China quer instalar sistema de vigilância na Lua

Ideia parece maluca e vinda direto de um filme sci-fi, mas não é diferente de câmeras usadas para comunicação e monitoramento da Estação Espacial Internacional.

Felipe Freitas
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Brasileiros afirmaram ter completado uma transação de bitcoin através da refelxão de ondas de rádio na Lua (Imagem: Michael Jowen/ Unsplash)
China quer lançar seu sistema de vigilância em sua futura estação lunar (Imagem: Michael Jowen/ Unsplash)

Um artigo publicado na revista científica chinesa Acta Optica Sinica indica que a China quer levar a sua Skynet, nome do seu sistema de vigilância, para a Lua. O país quer criar uma estação no satélite natural e as câmeras monitorarão a área do lugar. O estudo é assinado pela Agência Espacial Nacional da China (CNSA), Academia de Chinesa de Ciências, Universidade de Zhejiang e a estatal Corporação de Ciência e Tecnologia da China (CASC).

As instituições autoras do artigo estão envolvidas no programa de exploração lunar da China. Na atual corrida espacial, o país asiático e os Estados Unidos disputam a primeira estação permanente no nosso satélite natural. Naturalmente, a CSA precisará monitorar os taikonautas (apelido dos astronautas chineses) na futura colônia — principalmente por segurança.

Artigo fala de investigar anomalias estruturais

Foto da Lua
Está vendo aquela lua que brilha lá no céu? No futuro ela deve contar com estações lunares da China e Estados Unidos (Imagem: Rkarkowski/Pixabay)

Como explica o South China Morning Post (SCMP), o estudo fala em monitorar “anomalias” na estrutura lunar. Calma, isso não quer dizer que os chineses querem vigiar possíveis alienígenas. A Lua é regularmente atingida por meteoros, meteoritos e radiação espacial. Isso pode prejudicar o funcionamento dos instrumentos da futura estação. Logo, ter uma rede de câmeras espalhadas na área da colônia (com área prevista de 6 km²) auxiliaria na investigação da causa de possíveis problemas.

Outro ponto para levar a Skynet ao espaço tem a ver com o monitoramento das atividades e a segurança dos astronautas, tal qual ocorre na Estação Espacial Internacional (ISS). Por exemplo, se um profissional passa mal em módulo ou em uma caminhada lunar, a estação terrestre pode orientar o resto da equipe a resgatá-lo.

O nome Skynet, por sinal, não tem nada a ver com a franquia cinematográfica. Os chineses têm um provérbio que fala de uma rede no céu com um amplo trançado que impediria a entrada de qualquer coisa. Seria um indicativo de que a justiça é onipresente. Algo como o nosso “tarda, mas não falha”.

Medo de sabotagem?

Tanto a China quanto os Estados Unidos querem criar estações no polo sul da Lua porque este é o melhor lugar para manter comunicação constante e ainda pode conter gelo. É natural que isso levante a ideia de que um país poderia tentar sabotar a estação do outro. Contudo, isso é custoso e arriscado (mesmo sem câmeras de vigilância).

Ainda que as estações fiquem próximas num futuro talvez distante, levar um veículo não tripulado ou um astronauta em caminhada lunar para prejudicar a estação rival é desperdício de recursos e arrisca vida de um profissional altamente qualificado.

Entre os objetivos dessas estações, além da pesquisa da própria Lua, está servir de entrepostos para futuras viagens a Marte — que não devem deixar tempo livre para astronautas e taikonautas ficarem jogando pedra na janela um dos outros.

Com informações: Acta Optica Sinica e South China Morning Post

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Felipe Freitas

Felipe Freitas

Repórter

Felipe Freitas é jornalista graduado pela UFSC, interessado em tecnologia e suas aplicações para um mundo melhor. Na cobertura tech desde 2021 e micreiro desde 1998, quando seu pai trouxe um PC para casa pela primeira vez. Passou pelo Adrenaline/Mundo Conectado. Participou da confecção de reviews de smartphones e outros aparelhos.

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