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Por que o iPhone é uma plataforma válida pra games

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7 anos atrás

Não é segredo pra ninguém que eu sou um grande entusiasta do iPhone e iPod touch como plataformas de videogame. Presumo até que este deve ser um dos motivos da minha contratação pra esta coluna semanal.

Entretanto, a resistência enfrentada pela apresentação do iPhone como uma alternativa ao status quo estabelecido pelo PSP e o DS ainda é forte. Existem muitos gamers que torcem o nariz, batem o pé, e se recusam completamente a aceitar o iPhone como uma plataforma de games. E embora algumas de suas preocupações sejam baseadas em pontos válidos, é bastante óbvio que a opinião é primariamente baseada num preconceito irracional contra a idéia de um telefone servir como videogame.

As plataformas móveis de games atuais

As plataformas móveis de games atuais

Inicialmente, a oposição contestava a validade de uma plataforma que só se prestasse a joguinhos rápidos e casuais, que sirvam apenas como distração na fila do banco ou no banheiro. Esse é o argumento comum dos auto-entitulados “gamers hardcore”, que exigem uma experiência profunda e uma história de múltiplas camadas pra todos os jogos.

É uma visão bastante estreita, porque eles estão vaticinando o fracasso da plataforma baseado exclusivamente em suas expectativas e preferências pessoais, ignorando o fato de que o público inteiro não tem a mesma opinião que eles. O DS e o Wii invocaram reações similares, com milhões de fanboys ao redor do mundo reclamando que a Nintendo havia alienado seus fãs lançando consoles com foco em “jogos de criança”. Como todos sabemos, ambos consoles se tornaram sucessos absolutos na indústria – obviamente, a aversão por jogos casuais não é universal. Há um imenso público pra isso, e é aí que o console brilhará.

Uma outra reclamação comum é a falta de controles.  Embora haja uma iniciativa third party pra trazer controles tradicionais pro iPhone, em minha opinião isso é um passo na direção errada. Convergência é o Santo Graal do mundo tecnológico; se eu tiver que comprar e trazer no bolso um dispositivo separado dedicado a jogatina, não haverá vantagem gamística do iPhone sobre o DS ou o PSP. Eu preferiria levar o celular num bolso, e um dos outros consoles portáteis no outro.

Embora soe como um bom argumento, a crítica da falta de controles físicos invariavelmente vem de gente com pouca ou nenhuma experiência com os jogos no iPhone. Por mais incrível que possa parecer, os designers dos jogos fizeram um excelente trabalho em adaptar controles na tela que funcionem bem com jogos de ação, que exigem reflexos rápidos e reação imediata.

Quando dou meu iPhone pra um leigo, uma das primeiras coisas que eu faço – puramente como experiência, nem é pra tentar provar nada – é carregar Sonic the Hedgehog e ver como o inexperiente lida com os controles. Sonic é um jogo bastante rápido, que exige saltos precisos em algumas instâncias. Serve como bom teste.

Fanboys intransigentes gostam de recitar discursos sobre como é importante ter feedback tátil num controle, e na inviabilidade de um console que exige que você oculte boa parte da tela com os dedos enquanto joga. Soam como reclamações válidas no papel, mas o argumento se esfarela quando meu priminho de 7 anos joga perfeitamente nos controles virtuais.

Isso pra não mencionar que há vários gêneros que funcionam melhor numa touchscreen, como jogos de tabuleiro, de cartas, de estratégia, jogos de “time management”, point and click adventure, tower defense, etc – jogos que nunca tiveram seu espaço nos consoles, e que agora estão experimentando sua Renascença no portátil da Apple. O problema aí é que gamers hardcore acostumados aos velhos paradigmas frequentemente esquecem que há outros estilos de jogos além de FPS, futebol e corrida.

(Mas não se preocupem – jogos dos gêneros supracitados também se encontram na AppStore. Há conteúdo pra todos os gostos por lá)

Mas o motivo principal pelo qual eu praticamente abandonei meu DS e meu PSP é a já citada convergência. Não me entendam mal – ambos o DS e o PSP são excelentes gadgets que oferecem bastante dentro das propostas deles. A comunidade homebrew estendeu um pouco mais o potencial de ambos, transformando-os (nas devidas proporções, não se anime muito) emPDAs bastante funcionais.

Acontece que isso ainda não chega perto da polivalência oferecida pelo iPhone, que é meu celular/leitor de email/cliente de MSN/navegador portátil/câmera fotográfica/agregador de RSS/despertador/cliente móvel de VNC e etc. Parafraseando o famoso fotógrafo Chase Jarvis, “o melhor console é aquele que está sempre com você“. A miríade de funções do iPhone rendeu a ele um espaço dedicado no meu bolso, algo que não acontecia com o DS ou o PSP. E por isso, os jogos que eu compro na AppStore estão sempre ao meu alcance. O mesmo não pode ser dito sobre os jogos dos meus outros portáteis.

A Nintendo e a Sony ambas responderam à ameaça do iPhone – a Nintendo lançou o DSi, um aparelho mais convergente que o DS original (e que consta de um modelo de distribuição digital), e a Sony seduziu desenvolvedores da AppStore a lançarem títulos clássicos do iPhone pro PSP, como foi o caso de Fieldrunners e Hero of Sparta. E o novo PSPGo largou a mídia física e funciona exclusivamente com jogos downlodeáveis.

Resta saber se a nova estratégia vai funcionar, ou se o mundo já conseguiu se acostumar a jogar videogame nos seus celulares.

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  • Convergência é tudo. Desde 2005 não consigo mais comprar um celular sem um player de MP3 decente, e não é só isso. Desde que eu tive me primeiro contato com o last.fm, também não compro um celular se eu não puder (de alguma forma) fazer scrobble das músicas que eu ouço nele (falei sobre isso aqui).

    Também tem o caso da câmera. Você não está sempre com uma câmera no bolso, pra captar aqueles momentos inusitados do dia-a-dia. Para isso é bom ter um celular com uma câmera marromeno, que quebre esse galho.

    Agora os jogos estão seguindo esse mesmo caminho, graças à plataforma da Apple.

  • Sabe o que é engraçado, Mobilon?

    Antes do iPhone eu torcia o nariz completamente pra celulares com MP3 player. Tive dois, e a interface era muito pesadona, não-intuitiva. Mesmo os modelos com players inspirados no iPod (como foi o caso dos meus Sony Ericssons) não me atraiam.

    Aí comprei o iPhone, que tinha a mesma interface do iPod touch. Hoje acho impensável voltar a carregar um celular num bolso, e um tocador de mídia no outro.

    O mesmo aconteceu quando a AppStore saiu e alguns desenvolvedores timidamente lançaram seus primeiros joguinhos. Eu tinha plena certeza que aquilo nunca iria vingar, assim como jogos em palms/pocket PCs que também nunca alcançaram muito público.

    Grande engano…

  • André

    Concordo em grande parte. Mas você mostra sua falta de informação nesse trecho:

    “Isso pra não mencionar que há vários gêneros que funcionam melhor numa touchscreen, como jogos de tabuleiro, de cartas, de estratégia, jogos de “time management”, point and click adventure, tower defense, etc – jogos que nunca tiveram seu espaço nos consoles, e que agora estão experimentando sua Renascença no portátil da Apple.”

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  • Como sempre, o que me desanima é o PREÇO e o fato que não existe plano 3G DECENTE nesse país. Veja desse modo: eu consigo um DS por trezentas pratas usado e um PSP por 450, por quanto eu consigo um iPhone? Sendo que, você ainda precisa comprar os jogos (e para isso passar por toda a burocracia chata da App Store, que não tem versão nacional) e para isso ou WiFi ou 3G, uma vez que a Apple não permite transmissão USB de 3rd parties, nos dois primeiros (embora seja ilegal) eu posso simplesmente baixar os jogos, e se você é um escoteiro, pode comprar UMD’s ou cartuchos de DS ali na lojinha da esquina, coisa que não dá pra fazer com a Apple.

    Então chegamos no seguinte: o iPhone pode ser a Vênus de Milo dos consoles portáteis, não nego isso, mas digo que é uma solução que está muito distante do consumidor de jogos comuns NESTE PAÍS. Parece que morar no Canadá turva seu juízo kiddo (BRINKS, não precisa responder essa última)

  • Bruno

    André, quando esses tipos de jogos tiveram espaço nos consoles? Tiveram seus bons momentos em PCs…

  • Knox

    Nunca tive um iPhone, mas devo dizer que estou bem feliz com meu Nokia N73, tem uma boa câmera de 3.2mp, music player decente e uma gama de jogos (apesar do software da Nokia frescurar pra instalar coisas as vezes). Sinto falta do Wi-Fi, e só.

  • Antonio

    Ae kid viado! Post bom! Até fico com vontade de comprar um iPhone…
    Maldito Applefag…LOL (Macfag ñ poderia ser!)
    Nem sou muito de ficar jogando no cel, mas pq nem curto muito os jogos de cel, jogar no teclado de cel, essas viadagens…Agora jogar com touchscreen e acelerômetro tá me parecendo cada vez mais interessante, além da variedade diferente de jogos! O problema é o preço do brinquedo e o acesso a software pra ele em terras brazucas!

  • Me soa engraçado ver o Kid defendendo convergência – quem há um tempo atrás adorava um gadget pra cada coisa…
    Eu sempre detestei, tenho celular com câmera e mp3 desde 2006 e não os troco por mais nada. A perspectiva de jogos do iPhone que ascendeu muito este ano é uma nova força pros mobiles e hoje, seria meu fator decisivo para sua compra.

    No mais, parabéns ao Tecnoblog pela excelente escolha de trabalhar com o Kid nessa área. Sucesso!

  • Algust21

    Outro bom post

    No mais, ótima escolha do Tecnoblog trabalhar com um cara como o Kid nessa area. Parabéns e sucesso aí!

  • _g

    Só existe UMA coisa que eu não gosto da convergência: de tanto fazer de tudo um pouco, acaba não fazendo nada direito.

    Mas não troco meu iphone por uma camera digital, um celular normal e um psp nem fodendo (e olha que ainda é aquele primeira geração) – só por outro iphone

    • Nem sempre, meu caro. O iPhone tem embutido a melhor versão já lançada de um iPod, e desse nem é necessário falar sobre qualidade.

      Ele também é o melhor computador de bolso que já usei, e até o que venho testando, parece possuir um hardware/software sensacional para jogos e gráficos bacanas.

      Só falta mesmo uma câmera decente, mas isso deixaria a traseira do aparelho horrorosa. 😛

      • Antonio

        Esse hardware do iPhone q eu ñ acho detalhes mais específicos! Olhei por aí mas “deus” ñ indicou o caminho! To curioso ainda!

  • _g

    WTFH? tentei mandar o último comentário e ele não aceitou meu email? :O

    • Calma, ele só entrou pra moderação.. 🙂

      • _g

        Ah não, ele não aceitava meu email mesmo.

        Dava como “email inválido”, sendo “gmail.com”.

  • Sou completamente a favor dessa transformação de tudo em um, mesmo tendo um celular que não sabe o que é icone e cores. E desde que o Kid comprou um Iphone, eu tenho vontade de ter um. Maldito viado que fica me mostrando coisinhas legais..

    Ps: parabéns pela coluna =D

  • Sirilo

    Meu MP3 do tempo das cavernas está com os dias contatos, vira e mexe desliga sozinho. É um coitado Creative Zen Micro era um bom concorrente, ao menos em qualidade , do Ipod Mini.

    Meu celular não tem câmera , não tem EDGE , não está funcionando seu despertador. Não sei ainda porque nao está no lixo.

    Preciso de um novo e não me restam duvidas. Irei de iPhone !!!

    A questão é seu alto preço, e uma nova necessidade: plano de dados. Algo caro e muito mal oferecido. Além da velocidade por aqui não ser incrível os limites são muito baixos, o que são 100mb ?!!?? Certeza que eu acabaria com isso em um dia.

    Já fui algumas vezes à procura dele. mas sempre está esgotado. E dá uma grande raiva pq sei que 90% dessa galerinha que quer o telefone da moda não vai usufruir de nem 10% do seu potencial…

  • Inês

    Espero que o iPhone cresça mais ainda como plataforma de games. Seria bom ver jogos como Castlevania e Tony Hawk’s Pro Skater na app store.

  • Kid, você escreve muito bem, mas “auto-entitulado” eu não engulo. Em tempo, eu tenho um Sony S500i e tem uma câmera de 2 megapixel fantástica, além de um bom mp3 player. E jogo mesmo só Qaudrapop…

  • Rodrigo

    Muito bom artigo. A não ser porque quase passa aquela idéia de que o iPhone é a cura de todos os males :). Este texto se aplica muito bem a vários outros aparelhos, incluindo a série N da Nokia, que faz tudo isso a um preço bem mais camarada. Sim, eu tenho um N95 que é meu player, rádio, emulador de roms, navegador gps, terminal ssh, câmera, filmadora, browser, cliente de email, twitter e blog, access point, agenda de compromissos e até faz ligações!! Mas outros também fazem. Talvez a resistência se dê não pelos supostos argumentos contra controles físicos. Mas pela conhecida e persistente guerra de fanboys, onde o “meu” aparelho é melhor que os outros, simplesmente porque é meu. É nesse ponto que o pessoal tem que abrir os olhos. Não existe mais apenas UMA solução. Estamos na crista da onda da convergência digital e da conectividade em tempo integral. Há opções para todos os gostos e necessidades.

    • Eu tinha lido esse artigo a um tempo mas não tinha visto bons comentários ainda. Parabéns Rodrigo. Eu concordo plenamente com o autor que alguns dispositivos feitos hoje em dia tem hardware para proporcionar boas experiências com jogos, mas eu atribuiria esse fato a qualquer dispositivo similar. O artigo é de 2009 e na época já existiam boas opções, como o Rodrigo citou. Hoje em dia então nem se fala.

      Porém, se as grandes empresas do ramo de jogos não começarem a produzir para os telefones, não veremos grandes mudanças nesses paradigmas.

      Porém, se as grandes empresas do ramo de jogos não começarem a produzir para os telefones, não veremos grandes mudanças nesses paradigmas.

  • workernet

    O iphone tem uns jogos bacanas e é uma plataforma válida mas há estilos de jogos q são impraticáveis no iphone como RPGs japoneses(jogos de RPG estilo FFI e FFII e chrono cross)pelo tamanho de jogo da bagaça no quesito horas de jogo(meio nonsense pra um gadget q nem havia pretensões de ser plataforma) e jogos de luta como tekken,kof,whatever

    mas quem sabe…

    Afinal, você não está fazendo nada mesmo!xD

  • Sou da mesma opinião… Hoje já temos tecnologia disponível para agregar tudo o que a gente precisa em um único aparelho… pra que encher os bolsos de gadgets se pode-se integrar tudo em um único aparelho?

    Olha, sobre mobile gaming, o iPhone 3GS está me surpreendendo bastante pelo que eu vejo por aí. Depois que eu ví algumas exclusividades para ele, como Wolfenstein RPG por exemplo, fico cada vez mais impressionado com o repertório desta plataforma.

    Mas sinceramente, eu não tenho um iPhone, e meu próximo smartphone eu estou quase certo que não será da Apple, mas sim, algum com Android OS. Apesar de gostar muito de jogar (qualquer coisa) no celular, os (excelentes) jogos disponíveis na plataforma, pelomenos até o momento, não são ainda o suficiente para eu aderir ao iPhone =P

    Do mais, parabéns pelo post! Conheci você a partir do Tecnoblog, e já estou acompanhando tudo o que você posta no hbdia.com também! Valeu! =D

  • G. Grünewald

    Como possuidor de um iPod Touch e gamer; eu, claro, jogo no meu Touch. E Acho essa uma ferramenta de game muito razoável. Admito que nem todos os jogos são perfeitos, muitos devem melhorar a jogabilidade e tal. Mas há jogos bem divertidos para tal plataforma. Por exemplo, recentimente baixei um jogo de tiro para testar, gostei tanto que acabei comprando o “Full”. Esses dias baixei, também a versão free, do Resident Evil. Não curti muito, pq eles simplesmente pegaram o jogo do gamecube e jogaram no iPod com controles touch, haha. Mas até que deu para arrancar algumas cabeças de zumbis loucos com controles bem imersivos, se é que estou usando a palavra no seu sentido correto. Whatever.

  • G. Grünewald

    Aliás, esqueci de mencionar o jogo de tiro FPS que eu acabei comprando. Trata-se do: Marine Sharpshooter.

  • Pingback: Uma Justa comparação entre iPod Touch e PSP | Blog do Plastico()

  • thafarel

    nao tenho nada a reclamar do meu iphone
    jogo que eu quero pego no itunes os free e seu goto
    vou la e compro!!!

  • Acho que o iPhone/iPodTouch pode ser sim uma plataforma de jogos válida, mas existe um problema de manutenção. Os primeiros PSPs, por exemplo, conseguem rodar exatamente os mesmos jogos que o novíssimo PSPGo. Mas o iPhone 3GS já tem jogos exclusivos que não rodam no 3G…

    Isso mina completamente a idéia de uma plataforma de jogos, afinal, quem vai comprar um gaming device com prazo de validade de um ano?

    Escrevi mais sobre isso no meu blog http://ofantasticomundogeek.wordpress.com/2009/12/12/aonde-a-apple-esta-indo/

    No mais, ótimo post.

  • Pingback: iPhone e games – um ano depois | Apple()

  • Darox

    Comprei o iPhone de tanto o Kid mostrar jogos legais e vale cada centavo, há jogos muito profundos e de ótima qualidade, e se vc tem um problema consegue facilmente falar com o desenvolvedor, por causa do iPhone larguei DS, Wii e Pc.

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