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A blogosfera "moleque" morreu? Jornalistas e blogueiros discutem tema na Campus

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Da Campus Party, São Paulo -- “Comecei a ver que tinha potencial financeiro.” Com essas palavras, o fundador e editor-chefe do Tecnoblog, Thiago Mobilon (portanto, meu chefe) iniciou as discussões sobre a profissionalização da blogosfera no Brasil. O debate faz parte da programação sobre mídias sociais da Campus Party, com moderação do jornalista e blogueiro Alexandre Inagaki. Pedro Burgos, coleguinha do Gizmodo Brasil, Clara Averbuck, do portal R7, Cora Rónai, jornalista de O Globo, e Carlos Merigo, do Brainstorm 9, também participaram da discussão.

Mobilon conta que no início o dinheiro proveniente do blog servia para coisas simples, como adquirir um computador ou um celular. “Equivalia a um salário de interior”, diz o fundador do Tecnoblog nascido em Americana, a 150 km de São Paulo.

Debate sobre blogs na Campus

“Eu comecei a perceber que parecia com a Folha de São Paulo”, afirma Carlos Merigo, responsável por um dos blogs mais acessados do país – especializado em propaganda e publicidade. O blogueiro afirma que é preciso ter identidade própria na hora de começar a escrever um artigo. “Tem gente que arrisca um negócio próprio partindo do nada. Eu não tive coragem de chegar a tanto.” Há dois anos Merigo deixou o trabalho em uma grande agência de publicidade para tocar o B9 como seu único e principal trabalho. “Eu comecei a trabalhar de casa. Mas quando comecei a enlouquecer um pouco saí para um escritório.”

Atualmente o site de Merigo tem um escritório próprio de onde ele trabalha, motivo para acordar, colocar a roupa certa e sair de casa.

Cora Rónai, de acordo com o mediador Inagaki, abriu as portas para a blogosfera brasileira. Começou como colunista de tecnologia do finado (em papel) Jornal do Brasil e segue como blogueira “tradicional”, do tipo que conta suas histórias pessoais no blog. “Hoje é muito mais complicado angariar leitores para o seu blog; no Facebook é tudo mais fácil”, coloca a jornalista citando a rede social que na semana passada requereu oferta pública de ações (IPO na sigla em inglês) com avaliação de que a empresa consiga US$ 100 bilhões.

“Se eu posto algo no Facebook, consigo muito mais comentários do que no meu blog pessoal”, instiga Inagaki sobre como os comentários se davam no início da blogosfera moleque. Ele mantem o Pensar Enloquece, Pense Nisso depois de idas e vindas, prometendo mudanças para o ano corrente.

Cora conta que agora os blogs são aceitos socialmente. Os blogueiros são convidados para eventos como o São Paulo Fashion Week, principal divulgação da moda brasileira. No início não era assim, com distinção entre jornalistas e blogueiros.

Cora Rónai

“Nem toda empresa quer que o jornalista venha com sua opinião pessoal para o blog. Especialmente em época de eleições. Situação confusa que já deu até demissão.” – Cora Rónai

Falando da transição do impresso para o meio digital online, Clara Averbuck conta que começou a espalhar seus textos na época de mIRC. Depois veio o Cardoso Online, lista que no fim de 2001 tinha cerca de 5 mil assinantes (de acordo com a escritora). “Isso começou antes e por email.”

Clara diz que se cansa de fazer blogs e desiste. Passam-se três meses e novamente a escritora volta a atualizar seu espaço na rede. E deixa bem claro que não escreve para qualquer um: “Quem quer lê, quem não quer pode ir para outro blog. O blog é aquilo que o blogueiro quer que ele seja. Demorou, mas as pessoas se tocaram disso.”

“Em 2008 chegou uma proposta animal com carteira assinada e eu topei.” Pedro Burgos, editor-chefe do Gizmodo Brasil, diz que desde aquela época mudou muito. Por exemplo, nos Estados Unidos a lista de veículos mais acessados comporta diversos blogs. “É importante que a gente tenha opinião, por mais que os leitores discordem disso. Há jornalistas que em evento dizem que um produto é uma merda, mas depois no artigo publicado em grande portal afirma sobre ‘promessas’ do dispositivo.”

Rónai discorda de Burgos. Diz que chegou à conclusão de que o jornal falaria bem dos produtos que fossem bons. “Quando a coisa é ruim nós ficamos quietos. Prefiro elogiar o produto de qualidade no jornal porque o espaço é limitado. É importante nos lembrarmos do que aconteceu na grande imprensa, mas não tinha cara de jornalismo, como o caderno ‘Informática Etc’ do jornal”.

Mobilon fala a campuseiros

Outro assunto discutido no debate foi a “briga” entre a velha mídia e a nova mídia. Foi lembrada a primeira edição da Campus, quando os jornalistas ficavam em uma área de imprensa com recursos a mais. Devido a isso, o ambiente ganhou o apelido de “bolha” e teve a visita de um blogueiro vestido de dinossauro para simbolizar os tempos áureos dos jornalistas.

 “O blog começa a se tornar relevante em meio a montes de canais de conteúdo quando você encontra nele um ponto de vista interessante com texto peculiar.” – Alexandre Inagaki

Atualização às 18h15

A organização da Campus Party publicou o vídeo do debate no YouTube (dica do leitor @cleytoncoro). Assista abaixo.


(Vídeo do YouTube)

Comentários

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Gustavo Rodrigues
Sim, com certeza o fruto de tudo é trabalho, ninguém consegue sucesso com blog se não for bom e trabalhar muito.
Thássius Veloso
Trabalho duro costuma ser recompensado, Gustavo. Continue apostando no bom conteúdo e tudo tende a melhorar cada vez mais.
Bel Salles
Há blogs e blogs... Blogs especializados em certas coisas são os que mais me atrai. Não gosto de blogs de memes e kibadores dos outros. Blogs de humor geralmente são tudo a mesma coisa e por isso acompanho só 3 nacionais... um de tirinhas do próprio autor do blog, outro de tradução e outro mais amplo que até copia outras coisas, mas coloca sua identidade e não ofende seus leitores e que responde até os comentários. Blog de tecnologia tem vários por aí, mas poucos se destacam na seriedade e na quase-imparcialidade. Também tenho um blog e já esqueci quantas vezes tentei levá-lo a sério com pelo menos um post ao dia... Infelizmente, coisas interessantes surgem mais quando converso com as pessoas ou respondo comentários aqui do que no meu próprio blog. . . E assim sempre acabo perdendo o rumo na segunda semana. Creio que, assim como algumas pessoas têm talento para cantar, atuar, educar, cozinhar, creio que escrever e informar é algo que vem quase espontâneo. Podem ver... Este meu comentário está enorme e no meu ponto de vista interessante, mas se eu fosse falar sobre isso no meu blog, não teria nem a metade de linhas que esse comentário tem..rsrs
bawlaw
meu blog serve apenas para expressar minhas ideias que pelo que eu vejo são muitas vezes esquecidas pelas pessoas com quem converso.. tenho dificuldade em abordar apenas uma area de assunto.. estou fadado ao fracasso no campo de blogs e portanto não espero lucros fazer alguem pensar de maneira diferente do comum (ou apenas fazer alguem pensar) já é legal..
@cleytoncoro
gastei alguns minutos pra encontrar o vídeo. então atualiza o post pra galera: http://live.campus-party.org/player/load/id/cpbr5_ch5_010 ;-)
@andrecatapan
Acho que mais que tudo você precisa ter força de vontade. Eu ainda não consegui - na real eu acabo criando um blog principalmente quando penso num nome bacana ou algo do tipo, e depois acabo me ferrando porque não consigo ter uma identidade própria. Acho que antes de tudo a gente precisa ter os objetivos em mente, e além disso ter muita paciência. Talvez esse seja outro problema: começar um blog hoje e esperar que na semana que vem você já seja importante como um Jovem Nerd da vida ou algo do tipo. Eu tenho muita vontade de escrever, e acho o blog uma maneira fantástica pra isso. Quem sabe eu precise primeiro me especializar em alguma coisa. Só quem já criou um blog sabe que vida de blogueiro não é fácil.
@morgadaolinks
Discordo um pouco do “Quem quer lê, quem não quer pode ir para outro blog. O blog é aquilo que o blogueiro quer que ele seja. Demorou, mas as pessoas se tocaram disso.” ainda tem muito babaca, digo isso pq sei, que adora zoar blogueiros nos cometários… tipo "Já vi no 9gag"… err!
Pek
Ruim mesmo é o Cosme Rímoli, blogueiro esportivo. Os textos dele são todos em parágrafos de uma linha, parecem poesias.
TatoGomes
Eu sei. Várias vezes fico sem assunto, sem vontade também... Por isso que meu blog tem vários textos de amigos meus.
Marcoscs
rsrssrsrsrss, eu gosto de gatos (embora prefira cachorros) mas post sobre gatos numa revista sobre tecnologia (a finada Informática Etc do Globo) me dava nos nervos... Como eu disse, nada pessoal, questão de gosto.
Edw
A salutar discórdia. Já eu gosto justamente pelos gatos e passeios. Se tivesse cachorro, melhor ainda
Alisson Melo
Ter um blog é mais. Eu mesmo não tenho tempo pro meu. O pior é que quando tenho tempo, não tenho idéias ou não estou disposto. É meio contraditório, sabe.
Eudimar
Assisti pelo canal campus party no youtube, gostei muito do assunto. Acho que so os que realmente acreditam sobrevive na blogosfera!!!
Kadu
Essa do blogueiro visitar a área dos jornalistas vestido de dinossauro foi ofensivamente sensacional! :D
Felipe
Se quiserem ver um blog rentável clique no meu nome!
Felipe Oliveira
Sobre comentários é verdade. Mal consigo no meu blog
Marcoscs
na boa, eu não suporto a Cora Ronai, como ela é chata, prolixa, cheia de boas intenções e bons sentimentos em seus posts, de um didatismo de Tia Mariquinha da pré escola... E quando escreve sobre seus gatos e passeios? Parei de ler os textos dela há alguns anos por uma questão de sanidade mental. Embora eu reconheça a importância dela como pioneira na internet no Brasil, óbvio, provavelmente ela é uma ótima pessoa, mas os textos dela são horrorosos.
Gustavo Rodrigues
Tem 2 anos que fundei o Rock Games, mas somente a 1 ano que comecei a levar ele muito mais a sério. Hoje não tiro dinheiro pra ficar rico, mas dá para pagar as despesas do blog. Hoje com ele ganho muito conteúdo, jogos para análise e tudo mais, e isso vai mantendo ele. Pretendo nesse ano levar a coisa um pouco mais a sério, e melhorar em vários aspectos, até mesmo na questão de publicidade. O Rock Games hoje recebe um número grande de visitas e está começando a se firmar no blogosfera. Fico feliz quando vejo ele crescendo assim, é gratificante. Fico muito feliz também quando vejo que blogs hoje em dia não tem mais aquela visão de 2 anos atrás, um local onde não há conteúdo sério, infelizmente ainda existe muito preconceito, ainda mais dentro de algumas agências. Mas enfim, serei sempre blogueiro, e pretendo manter o Rock Games por mais quantos anos eu puder, é uma paixão que tenho, escrever sobre o que gosto, compartilhar minha opinião sobre o que amo, é um meio fácil para mim poder fazer aquilo que sempre quis, escrever. Obs: Um dia chego no nível do Tecnoblog, do Thas, Rafael e do Mobilon =D
Gaba
Pra chegar à um blog rentável, é um caminho árduo, demora, precisa de muita atenção! Quem tem tempo e idéias para conteúdo, deve investir, porque é um bom caminho!