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Produção de chips de iPhone 13 e MacBook é atingida por contaminação de gás

Gás usado para produzir chips do iPhone 13 e dos próximos MacBooks sofre contaminação por fornecedores; fábrica é a mais importante da Apple na Ásia

Pedro Knoth Por

A fábrica de fundição de semicondutores mais importante da TSMC, responsável por produzir chips para a futura geração de aparelhos da Apple — o iPhone 13 e próximos MacBooks — foi atingida por contaminação de gás, usado na linha de produção dos componentes de silício da empresa.

Chip Apple M1 (imagem: reprodução/Apple)

Chip Apple M1, que também é produzido na fábrica da TSMC (Imagem: Apple/Divulgação)

Local é responsável por produção de chips M1, M2 e A15

A instalação é conhecida como “Fab 18” e é a fábrica mais importante da TSMC, taiwanesa que produz todos os chips de aparelhos da Apple: iPhone, Mac e iPad.

Na noite de quinta-feira (30), uma fiscalização apontou que o gás usado para produzir os chips de silício da empresa estava contaminado.

A linha de produção afetada pela contaminação produz os chips da futura geração dos aparelhos da Apple, como o M1X, que estará presente no lançamento do próximo MacBook Pro ainda este ano, e o sucessor direto do M1, o M2, que deve ser implementado na geração seguinte do MacBook Air. Outro chip que é fabricado no mesmo lugar é o A15, futuro processador do iPhone 13.

A TSMC disse, em entrevista à Nikkei Ásia, que “algumas das linhas de produção” da empresa, localizadas no South Taiwan Science Park, receberam gases de fornecedores que podem estar contaminados, mas que estes foram “rapidamente substituídos por um lote novo de gases”. Funcionários que foram dispensados mais cedo tiveram de voltar ao local para apaziguar a situação.

A companhia reiterou que está monitorando a retomada das atividades da fábrica para verificar se algum produto teve sua qualidade comprometida pela contaminação. Mas ela afirmou que “não houve impacto significativo” na produção. Fontes ouvidas pela Nikkei afirmam que o vazamento afetou os chips da Apple de maneira “limitada”.

Em abril, a TSMC prometeu investir mais de US$ 100 bilhões para acelerar a produção de chips, que vem passando por uma escassez global que prejudica empresas como a Apple.

Apple prepara lançamento do iPhone 13 para setembro

Durante a divulgação de resultados do 3º trimestre, o presidente da Apple, Tim Cook, ao lado do diretor financeiro Luca Maestri, explicaram que a escassez de chips poderia diminuir os estoques do iPhone 13 e do novo MacBook. Os aparelhos podem já lançar com uma quantidade limitada quando comparada a estreias anteriores.

Portanto, o momento do incidente é inoportuno: já em agosto, a Apple finaliza a produção de todos os chips dos novos lançamentos, e termina de montar os aparelhos até o final do mês.

O cronograma de lançamento do iPhone 13 está dentro do padrão da Apple, marcado para setembro. A companhia não se pronunciou sobre a contaminação, e nem se ela vai atrasar os planos da empresa.

Os novos MacBooks Pro devem ser lançados junto com o iPhone, em setembro, ou em lançamento separado no mês de outubro.

Com informações: MacRummors

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² (@centauro)

Todas as alternativas vão ter algum risco.

Ter vários fornecedores você tem mais risco de vazamento de informação, mais risco de variação de qualidade e tem a questão da queda do poder de barganha (não só em termos monetários, mas também em termos de prioridade porque você pode não ser o cliente priotário como a Apple muito provavelmente é da TSMC).

Ter um único fornecedor você cria um elo frágil que gera um risco maior de ruptura da cadeia produtiva. E esse elo pode ser extremamente frágil, já que o fornecedor pode querer entrar num cabo de guerra, o fornecedor pode ser afetado por questões geopolíticas, o fornecedor pode mudar de estratégia e afetar o fornecimento.

Eu chuto que se você perguntar pra 10 analistas diferentes, você vai ter 13 opiniões diferentes sobre essa decisão da Apple.

Juliano Machado Olivetti (@Juliano_Machado_Oliv)

Claro, tem toda razão!! Há sim a diferença inevitável entre unidades fabris diferentes, além de boa parte do poder de barganha da escala maior ser perdido.
Já o vazamento de projetos vejo como irrelevante em se tratando de empresas gigantes como TSMC e Samsung, afinal as penalidades contratuais e de confiança dos outros clientes seria totalmente perdida.
Só entendo que depender 100% de Taiwan em praticamente toda sua linha, é um risco extremamente arriscado, e nunca a situação entre China e Taiwan esteve tão próxima de um conflito de fato. Se uma situação de conflito se desenvolve, com bloqueios e interrupções no fornecimento, a Apple simplesmente se vê numa situação sem qualquer possibilidade de contingência, sem plano B ou C…

² (@centauro)

Na questão do vazamento, não me refiro ao roubo de projeto/informação para a fornecedora usar para si. Eu me refiro mais ao problema dos leakers mesmo.
Quanto mais empresas envolvidas, mais pessoas estarão envolvidas nas etapas e maiores as chances de alguém conseguir informações para vazar.

E outro ponto que eu acho que pesou para eles terem optado pela TSMC é a capacidade fabril da empresa. É capaz que nenhuma outra empresa tenha a capacidade de fornecer a quantidade que a Apple pede.
E eles provavelmente julgaram que os riscos geopolíticos eram justificáveis no momento da decisão.
Agora eles estão vendo que talvez o negócio comece a ficar arriscado demais e por isso eles começaram uma primeira tentativa de mover parte da produção para outros países como a Índia, mas que não deu tão certo assim.

De qualquer forma, é um processo que leva anos para ficar pronto e mesmo a decisão de mandar tudo para a TSMC também deve ter sido tomada há anos, quando a situação geopolítica provavelmente era bem mais calma, justificando o risco.