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Windows Phone: nascimento, evolução e queda de um sistema quase “perfeito”

O Windows Phone tentou ser o terceiro player do mercado, mas problemas ao longo do caminho impediram sua ascensão

Wagner Pedro Por
Windows Phone: nascimento, evolução e queda de um sistema quase "perfeito" (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Windows Phone: nascimento, evolução e queda de um sistema quase “perfeito” (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O Windows Phone chegou em 2010 com a proposta de ser um concorrente ao Android e iOS. A Microsoft investiu muito tempo (e dinheiro) no sistema operacional, apresentando versões com diversas melhorias e até mesmo comprando a divisão mobile da Nokia, a maior fabricante parceira na época, por US$ 7,2 bilhões.

O software tinha “tudo” para dar certo: ele entregava uma interface bonita e totalmente personalizável, era rápido mesmo em aparelhos com 512 MB de RAM (pouco até para aqueles tempos) e, claro, oferecia uma grande integração com os populares serviços da Microsoft.

Durante toda a sua “jornada”, o Windows Phone conseguiu atrair muitos fãs, especialmente no Brasil. O sistema ainda traz um sentimento de nostalgia para diversos ex-usuários — há quem guarde na gaveta um Lumia que ainda funciona.

Por mais que o crescimento tenha sido relativamente rápido (embora pouco expressivo), sua queda foi mais rápida ainda e nem mesmo o sucesso da marca Nokia conseguiu manter o Windows Phone vivo. O que deu errado no sistema operacional de uma gigante de tecnologia, que era líder absoluta nos computadores e tinha dinheiro de sobra para dominar mais um mercado? Bom…

Como surgiu

Durante o desenvolvimento do Windows Phone, a ideia da Microsoft era apostar na retrocompatibilidade para aproveitar apps do Windows Mobile. Mas pelo fato da empresa ter desenvolvido o sistema relativamente rápido, a primeira versão do Windows Phone deixou de lado essa proposta. Por outro lado, ela entregou novos recursos e uma interface bem diferente.

Joe Belfiore, um dos grandes responsáveis pela criação do Windows Phone, apresentou o sistema durante a MWC 2010 em Barcelona, evento que ocorreu em fevereiro daquele ano. O Windows Phone 7 Series atraiu a atenção do público especialmente por conta da interface Metro, que trazia as Live Tiles, pequenos quadrados (ou retângulos) coloridos e interativos que mostravam mais conteúdos e eram totalmente personalizáveis.

Em entrevista ao Tecnoblog, Igor Leandro, criador do canal FaixaMobi, comentou que “a Microsoft apostou alto e foi para o mercado, trazendo uma opção muito atrativa em termos de sistema operacional e de usabilidade”.

Trecho do evento de lançamento do Windows Phone 7 Series

Essa mesma versão também dividia os conteúdos por Hubs para concentrar várias informações num só lugar. Um deles era o de “Pessoas”, que unia os contatos telefônicos e suas redes sociais para facilitar a comunicação.

Pouco tempo depois do lançamento oficial, a gigante de Redmond decidiu remover o termo “Series” devido a várias críticas. Por isso, em abril de 2010, a empresa fez a seguinte declaração:

Os consumidores querem uma maneira simples de dizer e usar o nome consistentemente. O importante é manter o foco na marca Windows Phone, que introduzimos e iremos continuar a investir durante o Windows Phone 7 e adiante.

Os primeiros modelos com Windows Phone 7 incluíram o Samsung Omnia 7, o LG Optimus 7 e os HTC 7 Trophy, Mozart e HD7, além do Dell Venue Pro. As vendas começaram em outubro de 2010.

Samsung Omnia7 (Imagem: Luca Viscardi/Wikimedia Commons)
Samsung Omnia7 (Imagem: Luca Viscardi/Wikimedia Commons)

Em entrevista ao Tecnolog, Flavio Xandó, especialista em TI e produtor de conteúdo sobre tecnologia no YouTube, também comentou sobre a chegada da Microsoft no setor mobile: “ela pensou certo e quis diversificar, abrindo o horizonte para sair do PC e não colocar todos os ovos na mesma cesta. Por isso, no momento em que ela entrou, achei que foi uma decisão acertada porque o mercado estava explodindo”.

Evolução e versões

A primeira versão do Windows Phone trouxe recursos interessantes, mas o sistema estava longe de ser perfeito e ainda precisava de diversos aprimoramentos. “O Windows Phone 7 tinha uma boa usabilidade e uma cara bonita por conta das Live Tiles, uma novidade no mercado, mas ele ainda tinha várias limitações. Eu me lembro de uma muito básica que, quando você desligava a tela do aparelho, o Wi-Fi era desconectado, algo que não fazia sentido”, explica Igor Leandro.

Pensando nisso, durante a MWC 2011, Steve Ballmer, CEO da Microsoft na época, revelou que uma grande atualização chegaria no final do ano trazendo novas funcionalidades. Dentre as melhorias, é possível destacar uma versão móvel do Internet Explorer 9 com melhor capacidade gráfica, integração do Twitter e multitarefas para apps. Esse update, chamado de Windows Phone 7.5 “Mango”, foi responsável pelo crescimento inicial do sistema, registrando um market share de 0,59% em outubro de 2011, segundo dados da Statcounter.

Antes do lançamento do Windows Phone 8, a gigante de Redmond liberou o Windows Phone 7.8 “Tango”. Essa foi uma atualização pequena dedicada a aparelhos com Windows Phone 7.5, já que a oitava versão não rodava nesses modelos por conta do núcleo diferente. A principal novidade consistia em poder alterar o tamanho das Live Tiles. É possível dizer que o Windows Phone 7.8 foi entregue apenas para dar um “gostinho” da próxima versão, inserindo pequenas funções que estariam presentes.

Interface do Windows Phone 7.8 no Lumia 710 (Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)
Interface do Windows Phone 7.8 no Lumia 710 (Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)

O Windows Phone 8, lançado em outubro de 2012, substituiu o Windows Phone 7, que era baseado no Windows CE, e passou a ser estruturado no Windows NT. Isso significa que foi mais do que uma “grande atualização”: na verdade, o sistema foi reescrito por completo. Por isso, aparelhos com Windows Phone 7, 7.5 e 7.8 não podiam ser atualizados ou sequer rodar aplicativos desenvolvidos para essa versão, algo que desanimou muitos consumidores e gerou várias críticas.

Quando a Microsoft mudou o SDK (Software Development Kit) do 7 para o 8, ela foi muito bem intencionada. Havia diversas promessas e ampliações de funcionalidades, mas ela não respeitou a base de usuários. Isso não se faz. A empresa não pode simplesmente jogar tudo fora.


Flavio Xandó

Apesar das críticas, o Windows Phone 8 conseguiu ser bastante elogiado. Dentre as novidades, temos as Live Tiles com tamanho personalizável, suporte para telas HD e processador multicore, Internet Explorer 10 e NFC.

Em abril de 2014, a Microsoft liberou a versão preview do Windows Phone 8.1, que foi lançado para o público geral em julho do mesmo ano. Esse update era compatível com modelos que rodavam o Windows Phone 8 e trouxe melhorias significativas, deixando o sistema mais competitivo.

Windows Phone 8.1 rodando no Lumia 520 (Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)
Windows Phone 8.1 rodando no Lumia 520 (Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)

O 8.1 estreou a assistente de voz Cortana, inseriu uma central de notificações e implementou suporte a telas Full HD e processadores quad-core. Essa é considerada a versão definitiva por muitos fãs, sendo ela uma das grandes responsáveis pelo maior market share global registrado: 2,45% em novembro daquele ano.

A última versão do Windows Phone foi o Windows 10 Mobile, lançado oficialmente em novembro de 2015. Esse novo sistema fornecia uma integração maior com o Windows 10 para PCs, incluindo um novo método para sincronização de conteúdos e um ecossistema universal de aplicativos. Com isso, os desenvolvedores podiam portar apps desenvolvidos originalmente para Windows 10, Android e iOS.

O software tinha uma integração e uma sinergia muito forte com o Windows 10 de desktops. Era uma plataforma que se diferenciava do que existia no mercado e, na minha leitura, a melhor que a Microsoft tinha desenvolvido.

Igor Leandro
Interface do Windows 10 Mobile (Imagem: Divulgação/Microsoft)
Interface do Windows 10 Mobile (Imagem: Divulgação/Microsoft)

O Windows 10 Mobile também trouxe o “Modo Continuum”, que permitia conectar o smartphone a um monitor externo para utilizá-lo como um PC, dando suporte a teclado e mouse. Mas para que fosse possível ativá-lo, o usuário precisava adquirir um dock vendido pela Microsoft.

Ao contrário do Windows Phone 8 e 8.1, essa versão nunca alcançou uma popularidade significativa. A prova disso é que em 2017, apenas dois anos após o lançamento, a Microsoft já tinha começado a descontinuar o desenvolvimento do sistema devido à falta de interesse dos usuários e desenvolvedores.

Em janeiro de 2020, a empresa liberou a última atualização do Windows 10 Mobile, encerrando assim o suporte e, consequentemente, oficializando sua saída do mercado mobile. Nessa época, o market share global do sistema era de apenas 0,12%, de acordo com dados da Statcounter.

Parceria da Nokia com a Microsoft

Antes desse triste fim acontecer, a Microsoft conseguiu chamar a atenção dos consumidores para o Windows Phone devido a uma parceria feita com a Nokia. Outras empresas até chegaram a lançar aparelhos com esse sistema operacional móvel, mas nenhum deles ganhou tanto destaque como os modelos da linha Lumia.

Essa parceria foi anunciada em fevereiro de 2011 em uma conferência de imprensa realizada em Londres. Os CEOs da Microsoft (Steve Ballmer) e da Nokia (Stephen Elop) oficializaram um acordo entre as duas empresas, no qual o Windows Phone seria o sistema operacional dos smartphones da marca finlandesa.

Uma pessoa que trabalhou na Nokia contou ao Tecnoblog sob anonimato que “o Symbian estava perdendo market share e Android e iOS só cresciam. O Windows Phone chegava como uma luz no fim do túnel. Imaginavámos que seria a chance perfeita de recuperar o mercado”.

Nokia N95 com Symbian (Imagem: Cristian Janke/Wikimedia Commons)
Nokia N95 com Symbian (Imagem: Cristian Janke/Wikimedia Commons)

Mas enquanto muitos viam o Windows Phone como uma saída, outros não apoiaram essa adoção. Em entrevista ao Tecnoblog, outro ex-funcionário ligado a marca finlandesa revelou sob anonimato que não apreciou a parceria:

Para mim foi uma decepção, porque há anos eu vinha trabalhando com eles [Nokia] no desenvolvimento do Symbian e do Maemo (plataforma que deu origem ao MeeGo). Eu tinha muito contato com os desenvolvedores e via a empolgação deles com o que estava sendo criado. Essa mudança parou todo o desenvolvimento das outras plataformas, então para mim foi muito frustrante. Eu sentia que isso não era o que a Nokia queria fazer, mas ela fez para sobreviver dentro do mercado.

Esse mesmo ex-funcionário também comentou que “eu não gostava do Windows Phone. Eu vestia a camisa da Nokia, então pensei que, se a marca quis isso, vou embarcar. Mas eu não aguentei muito tempo e saí da empresa. É um valor que eu tenho: quando não acredito naquilo que estou tentando vender, não é mais pra mim”.

Lumia 800, um dos primeiros modelos com Windows Phone (Imagem: Petar Milošević/Wikimedia Commons)
Lumia 800, um dos primeiros modelos com Windows Phone (Imagem: Petar Milošević/Wikimedia Commons)

De qualquer forma, a parceria seguiu adiante e os primeiros resultados foram os Lumias 800 e 710, apresentados em outubro de 2011. Nos anos seguintes, a Nokia lançou diversos smartphones com Windows Phone, criando uma espécie de memória associativa nos consumidores, já que bastava falar do sistema para vir à cabeça o nome da marca.

Mas antes de chegar nesse ponto, a empresa tinha alguns receios quanto à adoção do Windows Phone. “Tínhamos aquela dúvida de ‘será que os fãs da Nokia vão virar fãs do Windows Phone?’ Porque a Nokia tinha muitos fãs. Eu nunca vi nada igual com uma marca. Mas quando aconteceu a transição, a gente foi conquistando o coração desses fãs da Nokia e, gradativamente, eles foram se tornando fãs do Windows Phone”, comenta o ex-funcionário.

Compra da Nokia pela Microsoft

Apesar da parceria ter apresentado resultados positivos, eles ainda estavam abaixo das necessidades da finlandesa. Por isso, em setembro de 2013, a Nokia decidiu vender sua divisão mobile para a Microsoft por US$ 7,2 bilhões. O anúncio foi feito no blog oficial de ambas as empresas. A publicação afirmava que a movimentação significava o “próximo capítulo” na história da fabricante de celulares.

Sabemos que essa “jogada” não deu certo, mas naquele momento ela fazia sentido para a Nokia. Afinal, os resultados apresentados estavam bem abaixo do esperado, especialmente com relação aos concorrentes. Por isso, vender a divisão para a Microsoft foi uma forma da empresa não sumir totalmente do mercado.

Era um movimento natural, que fazia sentido para ambas as empresas. O valor de mercado da Nokia havia caído muito pela base menor de usuários e a Microsoft precisava ter um domínio maior, internalizando a parte de hardware com o desenvolvimento do software.

Igor Leandro
Stephen Elop foi CEO da Nokia entre 2010 a 2014 (Imagem: Maurizio Pesce/Wikimedia Commons)
Stephen Elop foi CEO da Nokia de 2010 a 2014 (Imagem: Maurizio Pesce/Wikimedia Commons)

Esse baixo desempenho pôde ser confirmado num memorando interno vazado. Chamado de “Plataforma em Chamas”, Stephen Elop comparou a Nokia com uma pessoa que estava dentro de um barco pegando fogo navegando por um oceano gelado. Se ficasse, ela morreria queimada e, se pulasse, morreria congelada. Ou seja, é possível concluir que foi uma tentativa de se salvar.

Mas o que poderia se tornar uma “superpotência”, já que a Nokia chegou a liderar o setor de celulares com 41% de participação, acabou se tornando um fracasso. Apenas dois anos depois da compra, a gigante de Redmond encerrou a divisão e demitiu mais de 7,8 mil funcionários.

Principais modelos com o sistema

Como foi dito, outras empresas chegaram a lançar smartphones com Windows Phone, mas foi a Nokia que se destacou no mercado. Dentre tantos modelos, alguns chamaram a atenção dos consumidores e se tornaram um grande sucesso — ao menos entre os fãs da marca.

O primeiro deles foi o próprio Lumia 800, que estreou o Windows Phone em 2011. Além do design baseado no Nokia N9, o dispositivo trouxe uma tela AMOLED de 3,7 polegadas com filtro ClearBlack antirreflexo, processador Snapdragon S2 de 1,4 GHz, 16 GB de armazenamento interno e câmera de 8 MP com lente Carl Zeiss.

O Lumia 920 foi outro modelo de destaque. Esse aparelho, que já vinha de fábrica com Windows Phone 8, apostava em um display IPS LCD de 4,5 polegadas, processador Snapdragon S4 Plus dual-core de 1,5 GHz, 1GB de RAM e 32 GB de armazenamento. Além de boas especificações para o ano de lançamento (2012), seu design também chamava a atenção dos consumidores, que podiam escolher entre seis cores.

Lumia 920 (Imagem: Solovei Yegor/Wikimedia Commons)
Lumia 920 (Imagem: Solovei Yegor/Wikimedia Commons)

Avançando no tempo e indo para 2013, a Nokia apresentou o Lumia 520, considerado a “galinha dos ovos de ouro” da marca. O motivo é simples: esse foi o celular com Windows Phone mais vendido no mundo, somando 12 milhões de unidades comercializadas até junho de 2014, sendo um dos grandes responsáveis pela divulgação do Windows Phone.

Curiosamente, ele não trazia especificações de alto nível, apenas o básico para o uso diário, como tela IPS de 4 polegadas, processador dual-core de 1,0 GHz e 8 GB de armazenamento. Mesmo com essas características, o Lumia 520 conseguiu ser mais atrativo (e barato) em relação à concorrência, repleta de celulares Android com interfaces lentas e travadas.

Buscando liderar o mercado de câmeras, a Nokia lançou o Lumia 1020 no mesmo ano. O aparelho se destacava por sua lente Carl Zeiss de 41 MP com estabilização óptica de imagem, sendo o primeiro smartphone do mundo com essa tecnologia. Ele também entregava uma tela AMOLED de 4,5 polegadas, 2 GB de RAM e até 64 GB de armazenamento. Esse modelo “reinou” quando o assunto era qualidade de imagem, e mesmo nos dias atuais, sua câmera oferece um desempenho aceitável.

Lumia 1020 (Imagem: Kārlis Dambrāns/Wikimedia Commons)
Lumia 1020 (Imagem: Kārlis Dambrāns/Wikimedia Commons)

Ainda em 2013, a fabricante finlandesa apresentou o Lumia 1520. Usando a nomenclatura “phablet”, o dispositivo trouxe um display IPS LCD de 6 polegadas com resolução Full HD (1920×1080 pixels) e vidro com proteção Gorilla Glass 2. O processador também era competente, já que a Nokia inseriu um Snapdragon 800 quad-core de 2,2 GHz, aliado a 2 GB de RAM e até 32 GB de armazenamento. Por muito tempo, esse smartphone manteve o “título” de melhor Windows Phone do mercado.

O fim

Olhando o cenário como um todo, é possível dizer que o Windows Phone lutou para permanecer no mercado. A Nokia lançou diversos modelos e a Microsoft chegou a investir bilhões comprando a parceira para atrair mais consumidores e tentar manter o sistema vivo, mas os problemas ao longo do caminho barraram sua possível ascensão.

Talvez o principal deles tenha sido a falta de aplicativos. Android e iOS já entregavam diversas opções de redes sociais e jogos em suas respectivas lojas, enquanto que o Windows Phone sempre teve uma certa limitação nesse aspecto, já que poucos desenvolvedores tinham interesse na plataforma.

As pessoas não compravam um celular com Windows Phone porque ele não tinha um leque grande de aplicativos, e os desenvolvedores muitas vezes não criavam apps porque não existia uma base significativa de usuários. A Microsoft ficou “presa” nesse dilema e isso basicamente foi o principal fator do Windows Phone não ter vingado no mercado.

Igor Leandro
Modelos com Windows Phone (Imagem: Mike Mozart/Wikimedia Commons)
Modelos com Windows Phone (Imagem: Mike Mozart/Wikimedia Commons)

Algumas empresas também deixaram o sistema de lado. O Google, por exemplo, nunca permitiu que seus apps fossem distribuídos oficialmente na Windows Phone Store, enquanto que o Instagram só foi liberar uma versão oficial muito tempo depois, mais especificamente no início do Windows 10 Mobile.

Mas não foi só a falta de aplicativos que contribuíram para o fracasso do Windows Phone: as mudanças de SDK também tiveram um papel negativo. “Com as mudanças, muitos desenvolvedores tinham que jogar fora o código dos seus apps simplesmente porque o SDK era diferente. Isso deu um ‘banho de água fria’ neles”, encerra Flavio Xandó.

Além disso, outras duas gigantes (Apple e Google) já dominavam o mercado com seus sistemas, desde a faixa de aparelhos premium aos mais populares, deixando pouquíssimo espaço para o Windows Phone. Ou seja, a gigante de Redmond perdeu o timing e, quando resolveu lançar a primeira versão, Android e iOS já eram grandes demais para bater de frente.

Lumia 1520 (Imagem: JÉSHOOTS/Pexels)
Lumia 1520 (Imagem: JÉSHOOTS/Pexels)

De qualquer forma, o Windows Phone também tinha pontos positivos: sua integração com os serviços da Microsoft (e até com algumas redes sociais) era excelente, a interface podia ser totalmente personalizada e a fluidez em modelos de entrada chamava a atenção, além de outras características.

O Windows Phone tinha inovações que perduram até hoje. A questão das Live Tiles que eram atualizadas em tempo real, por exemplo, foi algo que, no fundo, a Apple trouxe na última versão do iOS. É basicamente a mesma coisa: você pode adicionar cards que atualizam informações. A empresa não vai comentar, óbvio, mas pra mim aquilo é muito inspirado no Windows Phone“, comenta o ex-funcionário anônimo.

A Microsoft ainda atua no mercado mobile, mas não como antes. Em agosto de 2020, a empresa anunciou o Surface Duo, aparelho dobrável que roda Android. Ou seja, além da participação ser pequena, não vemos nada de Windows Phone ou coisa parecida, já que hoje esse sistema operacional vive apenas na lembrança de quem foi usuário.

Comentários da Comunidade

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Daniel R. Pinheiro (@DiFF7Skyns)

E pensar que esse sistema chegou a ter um market share maior que do iOS em diversos países, principalmente na Europa, mesmo com todas as dificuldades e erros, 90% deles pela própria Microsoft. Já acho interessante a briga entre iOS e Android hoje, com uma terceira via, então, seria bacana.

Cheguei a possuir um. Lumia 920. Na época me atendia bem. Hoje eu não chegaria nem perto. Descanse em paz, WP. E que a MS tenha aprendido com o erro.

. (@Lucas_sem)

O sistema tinha potencial, acho que boa parcela de não ter ido para frente foi o jogo contra da Google, por exemplo.

As versões alternativas do YouTube eram muito melhores que a original do Google. Era quase do nível de um vanced de hoje em dia. A versão do tinder, snapchat etc eram melhores que as oficiais para Android.

Outro ponto, o aplicativo de câmera era excelente.

Tinha um bug chato da pasta outros que ficava acumulando lixo e não tinha como esvaziar, a não ser com um hard reset.

Tori Niwikari (@Tori)

Um problema da Microsoft que se arrasta até nos computadores é SDK.
Em vez de criar um SDK que possa firmar a plataforma e ir atualizando pouco a pouco, mas tendo compatibilidade entre as versões, a empresa simplesmente reinicia do zero e começa um novo SDK simplesmente por não conseguir migrar o kernel/design para o novo sistema.
Windows Phone 7 foi um sistema que eu sempre observei com bons olhos desde o início, e gastei meu dinheiro comprando um Lumia 630 para apoiar a plataforma.

Mas, em vez de fazer um SDK compatível entre Windows Phone 7, 8 e 10, simplesmente jogaram a retrocompatibilidade no lixo e corre pro abraço.

O sistema poderia ter tido várias mudanças em questão de design, como o próprio blur do Fluent, que nem sequer foi adaptado por completo até o final do Windows Phone 10.

De qualquer forma, Microsoft teve um sistema que poderia abocanhar o setor intermediário/básico, mas acabou enfiando ideias demais no sistema e mal executando todas.
UWP, Modo Continnum, SDK quebrado, limitações no próprio sistema, é cada coisa…

Sérgio (@trovalds)

E dizer que o WP foi o SO que desafiou tanto o design datado de ambos iOS e Android como de quebra veio pra rodar em aparelho com hardware que o Android sequer passava perto à época.

Eu particularmente fui um dos apostadores do WP. Tenho até hoje um Lumia 730 com a tela estragada. E tive um Lumia 435 “quebra-galho” depois que o 730 me deixou e que fiz a gentileza de perder. Na época, inclusive, o 435 era o que havia de mais barato no mercado de um modo geral mesmo sendo um aparelho superior a qualquer Android barato da época.

O maior erro da MS nisso tudo acredito ser a soberba do Steve Ballmer em não aceitar nada de fora. Até mesmo a Apple, que é concorrente direta do Android, recebe bilhões pra ter o ecossistema do Google no iOS. Acredito que se o Satya tivesse à frente da MS naqueles tempos o WP ia estar vivo ainda. Não ia ser aquele marketshare absurdo mas pelo menos ia ser uma alternativa à mesmice de Android e iOS.

Pedro Teles (@Pedroo_Teles)

Parabéns pela matéria Wagner!

O Windows Phone tinha uma identidade, e isso tornava ele tão especial para os fãs. Infelizmente não puderam explorar melhor os conceitos que hoje no Windows 10 amadureceram. Ficará na lembrança de muitos que puderam curtir esse momento de competição com iOS e Android.

Juliano Machado Olivetti (@Juliano_Machado_Oliv)

Também acredito que a mudança frequente de SDK acabou sendo o tiro no pé do sistema! Já tinha começado atrás, não tinha retro compatibilidade de apps…Sim, a Microsoft colocou muito dinheiro, inclusive a desenvolvedores para que portassem seus apps para o sistema, mas esses o faziam, mas pelo baixo número de usuários acabavam não mantendo o suporte.

Thiago Oliveira (@Thiago_Oliveira)

Muito a frente do seu tempo, só não vingou por conta da falta de apps, se ainda existisse com certeza estaria com um.
Ainda me recordo de ir em um bar, do lado da minha casa com um controle jogando como se fosse o Xcloud e o pessoal viajando, uma semana depois todo mundo com Windows no bolso.
Além disso, o custo benefício me chamava muita atenção, tive vários modelos, Lumia 520, 530, 730, 830, 950 se não me engano, câmera impecável e as fotos do Lumia 950 que ainda tenho guardado ainda sim deixa o iPhone de lado.

Hélio Márcio Filho (@heliommsfilho)

Apesar de nunca ter tido um gostava bastante da plataforma. Mas a Microsoft traiu seus usuários, seus desenvolvedores e todo mundo. Primeiro com o abandono de quem tinha acreditado na plataforma desde o início com o Windows Phone 7 e segundo com o lançamento do Windows Phone 10. Que demorou bastante e no fim quase nada poderia atualizar pra ele.

Nem vou falar da incompetência absurda de lançar o Windows Phone 7, uma coisa que era pra ser nova e moderna baseado no Windows CE que já estava respirando por aparelhos faz tempo e que tinha sido projetado para aparelhos na época já obsoletos. Mais uma péssima decisão na conta de Steve Ballmer. Se eu fosse dev de WP na época teria ficado bem bravo sabendo que agora o Kernel do sistema seria outro. Era óbvio que deveria ter sido o NT desde o dia zero. Mas a pressa de entrar foi tão grande que cagaram tudo. Por último, a Microsoft não é a Mozilla quer tentou lançar um OS pequeno mas não tinha tantos recursos. Com o rio de dinheiro que eles tem dava pra ter sustentando a plataforma por mais tempo mesmo tomando prejuízo enquanto pegava tração. Isso iria forçar a atenção dos grandes apps. Essa última foi uma traição com a Nokia, pois a Microsoft foi a que menos acreditou na própria plataforma.

Ironia_dou_de_graça (@1989_herr)

Eu tive os Lumias 920, 925 e 930. Só troquei pelo iphone quando realmente estava claro que não teria salvação. Até hoje sinto falta. Eu realmente gostava do sistema, era rápido, fluido e por mais estranho que possa parecer o design me agradava também.

Marcelo (@Marcelo3M)

Usei até meados de 2017, quando migrei para o Android. Tenho a impressão que a Microsoft também não sabia divulgar de uma forma adequada, pois eles se vendem como uma empresa de produtividade e no final das contas as pessoas queriam apenas um smartphone para redes sociais e multimídia, talvez ninguém queria produtividade.

Igual agora com o Windows 11, com o Teams integrado que só de ouvir me lembra trabalho e com games integrados ao sistema com o Game Pass… Afinal, é trabalho ou lazer?

Mas eu gostava muito do sistema.

Victor Serrão (@Victorgpserrao)

Usei Windows Mobile, depois praticamente todas as versões do Windows Phone. Fui até o W10 em beta com o meu Lumia 1320, um telefone incrivelmente barato pelo tanto que oferecia, e enorme. A tela era um deleite para consumir conteúdo, e até o Excel rodava muito bem.

Desisti depois que soube que, mesmo rodando o W10 em beta, o 1320 não receberia o W10 em versão de lançamento. Acabei voltando para o Android, que eu já havia experimentado no sofrível Galaxy 5 e num Motorola Defy que deu todos os defeitos do mundo.

Gostaria muito, muito mesmo, que o Windows Phone tivesse continuado. Era um sistema muito fluído, muito bem acertado e que apresentava um paradigma totalmente diferente. Seria inclusive muito legal se o launcher da Microsoft no Android trouxesse os live tiles, ao invés daquela interface sem sal e bugada.

Alex Phillipe (@Alex_Phillipe)

E hoje em dia os funcionários ociosos da Microsoft trabalham em suas horas vagas criando o lineageos … de graça… o que permite o google copiar de graça as inovações tecnológicas que essas pessoas criam no LineageOS e o Google inclui essas melhorias na próxima versão de Android… sendo que o próprio Google também coloca no Android limitações artificiais para aplicativos gerados para Android recusem em ser instalados no lineageos… é o caso de aplicativo de alguns bancos que ao instalar no Lineage houvesse o aplicativo acusa que o celular tem root ( mesmo sem ter) ou dá um aviso de que não vai querer funcionar em Android não homologado, Então essa fica assim agora desculpa para o aplicativo do banco Inter e corretora Binance não querer abrir no LineageOS … Ainda bem que existe outros bancos né… e os outros bancos não rejeitam usuário por ele estar usando LineageOS, ao contrário, o nubank e o Banco do Brasil até fazem aparecer uma tela no aplicativo me agradecendo por eu estar usando o LineageOS puro (sem fazer root) e com o sistema de proteção “SE Linux” ativado… pra quem nao sabe esse aplicativo é uma especie de antivirus que ja vem dentro do LineageOS e serve pra proteger com criptografia os dados que vao passar pela internet sendo dados mySQL (ou seja, se o Nubank acessa um banco de dados remoto mySQL nos servidores do nubank o sistema Operacional normalmente não proibiria outros aplicativos tentar escutar essa comunicação… mas o “SE Linux” ativado funciona como um Firewall +antivírus o que protege a comunicação contra escuta de outros aplicativos rodando no mesmo celular e também criptografa a comunicação entre o celular e o servidor remoto para que os dados sql passem dentro de um túnel criptografado, assim um wireshark da vida Nao consegue nem mesmo capturar os dados sql trafegados pra tentar quebrar a fraca criptografia nativa do SQL do nubank… enfim, a Samsung copiou isso desde 2014 com o Samsung s4 e chamou isso de “proteção knox” , mas a verdade é que a Samsung sempre espera o pessoal do LineageOS criar a nova versão do “SE Linux” e assim a Samsung poder copiar para “evoluir” o knox da Samsung… e sabem o que é engraçado? Que só a Samsung e o LineageOS possuem isso ( essa preocupação em proteger a privacidade do usuário)… todas as outras marcas de aparelhos Android não incluem nada para proteger… é por isso que algumas pessoas consideram os Motorola xiaomi e outras como possuindo um tipo de Android mais rápido e mais leve, é claro que possuem um Android mais leve, porque não inclui esse tipo de proteção , que só existe no LineageOS e na Samsung, e sinceramente, prefiro Samsung original ou LineageOS justamente por terem essa proteção do que qualquer outras marcas que não possuem proteção… pena que o Brasil não é um país sério, pois o certo seria o nossos governantes estarem mais atentos e darem logo um tapa da mão invisível na cara das outras marcas que não incluem proteção alguma para o usuário

Eu (@Keaton)

O Opera dos sistemas operacionais. hahaha

Desenvolvimentista (@mandatario)

Bom mesmo era o Firefox OS!
Esse ai tinha a mão de m**da da MS.

² (@centauro)

Depois das várias kgdas que fizeram, é capaz que avaliaram (talvez até corretameente) que seria custoso demais reconquistar a confiança dos consumidores e, principalmente, dos desenvolvedores.

É uma pena, mas é mais difícil pintar um quadro bonito em uma tela já manchada.