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Motorola Moto G6: mudança de foco

Queridinho da Motorola ficou mais premium no visual, mas decepcionou no desempenho

Por
01/06/2018 às 15h00
8.1

Prós

  • Câmera decente para a categoria
  • Design com ótimo acabamento
  • Tela grande de boa qualidade

Contras

  • Concorrência está oferecendo mais espaço
  • Desempenho inconsistente
  • Precisava mesmo colocar a marca aí?

O Moto G é um dos produtos que mais mudaram ao longo do tempo. Antes, ele era sinônimo de smartphone bom e barato, com algumas falhas, mas sem decepcionar em nenhum ponto. Agora, o modelo padrão é vendido por um preço não muito camarada de R$ 1.299 e traz design de vidro e até câmera traseira dupla para tirar retratos com fundo desfocado.

Com processador Snapdragon 450, tela grande com proporção 18:9 e 3 GB de RAM, o Moto G6 evoluiu em relação à geração anterior. Ele não é mais tão barato, mas será que continua bom? Senta que eu conto tudo nos próximos minutos.

Em vídeo

Design e tela

Sem levar em conta os seus gostos pessoais, é impossível negar que o Moto G6 seja um smartphone bem construído. Ele tem moldura com acabamento brilhante que passa uma sensação de produto premium, além de uma traseira de vidro curvado nas laterais, que colabora com a pegada e me faz lembrar do Moto X4.

Como de costume, existe um calombo na região da câmera traseira, mas ele acaba sumindo assim que você coloca a capinha transparente que a Motorola envia junto com o Moto G6. Esse é o tipo de acessório que as pessoas normalmente comprariam de qualquer forma, então é bom saber que você não precisa correr atrás disso quando tirar o aparelho da caixa.

É bacana ver que as bordas estão diminuindo mesmo em smartphones menos caros, mas não tem como desviar o olhar do que está abaixo da tela. Por algum motivo incompreensível, a Motorola decidiu que seria uma boa ideia espremer o leitor de impressões digitais para colocar sua marca no lugar. Talvez fosse mais interessante gastar espaço com algo mais útil, como um sensor biométrico maior, em vez dessa bisnaguinha.

Mas, depois de parar de questionar as estranhas escolhas de design da Motorola, o Moto G6 se destaca pela tela grande, de 5,7 polegadas. Ela tem painel IPS LCD, resolução de 2160×1080 pixels e boa qualidade. O brilho não é tão forte, então você pode ter problemas com a luz do sol, mas as cores não têm saturação exagerada, o contraste é bom e o ângulo de visão é excelente.

Software

O Moto G6 vem de fábrica com a versão mais atualizada do Android, a 8.0 Oreo. A interface do sistema é fluida e não há muitas modificações em relação ao Android concebido pelo Google. Mas a Motorola continua trazendo alguns diferenciais de software, que ficam concentrados no aplicativo Moto.

Assim como em outros aparelhos da marca, você pode gerenciar suas senhas e até fazer login no Windows com sua impressão digital, por meio do Moto Key; e ver prévias de notificações mesmo quando o aparelho estiver em standby, com o recurso Moto Tela. Também há suporte a gestos, como o clássico movimento de girar para abrir a câmera e o de agitar duas vezes para ligar a lanterna.

Existe um assistente pessoal da própria Motorola, batizado de Moto Voz, que ganha pontos por ter uma boa integração com o Spotify e o WhatsApp, dois aplicativos que eu utilizo com bastante frequência. Mas dar comandos de voz para o Moto G6 é frustrante: ele muitas vezes não entende o que eu digo e, em vez de executar o que eu pedi, faz uma busca no Google. Se você precisa pensar qual é o comando certo, a tecnologia não é boa.

Câmera

A câmera do Moto G6 é boa e ruim. Boa porque ela já oferece uma qualidade final de imagem que eu considero “ok” para a maioria dos usuários. Ruim porque a experiência de tirar uma foto pode decepcionar: ela às vezes demora para focar (isso piora em cenários noturnos) e mostra uma irritante mensagem de “Carregando…” quando você quer ver a foto que acabou de tirar, provavelmente por uma falta de otimização.

Com boa iluminação, o Moto G6 tira fotos com ótima definição e quase nenhum ruído. O HDR faz um bom trabalho em ampliar o alcance dinâmico do quadro, sem deixar áreas muito escuras ou estouradas. E as cores me agradam, indo para um caminho mais natural, sem forçar demais a saturação. Em ambientes internos, com luz artificial, ele ainda consegue entregar bons resultados.

Mas são os cenários noturnos que separam os homens dos meninos. Nesse caso, como o Moto G6 tem dificuldade em focar, você constantemente vai tirar fotos borradas. Com paciência e sorte, quando o aparelho conseguir fazer uma imagem focada, o resultado será uma fotografia com baixo ruído e uma definição satisfatória — bem longe do que um topo de linha oferece, mas sem fazer feio.

Assim como nas gerações anteriores, há alguns recursos adicionais na câmera. Você pode ajustar o desfoque de fundo no modo Retrato, que ainda comete alguns erros de recorte, mas melhorou bastante nos últimos meses. E também há um modo de reconhecimento de texto, que é um tudo ou nada: ou ele faz um reconhecimento muito bom, quase perfeito, ou simplesmente diz que não encontrou texto.

A câmera frontal de 8 megapixels não traz surpresas. A lente com abertura f/2,2 já denuncia que o ruído aumenta significativamente quando a iluminação é ruim. Mas, na maioria das situações, dá para tirar selfies com uma qualidade mais que suficiente para compartilhar nas redes sociais.

Hardware e bateria

O Moto G6 me surpreendeu negativamente, porque não tem um hardware tecnicamente ruim. O Snapdragon 450, apesar de a nomenclatura dar a entender outra coisa, é um processador que se aproxima bastante do Snapdragon 625: ele tem a mesma GPU Adreno 506 e a mesma configuração de oito núcleos Cortex-A53, só que com uma frequência um pouquinho menor, de 1,8 GHz em vez de 2 GHz.

Apesar disso, utilizar o Moto G6 no dia a dia significa conviver com travadinhas irritantes e aleatórias. Talvez isso possa ser melhorado com alguma atualização no futuro, mas, por enquanto, o que eu tive foram engasgos frequentes nas rolagens em aplicativos de redes sociais, principalmente o Facebook, dando a impressão de que ou o processador não está dando conta, ou tem alguma falha no software.

Eu também presenciei inconsistências na abertura e alternância entre aplicativos, o que também foi uma surpresa, porque 3 GB de RAM teoricamente ainda são suficientes para oferecer uma boa experiência de multitarefa no Android. Aplicativos rotineiros, como Chrome, Spotify e YouTube, às vezes demoravam demais para abrir — e isso aconteceu bem mais vezes do que eu gostaria.

Se o desempenho fosse bom, eu nem reclamaria dos 32 GB de armazenamento. Aproximadamente 25 GB de espaço vêm livres de fábrica (o que é bem melhor que o Moto X4), mas as concorrentes já estão entregando 64 GB nos aparelhos intermediários, como é o caso do LG Q6+ e do Galaxy J7 Pro. A Motorola bem que poderia seguir pelo mesmo caminho, mas resolveu deixar isso para o Moto G6 Plus.

Pelo menos a bateria é boa: além de contar com carregamento rápido, como já virou padrão no mercado, não fica pedindo tomada antes do final do dia. Os 3.000 mAh me garantiram um dia inteiro de autonomia em quase todos os dias de teste. Com duas horas de streaming de música no 4G e 1h30min de navegação no 4G, com brilho no automático, ele aguentava das 8h às 21h e deixava entre 30 e 40% de carga sobrando.

Conclusão

O Moto G vem se distanciando de sua proposta original. Quando foi lançado, em 2013, ele não tinha uma câmera incrível, nem um primor de design, mas já oferecia uma tela acima da média, uma bateria com boa autonomia e um desempenho sensacional para a faixa de preço (lembrando: o preço sugerido era de R$ 649). Era a compra certa para quem queria um bom celular sem gastar muito dinheiro.

No Moto G6, o que eu vejo é um aparelho que tenta seguir as tendências do mercado, com uma tela gigante de proporção 18:9, uma câmera dupla para desfocar o fundo nos retratos e um design que fica elegantíssimo na prateleira da loja, mas que peca em pontos básicos.

A câmera até tira fotos com boa qualidade, mas você deve perder tempo com ela, já que o foco é lento e impreciso. E a qualidade de som me agradou, mas de que adianta isso, se o aparelho fica pensando tanto só para abrir um Spotify? A impressão é a de que a Motorola aumentou bastante o preço do Moto G para melhorar alguns pontos — só que o dinheiro foi parar nos lugares errados.

Por R$ 1.299, o Moto G6 não é mais uma daquelas compras que você faz sem pensar muito: ele tem pontos negativos relevantes que devem ser levados em conta. Se você faz uso básico, o aparelho não deve te decepcionar. Mas se quiser algo além, eu recomendaria partir direto para um Moto G6 Plus, ou pelo menos pensar nos Galaxy J Pro ou até mesmo a linha Galaxy A.

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Especificações técnicas

  • Bateria: 3.000 mAh;
  • Câmera: 12 MP (f/1,8) e 5 MP (f/2,2) na traseira e 8 MP (f/2,2) na frente;
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11n, GPS, GLONASS, Bluetooth 4.2, USB-C, rádio FM;
  • Dimensões: 153,8×72,3×8,3 mm;
  • GPU: Adreno 506;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 256 GB;
  • Memória interna: 32 GB;
  • Memória RAM: 3 GB;
  • Peso: 167 gramas;
  • Plataforma: Android 8.0 Oreo;
  • Processador: octa-core Snapdragon 450 de 1,8 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, giroscópio, bússola, impressões digitais, luminosidade;
  • Tela: IPS LCD de 5,7 polegadas com resolução de 2160×1080 pixels.

Notas Individuais

Design
8
Tela
9
Software
9
Câmera
8
Desempenho
7
Bateria
8
Conectividade
8