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Moto Z: modular, com alguns comprometimentos

Smartphone da Lenovo troca ergonomia e capacidade de bateria pelo suporte aos módulos

Paulo Higa Por
Nota Final 8.1

O primeiro smartphone modular da Lenovo chegou ao Brasil. Com hardware de ponta, o Moto Z traz um design extremamente fino, bastante poder de processamento, 64 GB de armazenamento e suporte aos Moto Snaps, os módulos que se encaixam ao corpo do aparelho e adicionam novas funcionalidades.

Por 3.199 reais, o kit padrão do Moto Z já entrega uma traseira de couro ou madeira e até uma bateria externa de 2.220 mAh, para iniciar o usuário no mundo dos módulos. Mas será que o smartphone é bom? Como o corpo fino se comporta no dia a dia? A bateria consegue se virar sem o acessório? E a câmera, valeu essa protuberância enorme na traseira? Eu conto tudo nos próximos parágrafos.

Review em vídeo

Design

O design do Moto Z chama a atenção por ser extremamente fino. Enquanto um iPhone 7 tem 7,1 mm de espessura e um Galaxy S7 tem 7,9 mm de espessura (e eles já são muito finos), o smartphone da Lenovo possui apenas 5,2 mm. Isso acabou gerando um calombo bastante pronunciado na região da câmera traseira e também a remoção do conector de fones de ouvido de 3,5 mm — que talvez não coubesse no minúsculo espaço.

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No caso do Moto Z, acho que a espessura absurdamente fina vai além do marketing: ela foi uma condição para que o produto existisse. Como o Moto Z foi projetado para receber os módulos Moto Snaps, se o aparelho tivesse uma espessura “normal”, ele ficaria grosso demais com qualquer módulo, então faz sentido que o corpo seja bem compacto. Eu não me surpreenderia se o próximo Moto Z (que suportará os mesmos módulos, como promete a Lenovo) viesse ainda mais fino.

A Lenovo manda um kit padrão bastante atraente com o Moto Z, o que barra algumas críticas ao aparelho. O calombo na região da câmera, bem como a traseira metálica que adora impressões digitais, por exemplo, são facilmente deixados de lado com as Style Shells, capinhas traseiras de diversas cores e materiais, como manda o figurino da marca — tem couro, madeira e até nylon balístico.

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O modelo branco com dourado traz uma capinha de madeira, enquanto o preto vem com traseira de couro dentro da caixa. A bateria de apenas 2.600 mAh com autonomia mediana (falarei sobre ela adiante) recebe uma ajuda do módulo de bateria externa, também incluso no kit padrão. E se você é desastrado, tem até um bumper de plástico, que protege as laterais do Moto Z contra quedas.

O modelo que testei, com frente branca e traseira dourada, não me agradou muito. Os sensores de presença, do lado do leitor de impressões digitais, ficam bem visíveis e são meio tortos, com um alinhamento meio desagradável. Eles parecem botões, mas não são botões. E também contribuem para a base gigante do Moto Z, que prejudica bastante a ergonomia: às vezes é meio complicado alcançar todo o teclado, porque o Moto Z traz uma base enorme e uma barra de botões virtuais do Android.

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O leitor de impressões é bem eficiente e, assim como no Moto G4 Plus, não é pressionável. Mas ele reconhece a presença do seu dedo, portanto, basta encostá-lo ali para que a tela já ligue desbloqueada. Quando o Moto Z estiver ligado, coloque um dedo sobre o leitor de impressões digitais para bloqueá-lo novamente. Na prática, funciona como um “botão liga/desliga”.

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Para deixar o aparelho fino, a Lenovo tirou o conector de fones de ouvido e mandou um adaptador para USB-C na caixa. Eu achei bizarro o fato de que, num smartphone sem entrada P2, a empresa manda como acessório um fone… P2: você precisa ligar o adaptador para utilizar os fones originais (!). Acredito que a remoção do conector analógico seja uma tendência para os próximos anos, mas, enquanto isso, muita gente esquecida vai ficar sem ouvir música porque não levou o adaptador naquele dia. Inclusive eu.

Tela

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A Lenovo voltou a utilizar painel AMOLED. Deu certo. Tem gente que gostava das telas do primeiro e do segundo Moto X, mas eu achava elas muito estouradas; certos tons de cores ficavam gritando nos olhos devido à saturação exagerada de fábrica. A tela do Moto Z é mais equilibrada, lembrando mais o LCD do Moto X Style.

No Moto Z, são 2560×1440 pixels espalhados em 5,5 polegadas. O painel tem brilho satisfatório, que não deve gerar problemas com a luz do sol. Além disso, o contraste é infinito, com preto de verdade, e o ângulo de visão não decepciona.

No modo normal de cor, que é o Intensidade, as cores ficam vivas e são mais frias, gerando tons de cinza meio azulados. Normalmente as pessoas gostam de cores mais frias; se você não é uma delas, basta trocar para o modo de cor Normal, que exibe cores mais realistas. Nem sempre o realista é melhor (fones de ouvido “realistas” não têm muita graça para mim), então é bom ver que existem as duas opções.

Software

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O Android 6.0.1 Marshmallow do Moto Z é aquele que já estamos familiarizados na linha Moto. Ele praticamente não traz modificações na interface e também não possui aplicativos inúteis pré-instalados.

Os diferenciais de software do Moto Z ficam concentrados no aplicativo Moto. Ele suporta alguns gestos úteis: agite duas vezes para ligar a lanterna; deslize a partir da parte inferior para reduzir o tamanho da tela; ou gire o aparelho para abrir o aplicativo de câmera. Certas funções comuns em concorrentes, como a possibilidade de manter a tela ligada enquanto você estiver olhando para o aparelho, também estão disponíveis no Moto Z.

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O Moto também reúne outras duas funções: o Moto Voz e o Moto Tela. Com o Moto Voz, o Moto Z te escuta mesmo enquanto estiver em standby: basta dar o seu comando de voz personalizado (como “Ok Moto Z”) e a tela ligará. Já o Moto Tela mostra prévias de notificações com o aparelho bloqueado e permite que você interaja com elas. São recursos que surgiram com o primeiro Moto X, foram aprimorados com o tempo e continuam muito bacanas.

Eu fiquei um pouco decepcionado com o fato da Lenovo não se comprometer mais com atualizações de segurança mensais do Android. Esses patches não alteram a versão do Android, mas corrigem falhas de segurança graves (e ultimamente isso tem sido mais importante do que nunca). O primeiro sinal da nova política já apareceu durante os meus testes: enquanto o Galaxy S7 Edge está com o patch de agosto, o Moto Z ainda está com o patch de julho. Outros smartphones da linha Moto também deixaram de receber atualizações com a mesma frequência. Bola fora da Lenovo.

Câmera

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Com relação à câmera, a Lenovo fez um bom trabalho no Moto Z. Não é a melhor, mas certamente é uma das melhores câmeras de smartphone que você vai encontrar no mercado.

As fotos de 13 megapixels têm boa definição mesmo em condições de baixa iluminação, e o sensor recebe uma pequena ajuda da lente com abertura f/1,8, bem generosa. Em fotos noturnas, o ruído é mais alto que a média, especialmente próximo a focos de luz — entretanto, isso parece mais uma questão de equilíbrio no pós-processamento, já que o nível de detalhes é muito bom.

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Para uma câmera de smartphone, o alcance dinâmico também é satisfatório; você não vai ter problemas em cenas de grande contraste. Com boa iluminação, as cores agradam, a definição é boa e as imagens têm algum ruído, mas nada além do normal.

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Já a câmera frontal de 5 megapixels é “padrão”, e faz o que esperamos de um smartphone topo de linha, com boas cores nas selfies e nível de detalhes satisfatório. Um ponto bacana é que a Lenovo colocou um flash LED na câmera frontal, assim como no Moto X Style, o que pode ajudar bastante se você estiver em ambientes mais escuros.

Há câmeras melhores que a do Moto Z, especialmente considerando a faixa de preço altíssima, mas as fotos não devem decepcionar a maioria dos usuários.

Hardware e bateria

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O Moto Z tem tudo o que você precisa: Snapdragon 820 (de 1,8 GHz), 4 GB de RAM e 64 GB de armazenamento. Se o espaço não for suficiente, há como colocar um microSD. Infelizmente, a bandeja tem o incômodo design compartilhado: ou você coloca um chip e um microSD, ou coloca dois chips e nenhum microSD. É algo que está virando padrão em todos os topos de linha com suporte a dois chips; não tem muito como fugir disso.

Não tenho muito o que falar do desempenho do Moto Z. Ele roda basicamente qualquer coisa, com fluidez. Tudo abre rapidamente, os jogos têm gráficos bons e rodam com boa taxa de frames. Você não deve sofrer com problemas de lentidão por um bom tempo.

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Mas a bateria decepcionou um pouco. Ou melhor, ela ficou totalmente dentro das minhas expectativas, o que é… ruim. A capacidade de 2.600 mAh permitiu que eu sempre chegasse em casa com algo entre 15% e 25% de bateria, após 2 horas de streaming de música no 4G e aproximadamente 1h30min de navegação, também pela rede móvel, com brilho no automático e 14 horas de uso (das 9h às 23h). É uma autonomia apenas “ok”, e vários usuários vão precisar recarregar a bateria antes do final do dia.

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Um lado positivo é que a Lenovo manda um módulo de bateria de 2.220 mAh, que permite ao smartphone chegar até a metade do dia seguinte com um pé nas costas. No entanto, o Moto Z acaba ficando bem grosso com o módulo. O aparelho já não é muito ergonômico sem a bateria; com a bateria, a utilização fica bem ruim. Ele acaba conquistando pela praticidade: basta encostá-lo na traseira e o Moto Z já começa a carregar, sem necessidade de manter cabinhos de baterias externas pendurados.

Conclusão

Sim, o Moto Z é um smartphone caro. Mas até que o preço me agradou, especialmente com o kit padrão, que já traz bateria externa de 2.220 mAh. Esse é talvez o único módulo que eu realmente compraria, se não viesse na caixa do aparelho.

Os concorrentes principais são o iPhone 7, o Galaxy S7 e o Galaxy Note 7. Falando especificamente de Android, considerando que o Galaxy S7 esteja no mesmo preço do Moto Z (o que é uma realidade no momento em que escrevo este parágrafo), minha escolha é o topo de linha da Samsung. Já comentei em outras ocasiões que, atualmente, eu não trocaria uma bateria melhor e uma câmera melhor pelo Android puro. Mas, para quem ainda tem aversão às modificações de fabricantes, o Moto Z pode ser uma opção.

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O Moto Z é um bom aparelho, apesar de algumas movimentações que não me agradaram. A preocupação com a ergonomia, bastante notável nos primeiros Moto X e Moto G, parece estar ficando de lado para seguir a mesmice do mercado de smartphones, com aparelhos cada vez mais finos e baterias medíocres. Em questão de ergonomia, o Moto Z perde muito com a base inferior que, além de visualmente desagradável, atrapalha na hora de digitar — ela é maior que a do iPhone 6s, que está longe de ser um bom exemplo de aproveitamento de espaço.

Os módulos do Moto Z, que comentarei num review separado (perguntem o que vocês querem saber!), parecem uma boa ideia para suprir nichos de mercado, mas ainda não mostraram a que vieram. Os alto-falantes, por exemplo, até emitem boa qualidade de áudio, mas deixam o aparelho bem grosso. O projetor é caro demais e não faz nada que outros mini-projetores já não tenham feito. Na prática, a Lenovo está apenas vendendo a praticidade de encostar os módulos e eles funcionarem, sem nenhuma configuração complicada. Em termos de funcionalidade, não há nada muito inovador.

De qualquer forma, o Moto Z é um aparelho que oferece excelente desempenho, boa câmera e ótima tela. Por enquanto, ele não fez nenhuma revolução no mercado de smartphones, mas pode ser um belo primeiro passo para as próximas gerações. O futuro vai depender da criatividade das fabricantes de módulos.

Especificações técnicas

  • Bateria: 2.600 mAh;
  • Câmera: 13 megapixels (traseira) e 5 megapixels (frontal);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11ac, GPS, Bluetooth 4.1, USB-C, NFC;
  • Dimensões: 153,3 x 75,3 x 5,2 mm;
  • GPU: Adreno 530;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 2 TB;
  • Memória interna: 64 GB;
  • Memória RAM: 4 GB;
  • Peso: 136 gramas;
  • Plataforma: Android 6.0.1 (Marshmallow);
  • Processador: quad-core Snapdragon 820 de 1,8 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, bússola, giroscópio, impressões digitais;
  • Tela: AMOLED de 5,5 polegadas com resolução de 2560×1440 pixels.

Moto Z

Prós

  • Câmera de boa qualidade
  • Hardware oferece desempenho de sobra
  • Tela AMOLED de alta definição e cores agradáveis

Contras

  • Design pouco ergonômico, com borda inferior enorme
  • Duração de bateria apenas medíocre
  • Módulos são caros demais e não mostraram a que vieram
  • Quem mexeu no meu P2?
Nota Final 8.1
Design
7
Tela
9
Câmera
8
Desempenho
10
Software
8
Bateria
7
Conectividade
8

Comentários

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Willian
Só verdadeiros otarios com baixíssimo intelecto compram smartphones intermediários. Eu prefiro passar 5 meses economizando sem celular para levar um z3 s6 ou z5 ou s7 do que levar um nojo intermediário desse....corrigindo :lixo eletrônico .Prefiro um iphone 5s
Willian
Porque não colocar um tegra
Willian
Uma ótima porcaria
Joo
O que fode é o Snapdragon capado....
Renan Corrêa

O Moto Z PLAY é um aparelho "bomzinho "porém não tem nada de UALLL que o faça ser mais desejado que outros TOP's de linha,no valor que ele é vendido,merecia pelo menos ter uma campanha verdadeira...me refiro ao MOTO VOZ, ´pois a campanha promete que vc pode controlar seu Smartphone apenas com a voz, oque É UMA MENTIRA no moto z play, pq o aplicativo MOTO que é utilizado no MOTO max( aparelho de 2014)por exemplo,não é o mesmo no moto z play, oque na realidade existe no moto z play é aquela velha função do google em que vc precisa primeiro desbloquear o aparelho e conversar com o google, ou seja, se vc não estiver conectado na internet NADA FUNCIONA com a voz,

André Augusto da Silva

Engraçado que NENHUMA análise desse aparelho, NENHUMA falou do retrocesso do comando de voz, que na verdade, é praticamente inexistente, o Moto Voz virou uma piada!

https://youtu.be/yoyqJKipp0U

Lenovo fazendo cagada!

Rodrigo Prado
Eu entendo esse telefones com a camera saltada para fora, você é obrigado a estragar o design com capinha, para não ferrar com o aparelho.
Fagner Lopes
de fabrica, ja devia ter 2.. um pra casa e outro pro trabalho...rs
? Monkey ?
O que mata no design é esse botão que não é um botão.
Deison Ribeiro
O histórico da Xiaomi é positivo. Pra eu ter problema, é só se eu deixar cair ou quebrar. Então to tranquilo, cuido bem dos meus aparelhos, nunca deram defeito e espero que não seja dessa vez kk
Vinicius Paiva

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Wellersom Richardsom Voigt
gostei da analise. Venho cogitando vender um rim para comprar um smartphone superior, afim de não gastar com um novo aparelho a cada ano. Mas aquele botão de desbloqueio poderia ter sido repensado e ser colocado em outro local, diminuindo a borda que é enorme.
IsraelMurilo
Foi o que eu disse em "não foi só pra economizar", eu não descartei o fato...
Trovalds
Gosto do brasileiro? Aham... isso pra mim continua sendo corte de custos. Um fone comum desses aí deve custar uns R$ 5-10 pra ser fabricado, enquanto o USB-C deve ser o dobro já que tem que ter o DAC embutido no fone ao invés de estar presente no aparelho.
IsraelMurilo
Não foi só pra economizar, diz ela que foi pelo gosto do brasileiro. Lá fora ele vem com um fone USB C e o adaptador p2 caso queiram colocar um fone comum, porém aqui no brasil vem o fone p2 e o adaptador usb c para p2. Bom, pra mim tanto faz, eu quase nunca uso o fone que vem com o celular mesmo...
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