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Facebook paga jovens para instalar app que coleta dados pessoais no iOS e Android

Facebook Research é um aplicativo de VPN que coleta dados de vários tipos em troca de pagamentos que chegam a US$ 20 por mês

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25 semanas atrás

Parece que as polêmicas do Facebook envolvendo privacidade não têm fim. A mais recente retrata a avidez para coletar informações de todos os tipos: a companhia paga valores mensais a adolescentes e adultos para ter acesso a dados de seus smartphones por meio de um aplicativo. Até capturas de tela entram no meio.

Facebook

Não estranhe se você tiver a sensação de já ter assistido a esse filme. No ano passado, o Facebook se viu obrigado a retirar o aplicativo de VPN Onavo Protect da App Store por violar as regras de privacidade impostas pela Apple. O app promete mais segurança, mas, em troca, coleta dados sobre as atividades do usuário.

Facebook Research: um app de VPN que coleta dados

Uma investigação do TechCrunch mostra que o Onavo Protect não é o único aplicativo polêmico. Existe uma ferramenta chamada Facebook Research que é tão ou mais controversa: ela pode coletar variados tipos de dados, como histórico de navegação, lista de apps instalados, padrões de uso de serviços online e conteúdo de outros aplicativos.

Sabe-se até que, em dado momento, a ferramenta solicitou aos usuários uma captura de tela com seus históricos de compras na Amazon. Para ter acesso a tanta variedade de dados, o Facebook Research pede permissões especiais e, no caso da versão para iOS, solicita que o usuário instale um certificado raiz de confiabilidade, embora a Apple proíba essa prática quando o objetivo não envolve desenvolvimento de software.

O Facebook Research começou a ser distribuído em 2016 e, em vez da App Store ou Google Play, chega aos usuários por meio de três programas de testes: BetaBound, uTest e Applause. Eles são promovidos com anúncios na web e em redes sociais. Alguns anúncios veiculados recentemente recrutavam usuários com idade entre 13 e 17 anos (com consentimento dos pais). Outros, qualquer usuário da faixa entre 13 e 35 anos.

Anúncios do uTest (imagem: TechCrunch)

Os três programas fazem parte de um projeto maior batizado como Atlas Project, denominação que o Facebook adotou em 2018. Aparentemente, os programas foram criados com nomes diferentes para evitar a sua associação direta com a rede social. A presença do Facebook fica clara ao usuário só depois do cadastro.

Após a validação cadastral, os usuários recebem o aplicativo e instruções para instalação. O atrativo está na remuneração. Os pagamentos para cada participante chegam a US$ 20 por mês, sem contar eventuais bônus por indicação.

Consultado pelo TechCrunch, o especialista em segurança Will Strafach descobriu que o Facebook Research possui funções de VPN e códigos muito parecidos com os do Onavo Protect. É como se o Facebook tivesse encontrado outro meio de coletar dados de usuários após o seu aplicativo de VPN ter sido banido da App Store.

Solicitação de histórico de compras na Amazon

Solicitação de histórico de compras na Amazon

Não existe mais no iOS

Procurado, o Facebook confirmou os programas. “Como muitas empresas, convidamos pessoas a participar de pesquisas que nos ajudam a descobrir no que podemos melhorar”, diz um trecho da nota. A companhia também informou que os dados coletados não são compartilhados, que os usuários podem parar de participar a qualquer momento e que menos de 5% dos participantes são adolescentes.

O Facebook também havia dito que o aplicativo não viola o programa de certificação da Apple. Mas parece que não é bem assim: após o assunto vir à tona, a companhia decidiu descontinuar o Facebook Research para iOS. A versão para Android continua existindo.

Apesar de polêmica, a insistência do Facebook com coleta de dados tem explicação: de acordo com o Wall Street Journal, o Onavo Protect ajudou a companhia a tomar várias decisões que, mais tarde, trouxeram resultados significativos.

No contexto atual, o rastreamento de atividades de adolescentes é especialmente importante: a companhia vem tentando entender o que tem levado o público mais jovem a preferir serviços como YouTube e Instagram ao Facebook.

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