Como funciona o zoom de 100x em câmeras de celular?

O zoom de 100x combina recursos mecânicos e de software para fotografar até a Lua usando a câmera do smartphone; entenda como funciona e as limitações da tecnologia

Felipe Ventura Ana Marques
Por e
Câmeras traseiras do Galaxy S20 Ultra
Samsung Galaxy S20 Ultra com zoom 100x (Imagem: Kārlis Dambrāns / Flickr)

O zoom de 100x no celular utiliza diferentes câmeras, lente periscópio e recursos de software para capturar imagens à distância com alta resolução. Ele está presente em smartphones de marcas como Samsung, Xiaomi e Huawei, e se popularizou por permitir tirar fotos da Lua.

O Galaxy S20 Ultra foi o primeiro celular com zoom de 100x. O recurso pode ter nomes diferentes, a depender da marca: zoom espcial/space zoom (Samsung); Ultra-Zoom (Xiaomi); SuperZoom (Huawei); HyperZoom (Vivo).

A seguir, entenda como as fabricantes de smartphones contornaram limitações físicas para proporcionar zoom de 100x em dispositivos compactos, sem prejudicar a espessura dos aparelhos.

Como celulares atingem zoom de 100x?

Celulares atingem zoom de 100x combinando zoom óptico e zoom digital. O zoom digital envolve capturar uma foto, obter um recorte dela e usar algoritmos para deixá-la mais nítida. O zoom óptico, por outro lado, captura esse recorte de forma nativa, usando uma lente periscópio.

Como funciona a câmera periscópio?

A lente periscópio tem formato de L. Em cada ponta, ficam a entrada de luz e o sensor. Para atingir um zoom óptico maior, é necessário aumentar a distância entre a lente e o sensor; o formato de L consegue fazer isso sem deixar o smartphone mais espesso.

Estrutura de uma lente periscópio de celular
Lente periscópio possui prisma para redirecionar luz (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

No Galaxy S23 Ultra, por exemplo, a lente periscópio vem associada a um sensor de imagem de 10 MP, e atinge zoom óptico de 10x. Para chegar ao zoom híbrido de 100x, a Samsung utiliza diversas técnicas:

  • Pixel binning: agrupa diversos pixels como um só para capturar mais luz;
  • Câmera principal com alta resolução: o sensor de 200 megapixels fornece informações adicionais para identificar mais detalhes na imagem;
  • Estabilização óptica (OIS): compensa o movimento do objeto e das suas mãos para maior nitidez;
  • Inteligência artificial: as câmeras capturam várias imagens cada vez que você pressiona o obturador – por exemplo, com exposição diferente – e esses dados são combinados via IA.

A inteligência artificial é usada em fotos da Lua para adicionar detalhes que a câmera do smartphone não seria fisicamente capaz de capturar. Celulares da Samsung usam IA para reconhecer a Lua no enquadramento, combinam várias fotos sequenciais, e usam um modelo de deep learning para acentuar os detalhes e cores da imagem.

Quais os benefícios de IA para câmeras de celular?

  • Aprendizado de máquina: celulares com zoom 100x usam algoritmos para compensar a perda de qualidade do zoom digital. Eles são treinados para ampliar imagens da melhor forma possível. Por exemplo, pode-se usar um banco de dados composto por pares de fotos — uma com alta nitidez, outra de baixa qualidade.
  • Combinação de múltiplas fotos: outra técnica de fotografia computacional é combinar várias fotos sequenciais, tiradas de posições ligeiramente diferentes, para gerar uma imagem ampliada mais nítida. De acordo com o Google, isso pode gerar uma resolução equivalente ao zoom óptico de 2x ou 3x em boas condições de iluminação.

Quais são as limitações para zoom em smartphones?

Smartphones são dispositivos compactos, com pouco espaço para acomodar componentes de câmera, entre outros elementos. Por isso, há dificuldade em alcançar o zoom óptico verdadeiro, definido como a proporção entre a maior distância focal e a menor em um sistema óptico.

Como funciona o zoom óptico?

Câmeras DSLR atingem zoom óptico com o movimento físico dos elementos da lente, o muda a distância focal, calculada entre o centro da lente, e o ponto em que a imagem está em foco.

Em smartphones, não há muito espaço para essa movimentação, e a maioria dos aparelhos conta com distância focal fixa. Por isso as fabricantes combinam várias câmeras com distâncias focais diferentes para atingir níveis de aproximação menores, como zoom óptico de 2x.

Lente teleobjetiva na câmera Nikon D90 e lente periscópio em celular
Lente teleobjetiva na câmera Nikon D90 e lente periscópio em celular (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

Para atingir o zoom óptico de 100x, o celular precisaria ter câmeras com distância focal de 13 mm e de 103 mm — o que exigira uma espessura muito grande.

Existem lentes teleobjetivas com zoom óptico de 100x ou mais, porém elas são muito compridas. A lente Canon Digisuper 100, por exemplo, mede 61 cm de profundidade e pesa 23,5 kg, algo inviável para um smartphone.

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Felipe Ventura

Felipe Ventura

Editor

Felipe Ventura fez graduação em Economia pela FEA-USP, e trabalha com jornalismo desde 2009. Começou no TB em 2017 como editor de notícias, ajudando a cobrir os principais fatos de tecnologia, e hoje coordena um time de editores-assistentes e a rotina das editorias. Sua paixão pela comunicação começou em um estágio na editora Axel Springer na Alemanha. Foi repórter e editor-assistente no Gizmodo Brasil.

Ana Marques

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Gerente de Conteúdo

Ana Marques é jornalista e cobre o universo de eletrônicos de consumo desde 2016. Já participou de eventos nacionais e internacionais da indústria de tecnologia a convite de empresas como Samsung, Motorola, LG e Xiaomi. Analisou celulares, tablets, fones de ouvido, notebooks e wearables, entre outros dispositivos. Ana entrou no Tecnoblog em 2020, como repórter, foi editora-assistente de Notícias e, em 2022, passou a integrar o time de estratégia do site, como Gerente de Conteúdo. Escreveu a coluna "Vida Digital" no site da revista Seleções (Reader's Digest). Trabalhou no TechTudo e no hub de conteúdo do Zoom/Buscapé.

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