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Serra Leoa faz primeira eleição do mundo auditada por blockchain (ou quase isso)

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1 ano e meio atrás

Atualização em 20 de março às 18h33: a realidade é bem menos impactante do que parecia. A Comissão Eleitoral Nacional (NEC) de Serra Leoa esclareceu no Twitter que não utilizou a tecnologia de blockchain em nenhuma parte das eleições. Os cidadãos votam em cédulas de papel e a contagem é realizada manualmente, com o auxílio de um sistema desenvolvido em C++ e MS SQL. Em resposta, a Agora emitiu um comunicado mais cauteloso, informando os fatos: ela participou como “observadora internacional”, cobrindo apenas 280 locais de votação (dos 11.200 no país); os votos eram registrados manualmente pela própria Agora, e a empresa não tinha como interferir nos resultados oficiais.

A notícia original segue abaixo.

O blockchain é a tecnologia que surgiu junto com o bitcoin, mas sua utilidade vai muito além das criptomoedas: as características de segurança permitem que ela seja aproveitada em operações que exigem confiabilidade nos dados, como eleições. Na Serra Leoa, um dos países mais pobres do mundo, os votos dos eleitores foram registrados por meio de blockchain.

A Serra Leoa é o primeiro país a utilizar publicamente o blockchain em eleições. Mas a estreia aconteceu de forma bem limitada: apenas um dos distritos, que serve Freetown, a capital e a cidade mais populosa do país, teve votação baseada na tecnologia. Cada voto era registrado em um blockchain privado, que podia ser acessado apenas por funcionários encarregados de supervisionar as eleições.

Como já explicamos, o blockchain é uma rede que funciona com blocos encadeados muito seguros que sempre carregam um conteúdo junto a uma impressão digital. A sacada aqui é que o bloco posterior vai conter a impressão digital do anterior mais seu próprio conteúdo e, com essas duas informações, gerar sua própria impressão digital. E assim por diante.

Na prática, isso impede (ou torna extremamente difícil) modificar um voto já registrado no meio da cadeia de blocos, porque a prática invalidaria todos os outros votos. Portanto, dependendo da implantação da tecnologia de blockchain, é possível evitar manipulações nas eleições.

O blockchain nas eleições de Serra Leoa foi fornecido pela empresa suíça Agora. O CEO Leonardo Gammar diz à CoinDesk que está em conversações com “múltiplos países na África e na Europa” para oferecer a tecnologia.