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Peixes-robôs microscópicos que "navegam" pelo corpo são uma ideia para tratar doenças

Emerson Alecrim Por

Você já ouviu falar de robôs microscópicos que transportam drogas pelo corpo? O assunto vem sendo estudado há tempos para dar forma a tratamentos mais eficazes contra determinadas doenças. O conceito é muito complexo, mas pesquisadores da Universidade da Califórnia parecem ter encontrado uma solução para viabilizar a ideia: peixes-robôs microscópicos feitos em impressora 3D.

Peixes-robôs microscópicos

O conceito pode ser explorado, por exemplo, para levar medicamentos diretamente a um órgão enfermo ou para eliminar determinadas toxinas do organismo. Os tais peixes robóticos devem, portanto, "nadar" pela corrente sanguínea. Essa "navegação" só é possível se os robôs forem mesmo muito pequenos, obviamente. Não por acaso, a espessura dos peixes-robôs não é maior que a de um fio de cabelo.

Isso deixa claro que não é qualquer impressora 3D que pode ser usada para construir os robozinhos. Na verdade, os pesquisadores tiveram que desenvolver uma nova técnica de impressão que recebeu o nome de μCOP. Trata-se de uma tecnologia óptica de alta resolução capaz de construir em questão de segundos centenas de robôs microscópicos, neste caso, com 120 mícrons de comprimento por 30 mícrons de largura.

Por meio de um programa de CAD, os pesquisadores podem desenvolver vários formatos para os robôs, mas, para apresentar a ideia, eles se inspiraram em peixes.

Peixes-robôs microscópicos feitos em impressora 3D

Para se movimentar, cada unidade tem dois compartimentos. O primeiro, na região que seria a cabeça do peixe, contém nanopartículas de óxido de ferro. O segundo, na parte da cauda, transporta nanopartículas de platina.

As partículas na cabeça servem para orientação: o robô microscópico é guiado por meio de magnetismo até o ponto de destino. Já as partículas na cauda atuam na locomoção: em contato com uma solução contendo peróxido de hidrogênio, as partículas de óxido de ferro sofrem uma reação que faz a unidade se impulsionar para frente.

Peixes-robôs microscópicos

Os pesquisadores realizaram uma prova de conceito com o objetivo de verificar se a ideia funcionaria em um procedimento de desintoxicação. Peixes-robôs foram revestidos com nanopartículas de polidiacetileno (uma substância com ação neutralizadora) e lançados em uma solução cheia de toxinas.

Cada peixe-robô assumiu um aspecto fluorescente e com tom intenso de vermelho como consequência da reação das nanopartículas sobre as moléculas de toxinas. Isso é um sinal de que a invenção pode mesmo ser usada para desintoxicação ou até para confirmar a contaminação do organismo por determinada substância.

É claro que, para cada tipo de procedimento, é necessário realizar testes à exaustão. A reação no organismo humano pode ser totalmente diferente daquilo que os resultados obtidos nos experimentos em laboratório apontam. É por isso que os pesquisadores ainda não estimam quando os robôs microscópicos poderão ser efetivamente usados em tratamentos.

Por outro lado, a quantidade de aplicações possíveis serve de estímulo para a continuidade das pesquisas. Se robôs diminutos conseguirem chegar a um ponto de determinado órgão para atacar um tumor, por exemplo, a quimioterapia que a pessoa terá que enfrentar como parte do tratamento poderá, em tese, ser menos agressiva.

Jinxing Li, um dos autores do estudo, vislumbra até a ideia de robôs microscópicos serem usados para determinadas cirurgias. Com eles, o procedimento seria mais preciso e menos invasivo, diminuindo as chances de complicações.

Com informações: Wired