostra a prévia de duração da bateria com base no seu uso e permite que o usuário escolha a forma que prefira de acordo com suas expectativas de uso. Isso é muito legal.

Notas relevantes

Conclusão

A Huawei tem feito um bom trabalho com seus smartphones. O Ascend P7 mantém o posicionamento de smartphone topo de linha com um preço bastante atraente – enquanto a concorrência se aventura no patamar de mais de R$ 2 mil, é perfeitamente possível encontrar o Ascend P7 por menos de R$ 1,5 mil.

Me surpreendi muito com a câmera e com a qualidade de áudio do smartphone. A qualidade de construção é muito boa, o acabamento é excepcional e trazer tags NFC já no kit inicial do aparelho é uma das melhores formas de entregar para o consumidor um pouco mais do que seu smartphone é capaz.

No entanto, a Huawei precisa trabalhar – ou melhor, deixar de trabalhar – com software. A interface Emotion UI é extremamente pesada, confusa e muitas vezes desnecessária. Não há necessidade de alterar ícones, não precisa empurrar temas na memória do aparelho: o usuário que quer personalizar tem diversas opções disponíveis para download na Play Store. É uma forma de todo mundo ficar feliz.

Pelo preço que é encontrado, o Ascend P7 é uma ótima pedida para quem quer um Android e sair do padrão Samsung/Motorola/LG. Trata-se de um dos poucos smartphones que ainda possuem entrada para microSD. Na mesma faixa de preço, é possível comprar um Moto X de 2ª geração, que apresenta software e desempenho melhores, mas câmera inferior.

Especificações técnicas