Criaram um “curativo inteligente” que brilha para sinalizar infecções

Emerson Alecrim
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Quando a pele é machucada, a área lesada pode ser tomada por bactérias. Normalmente, o sistema imunológico consegue lidar com o problema, mas há situações em que a proliferação de micro-organismos atinge níveis preocupantes. Quando isso ocorre, é importante iniciar um tratamento com antibióticos o quanto antes. O problema é que não é fácil identificar um foco de infecção antes que ele se torne mais sério. Mas um curativo que brilha pode ajudar nessa tarefa.

Criada pela equipe do pesquisador Toby Jenkins, da Universidade de Bath, no Reino Unido, a invenção consiste em um material que, quando em contato com uma colônia de bactérias, produz uma reação química que o faz assumir uma cor fluorescente. A proposta é simples: se o curativo brilhar, a pessoa deve procurar o médico ou aplicar um medicamento previamente receitado para essa situação.

A parte mais interessante é que, em lesões extensas, o curativo pode ajudar o médico a encontrar mais facilmente o ponto inicial da proliferação. Toda ferida tem atividade bacteriana, mas o sistema imunológico consegue controlá-la. A coisa começa a ficar séria quando as bactérias formam uma espécie de biofilme para viver, uma substância viscosa formada por proteínas, ácidos nucléicos e açúcares complexos. É justamente na presença desse biofilme que o curativo reage.

Nos ensaios, os pesquisadores avaliaram a eficácia do material com colônias de bactérias de vários tipos, incluindo dois dos mais comuns: Staphylococcus aureus (S. aureus) e Escherichia Coli (E. Coli).

Curativo fluorescente

Os resultados corresponderam às expectativas: quando havia presença de biofilme bacteriano, o curativo levava apenas alguns minutos para ficar fluorescente. Isso significa que a invenção poderá dar o alerta antes que a proliferação atinja níveis perigosos.

Na minha época de criança, provavelmente eu iria achar o máximo ter um curativo que “acende” nos meus joelhos ralados. Mas, a não ser em casos muito específicos, o material teria pouco efeito ou utilidade em lesões superficiais. Na verdade, os pesquisadores criaram o curativo preocupados principalmente em prevenir infecções após cirurgias.

Todo procedimento cirúrgico precisa respeitar um protocolo que inclui higienização criteriosa das mãos pela equipe médica, limpeza rigorosa da área a sofrer incisão, uso de instrumentos devidamente esterilizados, entre várias outras medidas.

Mas, mesmo quando todos os cuidados são seguidos à risca, infecções podem acontecer, principalmente se a pessoa estiver com o sistema imunológico enfraquecido. Nesse caso, a ferida pode demorar mais para cicatrizar, trazer dor ao paciente e, principalmente, servir de ponte para as bactérias atingirem tecidos e órgãos internos, situação que, nos casos mais extremos, pode até levar a um quadro de infecção generalizada.

Um foco de infecção pode ter início vários dias depois da cirurgia, por isso, um curativo como esse tem mesmo grande chance de se tornar relevante. Mas o material não deve chegar ao mercado prontamente. Como sempre, mais testes são necessários. Para a próxima etapa, por exemplo, o curativo passará por um estudo clínico que deve durar cerca de três anos.

Com informações: IFLScience

Emerson Alecrim

Repórter

Emerson Alecrim cobre tecnologia desde 2001 e entrou para o Tecnoblog em 2013, se especializando na cobertura de temas como hardware, sistemas operacionais e negócios. Formado em ciência da computação, seguiu carreira em comunicação, sempre mantendo a tecnologia como base. Em 2022, foi reconhecido no Prêmio ESET de Segurança em Informação. Participa do Tecnocast, já passou pelo TechTudo e mantém o site Infowester.

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