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O que é NFT?

Insubstituíveis: saiba mais sobre os ativos digitais em formato de token não-fungíveis (NFT) que estão movimentando milhões na internet

Melissa Cruz Cossetti

Por

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Criadores de memes, artistas digitais, músicos entre outras classes que navegam pela Internet já faturaram milhões com a venda de tokens não-fungíveis. Continue comigo para entender o que é e como funciona o NFT.

NFT é a sigla para "non-fungible token" (em português: token não-fungível). O termo é dado a um ativo digital, baseado em blockchain, que representa objetos do mundo real.
O que NFT? (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

NFT é a sigla para “non-fungible token” (em português: token não-fungível). O termo é dado a um ativo digital, baseado em blockchain, que representa objetos do mundo real.

Se usarmos o significado de token como símbolo e aplicarmos o conceito de fungibilidade (um atributo de bens adquiridos que podem ser substituídos por outros similares), podemos entender o NFT como um bem diferenciado, contendo dados que os tornam únicos — ou seja, não fungíveis (não substituíveis).

Uma informação diferente gravada em cada ativo NFT o torna um produto diferente dos outros e é por isso que não podem ser substituídos. Eles não podem ser trocados por iguais, porque não há dois iguais. Basicamente, é como vemos uma obra de arte.

Intangíveis: a venta de ativos de tokens não-fungíveis na internet (Imagem: Cherry Laithang / Pexels)
Intangíveis: a venta de ativos de tokens não-fungíveis na internet. (Imagem: Cherry Laithang/Pexels)

Sendo assim, um registro NFT transforma basicamente qualquer coisa do universo digital (uma música, uma arte gráfica ou até um tweet) em um ativo único, exclusivo e com autenticidade segura por uma rede blockchain imutável, como criptomoedas.

Falando em blockchain, o uso dessa tecnologia nos registros dos ativos também torna o NFT imutável. Se pensarmos fungível como algo que pode ser gasto ou consumido, contrapomos com o não-fungível o conceito de tokens também eternos.

Qual a relação entre NFT e blockchain?

A tecnologia de blockchain é mais conhecida como sinônimo de serviços financeiros, mas você pode se surpreender ao descobrir que esse universo, quase que totalmente fintech, também abriu caminho também para uma nova indústria artística com tokens.

Blockchain é o futuro das transações seguras (Imagem: Pascal Bernardon / Unsplash)
Blockchain é o futuro das transações seguras. (Imagem: Pascal Bernardon/Unsplash)

A tecnologia deu os seus primeiros passos junto com a criptomoeda e foi criada para, entre outras coisas, prevenir o gasto duplo dos valores reais.

Isso porque, em um ambiente digital, dados podem ser copiados, alterados e trocados. O blockchain foi a solução para eliminar as duas primeiras características. Assim, por exemplo, uma pessoa não pode gastar 1 Bitcoin (BTC) duas vezes ou dizer que enviou 10 BTC, mas transferir apenas 0,01 BTC.

Mas, quem confere isso?

Bem, a tecnologia de blockchain pode ser explicada como um livro público (um livro contábil) que faz o registro das transações de moeda. Sendo o blockchain uma rede que funciona com blocos que sempre carregam uma impressão digital, o bloco seguinte também vai conter a impressão digital do anterior, mais o seu próprio conteúdo e, com essas duas informações, gerar sua própria impressão digital; conferível por todos.

A aplicação do NFT na arte leva o uso do blockchain muito além do normal, para moedas digitais. A lista dos usos possíveis da tecnologia é praticamente infinita.

Cryptokitties

NFT não nasceu ontem e já tem algum passado. Em dezembro de 2017, os gatinhos animados Cryptokitties da empresa canadense Dapper Labs estrearam como itens de coleção negociáveis, funcionando basicamente como cartas Pokémon da Era Bitcoin.

Cada imagem foi associada a uma sequência única de dígitos que poderia ser negociada na plataforma de blockchain da Ethereum como um título de propriedade — concedendo ao proprietário o direito objetivo de posse de um determinado gatinho.

Cryptokitties não foi exatamente uma febre, mas chegou viralizar entre os criptoiniciados e as transações relacionadas aos gatinhos foram responsáveis por agitar mais ou menos as transações de Ethereum. De lá para cá, mais itens ganharam tokens.

Arte e token

Artistas digitais — ou que digitalizam suas criações — historicamente enfrentam dificuldades quando se trata de proteger direitos autorais online. Usando tokens não fungíveis em parceria com contratos inteligentes, que permitem incluir atributos detalhados como identidade do proprietário, metadados e link seguro, fica mais fácil.

Sejamos sinceros, parece inacreditável: pagar pela propriedade simbólica de um conteúdo digital hospedado em algum lugar da internet vai de encontro ao modus operandi já conhecido em que se baixa absolutamente tudo com um clique, a custo zero.

Os evangelistas do NFT acreditam que a tecnologia pode resolver exatamente esse problema: a quase impossibilidade de monetizar obras de arte digitais, atribuindo um valor à arte digital, que até então não tinha reconhecimento nos leilões online.

Arte Digital (Imagem: Ivan Samkov / Pexels)
Arte digital. (Imagem: Ivan Samkov/Pexels)

Quem vende NFTs?

Citamos, também, alguns casos que se tornaram emblemáticos sobre a agitação em torno dos NFTs. 

Em 2021, o youtuber americano Logan Paul criou uma arte dele mesmo segurando cartas de Pokémon e tokenizou. Aos compradores, determinou que um estoque de três mil unidades custava 1 ether (ETH) cada; faturou mais de US$ 5 milhões.

No mesmo ano, a cantora Grimes criou um conjunto de obras de arte digitais que foram a leilão e, entre algumas das peças únicas com token não-fungível e outras com milhares de cópias disponíveis, a artista canadense vendeu cerca de US$ 6 milhões num único evento.

E não para por aí. NFTs, de fato, movimentaram o mercado financeiro em 2021. Veja mais alguns exemplos:

  • O álbum “When You See Yourself” da banda Kings of Leon foi o primeiro lançado em NFT e foi disponibilizado na plataforma YellowHeart;
  • O clássico meme “Deal With It” foi registrado como ativo digital e leiloado pela NFT Foundation. Com lances em ether, a peça foi vendida por 15 ETH, ou US$ 22 mil;
  • O primeiro post de Jack Dorsey, cofundador e CEO do Twitter, também virou NFT e  foi vendido por US$ 2,9 milhões.

Parece não haver limites para o que — mesmo intangível — pode ser vendido em NFT.

Quem compra NFTs?

Evidente que qualquer pessoa pode ver fotos de obras caras na internet; mas é a propriedade sobre elas que cria valor. Com NFTs, você não apenas tem a propriedade, com a tecnologia de blockchain você tem propriedade de forma pública e transparente.

Museu do Louvre lotado (Imagem: Jill Evans / Pexels)
Museu do Louvre lotado (Imagem: Jill Evans / Pexels)

Desde especuladores que compram os primeiros ativos NFT na esperança de valorizarem, até grandes proprietários de criptomoedas que querem “patrocinar a arte digital”, há todo tipo de gente interessada. E se antes as artes digitais recebiam críticas por serem simples ou sem apelo, a agitação pode trazer ao mercado novos nomes.

Como colecionadora de vinis que sou — daquelas que valoriza séries limitadas, numerados e bootlegs — lembro que a febre em torno dos ativos NFTs é acrescida de dois ingredientes importantes: é uma tecnologia nova e que também é colecionável. Colecionadores como eu valorizam muito itens limitadíssimos e exclusivos e essa raridade toda desperta mais emoções.

Com informações: Wired e Art

Tecnocast 184 – Tudo o que você precisa saber sobre NFT

Nesse episódio, conversamos com o artista digital Uno de Oliveira e o cofundador da Escola Cripto, João Hazim. Eles nos contam tudo sobre os NFTs. Dá o play e vem com a gente!

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