Portal é meu xodó e não vejo a hora de jogar no Switch pela 8ª vez

Mesmo após mais de 10 anos desde o lançamento de Portal 2, a franquia segue como referência de roteiro irretocável e gameplay excelente

Murilo Tunholi
Por
Portal 2 (Imagem: Divulgação/Valve)

O melhor momento desta semana foi ver o anúncio da coleção de Portal 1 e 2 para o Switch. Quem diria que a Valve enfim iria lançar a sua melhor série — perdão, Half-Life, ainda amo você — no console da Nintendo. Se você vive embaixo de uma pedra e ainda não jogou Portal, continua comigo neste texto que te explico o porquê dessa franquia ser um verdadeiro reset cultural.

Pense com portais para chegar ao bolo

Portal 1 (Imagem: Divulgação/Valve)

Os dois jogos da franquia Portal se passam no universo de Half-Life. Porém, em vez de controlar o físico Gordon Freeman nas instalações da Black Mesa, você assume o papel de Chell, uma cobaia humana de testes da Aperture Laboratories — empresa responsável por inventar a icônica Portal Gun, que cria portais para conectar dois pontos distantes.

Em resumo, seu dever é pegar a Portal Gun e passar por câmaras de testes com diferentes desafios, tentando chegar à saída de cada sala com vida. Os quebra-cabeças são desenvolvidos por uma inteligência artificial psicopata cheia de personalidade chamada GLaDOS, a qual oferece um delicioso bolo como recompensa por raptar você.

Não vou dar spoilers sobre o enredo, porque esse é definitivamente um dos pontos fortes da franquia. Portal 1 tem uma história bem simples e direta ao ponto, até porque o jogo é bem curtinho. Já o segundo game tem roteiro muito mais denso, com personagens construídos de forma excelente e diálogos memoráveis.

Portal é uma das séries mais bem escritas de todas

GLaDOS, de Portal (Imagem: Divulgação/Valve)

Por mais que Chell seja a tradicional protagonista muda, todos os outros personagens da série Portal são recheados de personalidade. GLaDOS, por exemplo, é sarcástica, impiedosa, fria, calculista e ainda tem um humor ácido que funciona como a cereja do bolo. Todas essas características são elevadas graças à interpretação impecável de Ellen McLain na voz da antagonista.

Enquanto isso, em Portal 2, somos apresentados a Wheatley — um dos núcleos de GLaDOS programado para deixar a robô menos perigosa durante os testes, gerando ideias aleatórias e estúpidas para distraí-la. Wheatley começa amigável e charmoso, com seu sotaque britânico bem acentuado. Porém, com o decorrer do jogo, vemos ele se tornando gradualmente um maníaco por poder (ainda estúpido).

Além disso, tudo, a Aperture Laboratories inteira é uma grande personagem bem desenvolvida na história. A empresa não é apenas um lugar qualquer. Existe todo um mistério envolvendo a criação do lugar e o sumiço repentino de todos os funcionários humanos.

As leis da física são o seu playground

Portal 2 (Imagem: Divulgação/Valve)

Na gameplay, Portal 1 e 2 usam a mesma mecânica. Com a Portal Gun, Chell consegue abrir até dois portais em simultâneo, mas só em paredes especiais cobertas com um gel branco especial. Ao atravessar esses portais, é possível alcançar lugares distantes, transportar objetos e criar caminhos mais seguros.

Os portais ainda respeitam as leis da física do mundo real, sendo necessário considerar as grandezas vetoriais, como deslocamento, velocidade, aceleração, força e impulso. Portal mostra que, mesmo tendo gameplay relativamente simples, dá para inovar nas possibilidades.

Ambos os jogos usam câmera em primeira pessoa, então há chances de você ter alguns episódios de vertigem ao atravessar os portais. Prometo que isso passa e melhora bem rápido. Fora que é possível zerar Portal 1 em algumas horas e Portal 2 em um dia, no máximo dois. Então será pouco tempo de tontura, caso aconteça.

Portal 1 e 2 foram verdadeiros resets culturais para mim. Foi com a franquia que percebi como um roteiro bem escrito pode afetar completamente a sua percepção de qualidade de um jogo. Os games não têm gráficos mirabolantes ou realistas, nem mecânicas super complexas. No entanto, tudo isso é compensado pelo enredo genial e irretocável.

Portal: Companion Collection chega em 2022

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E por que eu decidi falar de Portal agora, sendo que os jogos saíram em 2007 e 2011? Pois ambos os títulos vão chegar ao Nintendo Switch ainda em 2022 em uma única coleção, a Portal: Companion Collection. Além de poder reviver esses clássicos eternos, vou conseguir fazer isso em qualquer lugar, graças ao modo portátil do console.

Também não vejo a hora de jogar o multiplayer de Portal 2 — que, aliás, é divertidíssimo — com algum amigo na mesma tela, simplesmente destacando os Joy-Cons do Switch. Para mim, Portal 1 e 2 são exemplos perfeitos de jogos que envelhecem como vinho, pois não perdem o sabor maravilhoso com o passar dos anos.

Se você quiser viver essa experiência logo, dá para pegar ambos os jogos no PC, via Steam, ou nos consoles PS3 e Xbox 360. Portal 1 e Portal 2 são experiências indispensáveis e inesquecíveis para qualquer gamer.

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