Mac Studio: a prova de que o USB-C ainda não consegue ser absoluto na Apple

Mac Studio tem seis portas USB-C, mas não foi desta vez que as clássicas portas USB tipo A foram aposentadas

Emerson Alecrim
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Se te pedirem para destacar a característica mais marcante do Mac Studio, talvez você diga “é um Mac Mini esticadão” ou “ele pode ser equipado com o M1 Ultra, cara”. Mas há um detalhe que pouca gente notou: o modelo vem com várias conexões, incluindo duas clássicas portas USB tipo A (USB-A). É como se a Apple estivesse dizendo: “o USB-C não venceu. Ainda não”.

Traseira do Mac Studio (imagem: divulgação/Apple)
Traseira do Mac Studio (imagem: divulgação/Apple)

Como bem observa Monica Chin, no The Verge, a Apple mexeu com a conectividade das gerações do MacBook nos últimos anos. Mexeu bastante! Os modelos mais recentes da linha contam com apenas algumas portas USB-C, embora também seja possível encontrar uma conexão HDMI no MacBook Pro.

Fenômeno semelhante vem sendo percebido no mercado de notebooks Windows, ainda que em um ritmo totalmente diferente. Alguns modelos sofisticados, a exemplo da linhas Dell XPS, são tão compactos que não admitem portas USB-A.

Há duas explicações plausíveis — e um tanto óbvias — para isso: notebooks avançados têm espessura cada vez menor (com exceção para o segmento gamer); portas USB-C são pequenas, reversíveis e, dependendo da máquina, compatíveis com Thunderbolt.

É natural, portanto, que portas USB-C substituam o tradicional padrão USB-A. Mas, ao lançar um equipamento com duas conexões deste tipo em pleno 2022, a Apple sinaliza que esse movimento está longe de ser concluído.

O USB-A resiste bravamente

Existe um contexto, é claro. O Mac Studio é um desktop com propósito profissional, para ser usado como uma estação de trabalho completa. É por isso que ele conta com um amplo conjunto de portas.

Na frente, são duas portas USB-C com Thunderbolt 4 (ou USB de 10 Gb/s na versão com M1 Max) e um slot para cartão SDXC; na traseira, são quatro portas USB-C com Thunderbolt 4, uma porta HDMI, uma porta Ethernet, uma conexão para fones e as duas portas USB-A.

O USB-C surgiu com a proposta de unificar as conexões. A ideia é excelente. Em vez de USB-A, mini-USB e micro-USB, que tal usarmos um conector capaz de substituir todos esses padrões e, que quebra, funcionar com outras tecnologias?

Só que uma mudança dessa magnitude não acontece da noite para o dia. Precisamos passa por um período de transição. O problema é que, no caso do USB-C, esse período já dura mais de sete anos.

O USB-C deu certo, mas…

Hoje, a maioria dos celulares Android sai de fábrica com conexão USB-C. Nos MacBooks, portas do tipo predominam. Nos PCs, o padrão ganha cada vez mais espaço. Apesar disso, portas USB-A e micro-USB ainda são encontradas aos montes por aí.

Uma das razões para isso é que ainda há uma enormidade de dispositivos que utilizam conexões USB clássicas: teclados, mouses, webcams, HDs externos, pendrives, carregadores, headsets e assim por diante.

Esse cenário condiciona o usuário de um MacBook Pro ou de um Dell XPS 13, por exemplo, a ter por perto hubs USB ou adaptadores de USB-C para USB-A.

Provavelmente, isso explica o fato de a Apple ainda não ter desistido do USB-A. Além do Mac Studio, o padrão marca presença no Mac Pro (via placa de expansão, mas marca) e no Mac Mini com M1.

Não é como se a Apple não estivesse tentando abandonar o USB-A no desktop. Prova disso é que o padrão já não está presente no iMac. Mas, assim como nos PCs, o conector resiste bravamente no ecossistema da companhia por uma questão de demanda. Por quanto tempo será assim? É difícil saber.

Portas USB tipo A em um Mac Mini 2018 (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
Portas USB tipo A em um Mac Mini 2018 (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Até quando?

Se portas USB-A fossem mantidas apenas para compatibilidade com acessórios e gadgets antigos, poderíamos apostar em um abandono definitivo do padrão pela Apple em um futuro próximo. Mas o fato é que muitos dispositivos ainda saem de fábrica com conectores tipo A, sem contar que, até nos dias atuais, produtos baseados em USB-C tendem a ser mais caros. Esses fatores pesam contra uma decisão mais drástica.

Por um lado, esse cenário é positivo. Tendo portas USB-A à disposição, muitos dos nossos acessórios continuarão tendo utilidade. Por outro, teremos que conviver ainda por bastante tempo com uma grande variedade de cabos, conectores e adaptadores.

No caso da Apple, essa é uma situação curiosa, afinal, a companhia abraçou o USB-C em Macs e iPads, mas mantém o Lightning com todas as suas forças no iPhone, aumentando ainda mais essa fragmentação de padrões, por assim dizer.

Deve chegar o dia em que o USB-C reinará soberano. Tecnologias como USB4 e Thunderbolt 4 podem contribuir enormemente para isso. Mas a indústria e o mercado não se adaptam na marra. O conector tipo C tem numerosas vantagens, mas, em muitas aplicações, o USB-A ainda dá conta do recado. Enquanto for assim, o conector tipo A continuará entre nós.

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